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Sexo

por Círculo do Graal, em 16.08.14

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

Grande parte dos seres humanos terrenos se deixa oprimir sobremaneira pelos pensamentos referentes às relações entre os dois sexos, o masculino e o feminino. Excluídos disso ficam, sim, apenas os levianos, que em geral não se deixam oprimir por nada. Todos os outros, por mais diferentes que sejam, procuram aberta ou silenciosamente dentro de si alguma solução.

Existem, felizmente, muitas pessoas que exatamente a tal propósito anseiam por um orientador certo. Se seguiriam de acordo, fica, aliás, incerto. É facto, contudo, que se ocupam muito com isso e que em grande parte se deixam também oprimir pela certeza consciente de que se encontram diante dessa questão de modo ignorante.

Procurou-se resolvê-la ou fixá-la em problemas matrimoniais, mas não se aproximou ainda com isso de uma ideia fundamental satisfatória, uma vez que aqui, como por toda a parte, o objetivo principal é apenas que o ser humano saiba com o que tem de tratar! Do contrário jamais chegará a uma conclusão. Permanece-lhe a inquietação.

 

Muitos confundem aí, mui frequentemente, já de antemão, o conceito certo da palavra “sexo”. Tomam-na de modo genérico, quando o verdadeiro sentido disso é muito mais profundo.

Se quisermos ter uma imagem certa a tal respeito, não devemos ser tão unilaterais a ponto de comprimi-la em preceitos que somente podem servir a uma ordem social, puramente terrena, e muitas vezes totalmente oposta às leis da Criação. Em assuntos tão sérios é indispensável se aprofundar na Criação, a fim de compreender o pensamento básico.

Denominamos o conceito, feminino e masculino, simplesmente de dois sexos diferentes. A palavra sexo, porém, faz com que a maioria das pessoas erre de modo incisivo desde o início, porque involuntariamente em muitos surgem pensamentos ligados à procriação. E isso é errado. A separação entre feminino e masculino nesse sentido, dentro da grande aceção da Criação, somente tem algo a ver com a mais externa e densa matéria grosseira. No fenómeno principal, não.

 

Que é um sexo? O germe espiritual, em sua saída do reino espiritual, não tem sexo. Também não ocorre uma cisão, conforme é admitido muitas vezes.

No fundo, um germe espiritual permanece sempre individual. Com a conscientização do germe espiritual em sua peregrinação através da Criação posterior, isto é, da cópia automática da Criação propriamente, adquire, como já disse diversas vezes, as formas humanas que conhecemos, de acordo com a gradação de sua conscientização, as quais são cópias das imagens de Deus, dos primordialmente criados.

Decisivo aí, é, pois, o modo de atividade de um germe espiritual, isto é, em que direção tal germe espiritual, durante a conscientização, procura desenvolver de modo predominante as faculdades nele latentes, se de modo positivo, vigorosamente impulsionador, ou de modo negativo, serenamente conservador. Para onde sua vontade principal o impele.

E com a atividade por ele realizada, mesmo que essa atividade no início conste somente dum forte desejar, que se intensifica num forte anseio, molda-se a forma.

 

O positivo constitui a forma masculina, o negativo a forma feminina. Nisso já o masculino e o feminino se mostram reconhecíveis, exteriormente, por sua forma. Ambos são por suas formas a expressão definida da espécie de sua atividade, que escolhem ou desejam. Tais desejos são, na realidade, em sua origem, apenas as expressões da constituição específica dos respetivos germes espirituais, portanto, negativa ou positiva.

Feminino e masculino nada têm a ver, portanto, com o conceito habitual de um sexo, mas mostram apenas o modo de atividade na Criação. Somente na matéria grosseira tão conhecida dos seres humanos se desenvolvem, oriundos da forma, os órgãos de reprodução que compreendemos por masculino e feminino. Somente o corpo de matéria grosseira, isto é, o corpo terreno, necessita desses órgãos para a sua reprodução.

O modo de atividade na Criação molda, pois, a forma do corpo propriamente, a masculina ou a feminina, da qual o corpo terreno de matéria grosseira é, por sua vez, apenas uma reprodução toscamente feita.

 

Com isso colocam-se também as práticas sexuais naquele degrau a que pertencem, isto é, no mais baixo degrau existente na Criação, no de matéria grosseira, que se encontra bem distante do espiritual.

Tanto mais triste é, pois, quando um espírito humano se submete de tal modo ao jugo dessas práticas, pertencentes ao invólucro mais externo, ao ponto de se tornar um escravo disso! E isso infelizmente se tornou hoje tão generalizado, resultando num quadro que mostra como o inavaliável e elevado espiritual, voluntariamente tem de se deixar pisar e prender embaixo, sob a camada da matéria mais grosseira.

É evidente que tal procedimento antinatural tenha que resultar num fim nefasto. Antinatural porque o espiritual, por natureza, é o mais elevado na Criação toda, e só pode reinar harmonia nela, enquanto o espiritual dominar como o supremo, ficando tudo o mais debaixo dele, inclusive na ligação com a matéria grosseira terrena.

 

Não preciso mostrar aqui, especialmente, o triste papel que representa uma pessoa que coloca o seu espírito sob o domínio do manto de matéria mais grosseira. De um manto que só através dele adquire a sua sensibilidade, devendo perdê-la de novo pelo despir; uma ferramenta na mão do espírito, que necessita, sim, de cuidados, a fim de que seja mantida útil, mas que só pode, pois, continuar sempre uma ferramenta dominada.

A forma espiritual, enteal e fino-material do corpo modifica-se tão logo um germe espiritual modifique a sua atividade. Se passa predominantemente do negativo para o positivo, então a forma feminina terá que se transformar em masculina e vice-versa, pois a espécie predominante da atividade molda a forma.

Contudo, o invólucro de matéria grosseira terrena não pode acompanhar assim rapidamente a modificação. Esse não é de tal modo transformável, razão por que destinado também apenas para um prazo bem curto. Aqui aparece então uma modificação nas reencarnações, que na maioria dos casos são numerosas.

Assim acontece que um espírito humano peregrina suas vidas terrenas às vezes alternativamente em corpos masculinos e femininos, de acordo com a sua modificada sintonização interior. Mas então é um estado antinatural provocado pela torção teimosa e violenta.

 

A aceção dos seres humanos de que para cada pessoa exista uma alma complementar, é correta em si, mas não no sentido de uma cisão precedente. A alma dual é apenas aquela adequada a uma outra alma. Quer dizer, uma alma que desenvolveu exatamente aquelas faculdades que a outra alma deixou adormecer em si, disso advém então uma complementação total, resulta num trabalhar em comum de todas as faculdades do espírito, de todas as positivas e de todas as negativas. Mas tais complementações não se dão apenas uma vez, pelo contrário, muitas vezes, de maneira que uma pessoa ao desejar uma complementação não depende acaso, exclusivamente, de uma outra bem determinada pessoa. Dessas poderá encontrar muitas em sua existência terrena, contanto que conserve pura e vigilante a sua faculdade intuitiva.

 

As condições de vida para a felicidade não são, portanto, de modo algum tão difíceis de cumprir, como parece à primeira vista aos semi-conhecedores. A felicidade é muito mais fácil de ser obtida do que tantos imaginam. A humanidade só tem de conhecer, antes de mais nada, as leis que residem na Criação. Se viver de acordo com elas, terá que se tornar feliz! Hoje, porém, ela ainda se acha muito distante disso e, por essa razão, aqueles que se aproximam da Verdade na Criação sentir-se-ão, por enquanto, solitários na maior parte das vezes, o que porém de modo algum infelicita, mas sim traz em si uma grande paz.

 

Abdruschin

                        

Dissertação, “Sexo”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 373) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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