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Ressurreição do corpo terreno de Cristo

por Círculo do Graal, em 26.04.14

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

Perfeito é Deus, o Senhor! Perfeita a Sua Vontade, que está Nele e Dele emana para gerar e conservar a obra da criação. Perfeitas são, por isso, também as leis que em Sua Vontade perpassam a Criação.

Perfeição, no entanto, exclui de antemão qualquer desvio.

É esta a base que justifica incondicionalmente a dúvida a propósito de tantas afirmações! Várias doutrinas se contradizem, porque ao mesmo tempo que ensinam acertadamente a perfeição de Deus, estabelecem asserções absolutamente opostas, exigindo que se creia em coisas que excluem a perfeição de Deus e de Sua Vontade, que se encontra nas leis da criação.

 

Com isso disseminou-se em muitas doutrinas o germe da doença. Verme corroedor que um dia deverá fazer desmoronar toda a estrutura. Tal desmoronamento será tanto mais inevitável, onde tais contradições se tornarem as colunas mestras, não apenas pondo em dúvida a perfeição de Deus, mas até mesmo negando-a diretamente! Essa negação da perfeição de Deus faz até parte das exigências de credos dogmáticos, as quais só então possibilitam a entrada nas comunidades.

Temos aí a questão sobre a ressurreição da carne com referência à ressurreição do corpo terreno do Filho de Deus, que a maioria das pessoas aceita impensadamente, sem deixar entrever a mínima compreensão. Outros, por sua vez, apropriam-se de tal asserção com uma ignorância totalmente consciente, por não disporem do preceptor que pudesse dar uma explanação correta sobre isso.

 

Que quadro triste se oferece aí ao observador sereno e sincero. Quão lastimáveis se apresentam diante dele tais pessoas, as quais muitas vezes ainda se consideram orgulhosamente como partidárias fervorosas de sua religião, como fiéis ortodoxos, quando demonstram o fervor ao olhar precipitadamente com ignorante desdém para quantos pensam de modo diverso, sem pensar que exatamente isso tem de ser considerado como sinal infalível de absoluta incompreensão.

Quem, sem perguntar, aceita e confessa como convicção própria assuntos importantes, mostra com isso ilimitada indiferença, mas nenhuma verdadeira fé.

Nessa situação se encontra um tal ser humano diante Daquele que ele costuma chamar de Altíssimo e de Santíssimo, o que deveria significar para ele o conteúdo e o apoio para toda a existência.

Com isso ele não é um elo vivo de sua religião, a quem possa advir ascensão e libertação, mas um metal ressoante, apenas um chocalho vazio e tininte, alguém que não compreende as leis de seu Criador e nem se empenha por reconhece-las.

Para todos que assim agem, isso significa uma parada e um retrocesso no caminho que deve conduzi-los para fins de evolução e benefício através da matéria, rumo à Luz da Verdade.

 

Também a conceção errada da ressurreição da carne é, como qualquer outra conceituação errónea, um estorvo gerado artificialmente, que eles levam consigo para o Além, diante do qual têm que ficar parados, não podendo prosseguir, porque não podem libertar-se disso sozinhos, pois a crença errada pende firmemente neles, atando-os de tal modo, que qualquer livre visão para a Verdade luminosa lhes é cortada.

Não ousam pensar diferentemente, e por isso não podem progredir. Com isso advém o perigo de que as almas, que se mantém assim atadas por si próprias, percam ainda o último prazo de se libertarem, não ascendendo à Luz em tempo, pelo que terão de resvalar para a decomposição, encontrando como meta final a condenação eterna.

 

Condenação eterna é estar permanentemente desligado da Luz. É ficar separado dela, por si próprio e para sempre, pela natureza do fenómeno lógico de não poder voltar à Luz como personalidade plenamente consciente e desenvolvida. Essa circunstância decorre do arrastamento à decomposição, que pulveriza e dissolve junto com o corpo de matéria fina também tudo o que houver sido conquistado espiritualmente de pessoal-consciente. (*) É então a chamada “morte espiritual”, da qual não pode mais haver nenhuma ascensão à Luz para o “Eu” consciente que até aí se havia desenvolvido, ao passo que este, numa ascensão, não somente permanece, mas continua evoluindo até à perfeição espiritual.

A pessoa que passa para o Além com uma crença errada ou irrefletidamente aceita como sendo própria, permanece impedida até se tornar livre e viva em si mesma mediante outra convicção, rompendo assim o obstáculo que devido à sua própria crença a impede de tomar o caminho certo e verdadeiro, e de ali prosseguir.

[…]

O cumprimento incondicional das leis da Vontade Divina ou da natureza verificou-se também no ressuscitar de Lázaro, bem como no do moço de Naim. Estes puderam ser ressuscitados porque o cordão de ligação com a alma ainda subsistia. Ante o chamado do mestre pôde a alma se tornar novamente una com o corpo. E este ficou então obrigado, devido às leis da natureza, a permanecer no mundo da matéria grosseira, até que ocorresse um novo desenlace entre o corpo de matéria grosseira e o de matéria fina, possibilitando a este último ingressar no Além de matéria fina, isto é, seguindo-se uma nova morte grosso-material.

A passagem do corpo de matéria grosseira para um outro mundo é porém coisa impossível. Se o espírito de Cristo houvesse reingressado no corpo de matéria grosseira ou se nem o tivesse abandonado, teria sido obrigado a permanecer na matéria grosseira, até que sobreviesse uma nova morte, não diferentemente.

Uma ressurreição em carne para um outro mundo é inteiramente impossível para os seres humanos, assim como também para Cristo naquele tempo!

 

O corpo terreno do Salvador seguiu o mesmo caminho que tem de seguir qualquer outro corpo de matéria grosseira, segundo as leis naturais do Criador.

Por conseguinte, Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, não ressuscitou carnalmente!

E todavia, não obstante toda a lógica e a muito maior veneração a Deus justamente aí contida, ainda haverá muitos que na cegueira e na indolência de sua crença errada não quererão seguir os caminhos tão simples da Verdade. Certamente também muitos que não poderão seguir devido à própria restrição. Outros, por sua vez, que tentarão lutar raivosamente contra isso com intenção plena, pelo receio bem fundado de que toda a sua estrutura de crença cómoda soerguida com esforço terá que ruir.

 

De nada lhes pode adiantar se, como base, se apoiarem em tradições verbais, pois os discípulos, também eram seres humanos. É, pois, puramente humano, se naquele tempo os discípulos, fortemente abalados por causa de todo aquele horrível acontecimento, tenham, ao se recordarem, entretecido vários de seus próprios pensamentos em suas narrações, transmitindo muita coisa diferentemente do que na realidade havia ocorrido, devido à visão precedente de milagres a eles próprios ainda inexplicáveis.

Assim como na errónea fusão do Filho de Deus e do Filho do Homem, seus escritos e narrativas muitas vezes basearam-se em demasia nas próprias pressuposições humanas, as quais estabeleceram para mais tarde a base de muitos erros.

Mesmo que tivessem a seu lado, como auxílio, a mais forte inspiração espiritual, apesar disso interferem intensamente na retransmissão opiniões preconcebidas, turvando muitas vezes a mais bem-intencionada e a mais clara imagem.

O próprio Jesus, no entanto, não deixou quaisquer escritos nos quais, unicamente, seria possível basear-se de modo incondicional e categórico.

Nunca teria dito ou escrito algo que não concordasse com as leis de seu Pai, as leis Divinas da natureza ou a Vontade Criadora de modo pleno e integral. Ele próprio disse, pois, expressamente:

“Vim para cumprir as Leis de Deus!”

 

As leis de Deus, porém, repousam nítidas na natureza, a qual, aliás, estende-se para mais longe do que somente à matéria grosseira, permanecendo, no entanto, “natural” por toda a parte, bem como no mundo da matéria fina, no enteal e no espiritual. Uma pessoa que reflete, certamente conseguirá encontrar nessas significativas palavras do Salvador algo que mostre um caminho para quantos perscrutam com seriedade e que ultrapasse os confusos dogmas religiosos!

Além disso, porém, cada pessoa pode achar sobre isso pontos de apoio na Bíblia, pois Jesus apareceu a muitos. Mas o que aconteceu? A princípio, Maria não o reconheceu, Madalena não o reconheceu de imediato, os dois discípulos no caminho de Emaús não o reconheceram durante horas, não obstante andasse com eles e lhes falasse… que se deve concluir disso? Que devia ser um outro corpo o que eles viram, do contrário todos o teriam reconhecido imediatamente! Pois que continue surdo quem não quiser ouvir, e cego quem é demasiadamente indolente para abrir seus olhos!

 

O conceito geral “ressurreição da carne” encontra sua justificativa nos nascimentos terrenos,que não cessarão enquanto houver criaturas humanas terrenas. É uma grande promessa a da concessão de repetidas vidas terrenas, de renovadas encarnações com o objetivo de um progresso mais rápido e indispensável resgate de efeitos recíprocos de espécies inferiores, equivalendo a um perdão dos pecados. Uma prova do incomensurável Amor do Criador, cuja graça se encontra no facto de que para as almas desencarnadas, que malbarataram total ou parcialmente seu tempo terreno e por isso chegaram no Além imaturas para uma escalada, é dada mais uma vez oportunidade de se envolverem com um novo corpo de matéria grosseira ou manto, pelo que sua carne deixada festeja uma ressurreição na nova carne. Com isso a alma desencarnada vivencia uma nova ressurreição na carne!

Que bênção se encontra nessa realização continuamente repetida de uma tão sublime graça, o espírito humano, que não consegue abranger tudo com a vista, somente mais tarde poderá compreender!

 

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação, “Ressurreição do corpo terreno de Cristo”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 273) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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