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Vivei o presente

por Círculo do Graal, em 12.07.14

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

Observando-se os seres humanos, verificam-se diversos setores. Uma parte vive exclusivamente no passado. Quer dizer, começam a compreender algo, somente quando já passou. Acontece, pois, que nem podem alegrar-se de facto com algo que ocorre, nem intuir toda a gravidade de uma coisa. Só depois é que começam a falar disso, a se entusiasmar ou se a entristecer com isso. E nesse repetido falar somente sobre aquilo que pertence ao passado, sentindo-se bem nisso ou lastimando-se, negligenciam sempre de novo o que ocorre no presente. Só quando se tornou velho, passado, é que começam a apreciá-lo.

Uma outra parte, por sua vez, vive no futuro. Constantemente desejam e esperam somente do futuro e esquecem assim que o presente muito lhes tem a oferecer, esquecem igualmente de agir de tal maneira, que muitos de seus sonhos, referentes ao futuro, possam se tornar realidade.

Ambas as partes, às quais pertence a grande maioria dos seres humanos, na realidade praticamente nem viveram na Terra. Malbaratam seu tempo terreno.

Haverá também pessoas que compreenderão algo completamente errado com a conclamação: “Vivei o presente”; talvez que eu queira incentivar o gozo e a usufruição de cada momento, encorajando para uma determinada vida leviana. Dessas há, pois, tantas, que concordando dessa maneira cambaleiam pela vida de modo insensato.

 

Com essa conclamação eu exijo, sim, um aproveitar total de cada minuto, mas interiormente, e não apenas exteriormente. Cada hora do presente tem de se tornar um verdadeiro vivenciar para o ser humano! Tanto o sofrimento, como a alegria. Deve ele estar aberto e assim alerta para o presente, com todo o seu meditar e pensar, e com intuição. Somente assim terá lucro da existência terrena, lucro esse que aí lhe está previsto. Nem nas reflexões do passado nem nos sonhos referentes ao futuro pode encontrar um verdadeiro vivenciar, tão forte, que imprima um cunho ao seu espírito, e o qual, como lucro, leve consigo para o além.

Se não vivencia, também não poderá amadurecer, pois o amadurecimento depende, exclusivamente, do vivenciar.

Se, pois, não tiver sempre vivenciado em si o presente na existência terrena, voltará vazio e terá de percorrer mais uma vez o tempo assim perdido, porque não esteve aí alerta, não tendo se apropriado de nada através de vivência.

A vida terrena é como um degrau na existência inteira do ser humano, tão grande, que ele não pode saltá-lo. Não colocando, pois, seus pés de modo firme e seguro sobre o degrau, não pode, de modo algum, subir ao seguinte, pois necessita do anterior como base para tanto.

Se a criatura humana imaginar sua existência inteira como voltando desta Terra para a Luz, ascendendo em degraus, terá então que ficar ciente de que só pode alcançar o próximo degrau, se tiver cumprido plenamente o anterior, estando firmemente nele. É de ser expresso até mais fortemente ainda: somente do preenchimento completo e incondicional do respetivo degrau a ser vivenciado, pode desenvolver-se o imediatamente acima. Se uma criatura humana não cumpre, pelo vivenciar, aquele degrau em que se encontra, o que unicamente lhe pode servir para o amadurecimento, então o novo degrau não se lhe tornará visível, por que ela necessita para este da vivência do degrau anterior. Somente com o preparo dessa vivência, recebe a força para reconhecer e escalar o próximo degrau acima.

Assim prossegue de um degrau para o outro. Se quiser olhar somente para o alvo elevado, sem dar a devida atenção a cada degrau que a leva até lá, jamais alcançará esse alvo. Os degraus, que ela própria tem de construir para a escalada, seriam assim demasiadamente precários e também frágeis demais, acabando por ruir na tentativa de escalada.

 

Esse perigo, porém, é prevenido pelo fenómeno natural de que um degrau seguinte só pode se desenvolver sempre pelo total cumprimento do degrau presente. Quem, pois, não quiser permanecer durante a metade de sua existência num degrau, e voltar repetidamente para o mesmo, esse que se obrigue a pertencer sempre inteiramente ao presente, a compreendê-lo acertadamente, vivenciá-lo, para que tenha proveito espiritual disso.

Com isso também não lhe faltará lucro terrenal, pois sua primeira vantagem disso será nada esperar dos seres humanos e da época, senão aquilo que realmente lhe podem dar! Assim nunca se dececionará e permanecerá em harmonia com o ambiente.

Trazendo, porém, em si apenas o passado e os sonhos do futuro, mui facilmente irá além do âmbito de seu presente em suas expetativas, devendo entrar assim em desarmonia com o presente, com o que não somente ele sofre, mas também o seu ambiente mais próximo.

Deve-se, sim, também pensar no passado, a fim de extrair dele ensinamentos, bem como sonhar com o futuro, a fim de receber estímulo, mas viver plenamente consciente deve-se apenas no presente!

 

Abdruschin

                        

Dissertação, “Vivei o presente”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 355) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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