Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Pedi e dar-se-vos-á!

por Círculo do Graal, em 13.06.15

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h - 10.00 h, TMG - Lisboa)

 

O ser humano ainda permanece em dúvida sobre a forma da oração. Quer fazer o certo e não negligenciar nada. Cisma honestíssima vontade, e não encontra nenhuma solução que lhe dê a certeza de que não está seguindo caminhos errados.

Mas o cismar não conduz a nada, apenas mostra que ele sempre procura aproximar-se de Deus através de seu raciocínio, e isso nunca conseguirá, pois assim sempre ficará distante do Altíssimo.

Quem assimilou direito a minha Mensagem encontra-se a par de que as palavras têm limites demasiadamente restritos para, na espécie delas, poderem elevar-se às alturas luminosas. Somente os sentimentos intuitivos, que as palavras encerram, sobem mais para cima, além dos limites das palavras formadas, e isso conforme sua força e sua pureza.

 

As palavras valem, em parte, apenas como indicadoras de caminho, que mostram a direção que devem tomar as irradiações da intuição. A outra parte das palavras desencadeia a espécie das irradiações na própria pessoa, que usa as palavras formadas como apoio e invólucro. A palavra pensada durante a prece vibra no ser humano retroativamente, quando ele a experimenta ou se esforça em torna-la viva dentro de si.

Com essa explicação já vedes diante de vós duas espécies de orações. Uma espécie que surge da intuição, sem reflexão, no próprio vivenciar, que é, portanto, o intenso sentimento intuitivo de um dado momento, e que ao nascer ainda se forma em palavras; e então a outra espécie que, raciocinando, molda antes as palavras, e procura, através das palavras atuando retroativamente, produzir os respetivos sentimentos intuitivos, que, portanto, quer preencher com sentimentos intuitivos as palavras já formadas.

 

Não precisa ser dito qual a espécie dessas orações é a mais vigorosa, pois sabeis perfeitamente que o mais natural é também sempre o mais certo. Nesses casos, portanto, aquela oração que surge do brotar de um repentino sentimento intuitivo, e só então procura condensar-se em palavras.

Suponde que vos atinge inesperadamente um pesado golpe do destino, que vos faz estremecer até o vosso âmago mais profundo. O medo vos constringe o coração por causa de algo amado. No vosso desespero surge então um grito de socorro em vós, com tamanha força, que abala todo o corpo.

Nisso vedes a força da intuição, que é capaz de subir até as alturas luminosas, se… essa intuição contiver pureza humilde, pois sem ela já é interposto no caminho para qualquer escalada um bem determinado obstáculo, por mais forte e poderosa que seja a intuição. Sem humildade isso é completamente impossível, a intuição jamais conseguiria atingir a pureza, que rodeia em imenso arco tudo quanto é Divino.

 

Uma intuição assim forte será também sempre acompanhada somente de um balbuciar de palavras, porque a sua força nem admite que se deixe comprimir em palavras estreitas. A força flui para muito além dos limites de todas as palavras, pondo abaixo impetuosamente todas as barreiras que as palavras querem erigir com a limitadíssima atividade do cérebro terreno.

Qualquer um de vós já deve ter experimentado isso dessa forma em sua existência. Podeis, portanto, compreender o que quero dizer. E esse é o sentimento intuitivo que deveis ter durante a oração, se tendes a esperança de que ela seja capaz de subir até os páramos de Luz límpida, de onde vêm todas as concessões para vós.

 

Qualquer um de vós já deve ter experimentado isso dessa forma em sua existência. Podeis, portanto, compreender o que quero dizer. E esse é o sentimento intuitivo que deveis ter durante a oração, se tendes a esperança de que ela seja capaz de subir até os páramos de Luz límpida, de onde vêm todas as concessões para vós.

Contudo, não é somente nos medos que deveis dirigir-vos às alturas, mas também a alegria pura pode brotar com igual força em vós, bem como a felicidade, o agradecimento! E essa espécie cheia de alegria se projeta ainda mais depressa para cima, porque permanece mais límpida. O medo turva mui facilmente a pureza de vossa intuição e forma uma espécie errada. Com demasiada frequência encontra-se ligada a isso uma reprovação silenciosa de que tenha de acontecer justamente a vós, aquilo que tão pesadamente atingiu vossa alma; ou até rancor, e isso naturalmente não é o certo. Tem de reter embaixo vossos clamores.

[…]

A oração e o pedido devem significar duas coisas para vós, pois a oração pertence à adoração, ao passo que o pedido não pode pertencer a ela, se é que quereis realmente orientar-vos de acordo com o sentido.

E é necessário que desde já vos orienteis de acordo com isso e não mistureis tudo.

Dai-vos na oração! Eis o que vos quero bradar e na própria palavra tendes a explicação. Dai-vos ao Senhor em vossa oração, dai-vos a Ele inteiramente e sem reservas! Para vós a oração deve ser um abrir de vosso espírito aos pés de Deus, em veneração, louvor e agradecimento por tudo quanto Ele vos concede em Seu grande Amor.

É tão imenso e inesgotável. Só que até agora ainda não compreendestes, perdestes o caminho que vos é permitido usufruir com plena consciência de todas as faculdades do vosso espírito!

 

Só depois que tiverdes encontrado esse caminho, através do reconhecimento de todos os valores de minha Mensagem, então não vos restará mais nenhum pedido. Tereis somente louvor e gratidão, logo que dirigirdes as mãos e o olhar para cima, para o Altíssimo, que se revela a vós no Amor. Encontrar-vos-eis, então, constantemente em oração, segundo o Senhor espera de vós, pois podeis tomar da Criação o que necessitais. A mesa, pois, está posta dentro dela constantemente.

E pelas faculdades de vosso espírito vos é permitido escolher dela. A mesa vos oferece sempre tudo de que necessitais, e não tendes necessidade de pedidos, à medida que vos esforceis de maneira certa para movimentar-vos nas leis de Deus!

 

Tudo isso já foi dito nas palavras bem conhecidas de vós:

“Procurai, e achareis! Pedi, e dar-se-vos-á! Batei, e abrir-se-vos-á!”

Essas palavras ensinam-vos a atividade necessária do espírito humano na Criação; antes de tudo, também o emprego acertado de suas faculdades. Mostram-lhe exatamente de que maneira deve adaptar-se à Criação, e também o caminho que o faz progredir dentro dela.

Essas palavras não devem ser avaliadas somente de maneira cotidiana, porém seu sentido é mais profundo, ele abrange a existência do espírito humano na Criação, segundo a lei do movimento necessário.

O “Pedi e dar-se-vos-á!” indica bem claramente a faculdade do espírito que já mencionei na minha dissertação “O circular das irradiações”, que o induz sempre, sob um determinado e inevitável impulso, a querer ou a desejar algo, que depois em sua irradiação atrai imediatamente a igual espécie, na qual lhe é dado automaticamente o desejado.

 

O impulso de desejar, porém, deve permanecer sempre um pedido, não deve constituir-se numa exigência unilateral, conforme infelizmente todo o ser humano atual se habituou a fazer. Pois se permanece como pedido, então se encontra ancorado concomitantemente a humildade e por isso encerrará sempre o bem e também acarretará o bem.

Jesus demonstrou claramente com essas palavras como o ser humano deve agir, a fim de conduzir para o rumo certo todas as faculdades autónomas do seu espírito!

Assim é com todas as suas palavras. Infelizmente, porém, elas foram imprensadas no círculo estreito do raciocínio terreno dos seres humanos e, com isso, muito torcidas; por tal motivo nunca mais foram compreendidas nem interpretadas direito.

Que isso não se refere às relações com os seres humanos será facilmente compreensível para cada um, pois a sintonização dos seres humanos nunca foi, nem naquele tempo nem hoje, de maneira a se poder esperar deles o cumprimento de tais indicações.

 

Ide aos seres humano e pedi, e nada vos será dado. Batei, e não vos abrirão. Procurai entre os seres humanos e suas obras, e não encontrareis aquilo que procurais!

Jesus também não se referia à posição do ser humano para com Deus pessoalmente, omitindo todos os mundos imensos intercalados, os quais não podem ser postos de lado como se nem sequer existissem. Com isso também não se referia só à Palavra Viva, mas sim Jesus falou sempre partindo da sabedoria primordial e nunca a imprensou no mesquinho pensar ou nas situações terrenas. Quando falava, ele vi ante si o ser humano dentro da Criação e escolhia suas palavras abrangendo tudo.

 

Dessa omissão, de pensar nisso, padecem todas as reproduções, traduções e interpretações. Estas foram sempre apenas misturadas e executadas com o pensar humano mesquinho e terrenal, ficando assim torcidas e deformadas. E lá, onde faltou a compreensão, foi acrescida coisa própria, que nunca pôde preencher a finalidade, mesmo quando movida por boa intenção.

O que é humano sempre permaneceu mesquinhamente humano, ao passo que o Divino sempre abrange tudo! Por isso o vinho foi muito misturado com água e acabou surgindo coisa muito diversa do que foi originalmente. Nunca deveis esquecer isso.

 

Também com o “Pai Nosso” Jesus procurou apenas através dos pedidos nele mencionados dirigir o querer do espírito humano, da forma mais simples, naquele rumo que faz com que esse espírito humano deseje apenas o favorável para sua ascensão, a fim de que isso lhe fosse proporcionado pela Criação.

Não existe nisso nenhuma contradição, mas sim foi o melhor indicador de caminho, o apoio infalível para cada espírito humano naquela época.

O ser humano de hoje, porém, precisa de todo o seu vocabulário, que ele criou nesse ínterim, bem como a aplicação de cada conceito daí surgido, se deva abrir-se um caminho para ele na confusão dos sofismas do seu raciocínio.

Aprender isso é, portanto, agora, vosso dever, pois vos tornastes mais sabedores da Criação! Enquanto no saber não cumprirdes os deveres que as faculdades de vosso espírito impõem para o desenvolvimento, também não tereis nenhum direito de pedir!

 

Mediante o fiel cumprimento dos deveres na Criação, porém, recebereis reciprocamente tudo, e não haverá mais razão para nenhum pedido, mas de vossa alma desprender-se-á então apenas o agradecimento para Aquele que, na Onisciência e Amor, vos presenteia ricamente dia após dia!

Ó seres humanos, se vós pudésseis finalmente orar direito! Orar realmente! Quão rica seria então a vossa existência, pois na oração está a maior felicidade que podeis obter. A oração vos impele ilimitadamente para cima, de modo que a sensação de felicidade vos perflui bem-aventuradamente. Que possais orar, seres humanos! Isso é o que desejo agora para vós.

 

E então não perguntareis mais, em vosso pensar restrito, a quem deveis e a quem vos é permitido orar. Só existe Um, a quem vos é permitido consagrar vossas orações, somente Um: DEUS!

Em momentos solenes aproximai-vos Dele com sagrados sentimentos intuitivos e derramai perante Ele tudo aquilo quanto o vosso espírito possa conseguir em agradecimento! Dirigi-vos somente a Ele na oração, pois só a Ele cabe o agradecimento e só a Ele tu pertences, ó ser humano, pois através de Seu grande Amor é que também pudeste surgir!

 

Abdruschin

 

Excerto da dissertação, “Pedi, e dar-se-vos-á!”, da obra “Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal”, volume III.

 

Leia a dissertação (36) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

Autoria e outros dados (tags, etc)



Mais sobre mim

foto do autor



Mensagens

Calendário

Junho 2015

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930





Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2012
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2011
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2010
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Favoritos