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Os planos espírito-primordiais II

por Círculo do Graal, em 07.11.15

 

Parsival! Quão conhecida é esta palavra, como tal, entre os seres humanos terrenos, dos quais, todavia, ninguém possui a menor ideia quanto à sua realidade.

Um poema, uma lenda! Com isso acertam, se se referirem àquilo que hoje sabem a respeito dessa palavra, pois na realidade outra coisa não é senão uma lenda, que se tornou poema, e que ainda se conservou como fragmento de um saber anterior.

Conforme eu já disse a tal respeito, trata-se sempre apenas de pequenos fragmentos vindos de planos espirituais até à matéria grosseira desta Terra, há longos, longos tempos.

Os poetas das hoje conhecidas lendas do Graal não são, de maneira nenhuma, os primeiros que se ocuparam com isso e que, no aprofundamento de seus trabalhos, mais uma vez puderam pressentir alguns vislumbres de Luz.

Longe, bem longe, jaz o tempo em que as primeiras indicações sobre o Supremo Templo da Luz e seus habitantes desceram dos planos espirituais até à Terra e com elas a notícia do Santo Graal.

 

Com respeitoso assombro e infantil confiança foi recebida outrora pelos habitantes da Terra, que ainda atuavam em comum com os enteais, sem perturbação, e que de bom grado se deixavam aconselhar por estes. Sem saber, os seres humanos ajudavam por sua vez os enteais com as irradiações de suas centelhas espirituais, e assim cada vez mais desabrochava a Criação na matéria grosseira, em conjunto com as centelhas espirituais, as quais prometiam florescer maravilhosamente.

Outrora, muito antes das grandes transformações da Terra, hoje conhecidas, antes ainda dos seres humanos fazerem do raciocínio o seu ídolo e chegarem assim ao abandono da Luz e à queda, havia uma ligação estabelecida com o Supremo Templo luminoso, pois os raios podiam fluir livremente até à Terra e nesses raios seres humanos terrenos podiam pressentir Parsival.

Depois, porém, partindo dos seres humanos, estabeleceu-se o domínio do ídolo raciocínio, e com isso foi cortada a ligação com o Supremo Templo da Luz, o que acarretou como consequência automática a ignorância a respeito disso, a impossibilidade de pressentir espiritualmente através da intuição.

 

Por fim secou também a capacidade de recetividade com relação aos enteais, e toda a vivência natural no saber a respeito dos auxiliares enteais caiu no reino das fábulas, de forma que o desenvolvimento, que até então se realizava em linha reta para cima, inesperadamente foi rompido.

Se os seres humanos tivessem permanecido assim, como eram no tempo por mim aludido, em que a primeira notícia sobre o Supremo Templo luminoso e sobre Parsival já tinham vindo à Terra, seriam hoje de facto, em contínua escalada, senhores de toda a matéria grosseira, no melhor sentido construtivo. Também nenhum ser humano teria de ser aniquilado pelas transformações que tiveram de ocorrer de tempos em tempos com o desenvolvimento amadurecedor.

As grandes catástrofes sempre foram uma necessidade do desenvolvimento, mas não o extermínio de tantos povos, que até agora quase sempre ficou ligado a elas.

 

Se os seres humanos não tivessem, leviana e criminosamente, abandonado a ligação com os auxiliares enteais e as alturas luminosas, seriam sempre avisados a tempo, antes de cada calamidade, e guiados para longe das regiões em perigo, a fim de escapar ao extermínio! Pois assim também acontecia outrora, quando os seres humanos se deixavam guiar obedientemente pelos auxiliares que o Criador lhes outorgou do mundo enteal e espiritual, com cujos mundos procuravam, alegremente agradecidos, manter ligação.

Mais tarde, porém, privaram-se desses inestimáveis auxílios, devido à presunçosa e pretendida esperteza do raciocínio, e forçaram com isso, várias vezes, seu doloroso extermínio, como também agora o forçam novamente, visto não quererem mais ouvir os últimos chamados provenientes da Luz, julgando saber tudo ainda melhor, como tantas vezes!

 

A miséria, o desespero e o extermínio são sempre o efeito recíproco, consentâneo com as leis da Criação, de uma atuação errada, não sendo isso finalmente tão difícil de compreender, bastando que se queira! Nisso repousa uma lógica tão simples e clara, que mais tarde mal podereis compreender como foi possível não perceber semelhante coisa e não atentar nisso rigorosamente, a fim de não somente poupar a si próprio todos os sofrimentos, como até transformá-los em alegrias.

Vós próprios vedes hoje bem nitidamente que nenhum ser humano pode realmente opor-se a isso. Nenhum povo e nem mesmo a vontade unida de toda a humanidade conseguiria semelhante coisa, pois tudo na Criação permanece somente criatura dependente perante a Vontade de Deus! Jamais será diferente.

Assim tratou-se sempre somente da ação errada de submissão ao raciocínio atado e enleador, a cujas consequências naturais já tantas pessoas isoladamente e povos inteiros tiveram de sucumbir, porque se mantiveram fechados a toda e qualquer possibilidade de uma salvação através de condução superior.

 

Podeis reconhecer nisso, facilmente, a grande simplicidade da atuação das leis Divinas, e ver também o que os seres humanos perderam com isso.

Dei-vos hoje com isso, de passagem, uma visão daquele grande atuar da Criação, assunto que já fez a criatura humana quebrar tanto a cabeça, para que vós, através da Mensagem, possais ver que toda a infelicidade, toda a angústia e todo o sofrimento o ser humano somente tem de atribuir a si mesmo, e muita coisa poderia ter evitado, se não tivesse enveredado teimosamente por caminhos errados.

Através da Mensagem podeis reconhecer claramente e fundamentar cada acontecimento que ocorre na Criação. Sabeis os efeitos imutáveis das leis da Criação, que vos descrevi, conheceis sua simplicidade e sua grandeza, facilmente distinguíveis.

Cada vez mais constatareis que eu, com a Mensagem, vos dei a chave para o correto esclarecimento de cada processo e por conseguinte de toda a Criação!

Deixai vosso zelo e vossa incansável vigilância descobrir isso com o tempo, e então tereis o caminho para a vida eterna, precisando apenas seguir por ele, a fim de alcançá-la.

 

Os seres humanos, pois, já tinham recebido em tempos remotos a primeira e certa notícia sobre Parsival. O saber disso propalou-se entre eles de boca em boca, de pai para filho.

Contudo, no retrocesso da pureza da ligação com o atuar da Criação, obscureceu-se também pouco a pouco a transmissão do saber original; foi alterado impercetivelmente pelo raciocínio crescente, e finalmente atrofiado, restando somente como lenda, que não tinha mais nenhuma semelhança com o saber de outrora.

Seres humanos que se esforçavam por ideais nobres ocupavam-se sempre de novo com esses fragmentos de lendas e procuravam, aqui na Terra, criar algo de matéria grosseira daquilo, porque julgavam que a origem dessas tradições deveria se encontrar num modelo terreno de épocas remotas.

Isso eles queriam renovar e tentaram fazê-lo frequentemente em grandes intervalos de tempo. Disso decorre que também hoje novamente alguns pesquisadores pensam encontrar uma origem numa das pesquisas terrenas de séculos passados, sem contudo acertarem.

O ser humano não se livra da confusão, por mais que se esforce, pois lhe falta a conexão com o facto real, que lhe quero dar de novo, a fim de extirpar tudo o que está errado.

 

Parsival! Impossível separá-lo de Imanuel, pois Imanuel está nele e atua através de Parsival. Pode-se dizer também que Parsival é um dos invólucros de Imanuel formado pela Rainha primordial Elisabeth, através do qual Imanuel atua no ápice da Criação, que só pôde surgir através dele e que do contrário não existiria, nem poderia existir, pois Imanuel em Parsival é a origem e o ponto de partida da Criação.

Ele é a Vontade criadora de Deus, e Deus está com ele e nele. Que algo tão grandioso pudesse ser rebaixado até aquela figura, que a humanidade terrena imagina hoje como sendo Parsival, só é possível junto a essa humanidade terrena, que comprime tudo no pó através de seu raciocínio, já que ele próprio nasceu do pó.

Tudo o que essa humanidade, com seu raciocínio, procura compreender, comprime dessa forma também, em processo natural, no pó, rebaixando-o, portanto, ao domínio da capacidade de compreensão terrena. Com isso, tudo fica também colocado no estreito limite da matéria grosseira; o sublime é envolvido na densidade e na gravidade de uma lenta movimentação, na região de extremo esfriamento, não podendo ter, mui evidentemente, nenhuma semelhança com a realidade daquilo que foi tão rebaixado, realidade essa totalmente diferente e que se processa em tais alturas, que o espírito humano não é capaz de compreender e muito menos o raciocínio preso à Terra.

 

Com a expressão “arrastar no pó” não se quer dizer aqui comprimir na imundície, mas sim, exclusivamente, uma terrenalização!

A expressão pó e nascido do pó devem ser tomadas como conceitos de matéria grosseira, o que para tantas pessoas talvez se torne ainda mais compreensível, por ser muito empregada pela boca do povo.

Portanto, este é Parsival! O primeiro na Criação! Traz em si um núcleo inenteal de Deus, acha-se ligado com Imanuel e assim também permanecerá por toda a eternidade, pois Imanuel atua através dele e assim rege as Criações. Devido a isso, Parsival é o Rei dos Reis, o Filho da Luz, também chamado o Príncipe da Luz!

Agora, colocai a seu lado a figura apresentada pelos poemas! Que caricatura impossível vedes diante de vós! Mas pode-se compreender como tudo isso surgiu, se se puder ter uma visão do todo e dividi-lo em três grandes divisões.

Deixai, porém, que cada uma das três divisões se torne imagem viva, cada uma por si, diante de vosso espírito. Somente assim podereis ter uma visão geral do todo e compreender aquilo que procuro vos tornar claro dessa forma.

 

A primeira coisa fundamental para a compreensão é:

Imaginar Parsival como Filho da Luz, que chega à Criação vindo de cima, e não, acaso, que é elevado de baixo para cima, imaginá-lo como o começo e o fim da Criação, o alfa e o ómega de todo o tecer fora do Divino, e assim o Rei do Santo Graal, o Rei da Criação!

A segunda:

A grande obra de purificação de Parsival, que o conduz pessoalmente através dos Universos, seu reconhecimento de todos os males, condicionado irrestritamente através do próprio vivenciar, e que tinha de finalizar com a algemação de Lúcifer, para proteção das Criações e de todas as criaturas que restarem depois da purificação.

A terceira:

A queda e o grande falhar dos desenvolvidos, isto é, dos espíritos humanos na matéria, o que torna necessária a destruição de sua falsa vontade própria e imediata instituição da Vontade de Deus na estruturação do Reino do Milénio, até se dar o enquadramento espontâneo da vontade de toda a humanidade na Vontade de Deus e assim ser assegurado, integralmente, o imperturbável desenvolvimento progressivo das Criações, no vibrar transpassado de Luz dos círculos de movimento.

 

Quem compreender direito as três divisões isoladamente e pelo menos for capaz de imaginar isso claramente como um quadro, este pode entender muito bem como os falsos poemas de hoje se foram formando pouco a pouco. Notícias parciais dos três acontecimentos desceram aqui e acolá até à Terra, prenunciando muita coisa a tal respeito.

Na incompreensão, tudo foi comprimido pelos seres humanos nos conceitos grosseiros da mais densa matéria, transposto para a Terra e assim transformado numa mistura, de onde saíram os últimos poemas.

Tendes de seguir exatamente as minhas palavras, também tendes de cumpri-las e fazer imagens vivas das três divisões, como acontecimentos colossais isolados, dos quais apenas notícias parciais puderam chegar à Terra, através dos canais abertos para isso, os quais estão demasiadamente entupidos, deixando, de mais a mais, apenas passar coisas turvas, aquilo que já está misturado com os pensamentos próprios dos seres humanos, os quais se depositaram nesses canais como lodo.

Já desde milénios que nada mais pode chegar até à Terra de maneira clara e pura.

 

Refiro-me agora, em tudo, somente a processos dentro da Criação, que resultaram forçosamente do desenvolvimento da vontade errada de criaturas que falharam, e prossigo em meus esclarecimentos por enquanto só nesse caminho! Tudo o mais deixo ainda de lado. Aqui, portanto, não se acha incluída a pretendida obra de salvação do Filho de Deus, Jesus, com relação aos seres humanos terrenos, pois isso foi uma obra de Amor à parte.

Tendes de seguir-me rigorosamente, do contrário não podereis compreender. Talvez seja muito bom, se, por essa razão, eu também vos esclareça como é o processo, quando falo para vós:

Eu vejo o acontecimento inteiro diante de mim, pois abranjo-o com a vista em sua atuação completa, até as mais finas ramificações. Vejo tudo simultaneamente com o saber.

Procuro agora, com aquilo que quero esclarecer, abrir uma estrada reta, na qual possais compreender as coisas principais de tal maneira, que recebais uma imagem fundamental daquilo que deveis assimilar na dissertação. Todavia, tenho de comprimir primeiramente tudo isso em formas tão estreitas, que se coadunem com a capacidade de compreensão do espírito humano desenvolvido. Conseguindo isso, ainda tenho de procurar as palavras adequadas e as formas de expressão, que façam surgir em vós aquela imagem que quero dar.

 

Tudo isso, porém, não acontece em sequência, e sim simultaneamente em mim, e então vos apresento, numa forma acessível, os acontecimentos que para vós são inconcebíveis e ilimitados, nos quais o passado e o futuro se realizam n presente, processo cuja espécie o espírito humano nem é capaz de imaginar!

Gota a gota recebereis assim daquilo que para vós é inconcebível, porém de tal forma, que essas gotas, juntas, resultem numa bebida proveitosa e fortificante, que vos fortalece no saber, ajudando-vos para cima, se é que queirais receber esse fortalecimento como alimento em vosso caminho.

Muita coisa frequentemente ainda tenho de deixar de lado, a fim de colocar bem mais tarde em outros lugares, porém sempre de tal maneira, que complete aquele quadro ao qual pertence realmente, pois demasiadamente ramificado, demasiadamente vivo e móvel para o espírito humano terreno é todo o tecer da Criação acima dele, para que possa compreender algo, mesmo em imagens, a não ser que receba em descrições especiais, tornadas acessíveis para ele.

 

Dai a vós mesmos a décima parte daquele esforço que eu tenho de dar a mim mesmo, só para vos tornar isso acessível, e tereis alcançado dessa maneira tudo para vós!

Mais tarde talvez ainda descreva como é no Supremo Templo da Luz, e a seguir ilumine os planos que puderam desenvolver-se mais afastados, até por fim descer ao lugar onde os germes dos espíritos humanos permanecem como último sedimento do espiritual, a fim de, em peregrinação através de todas as matérias, alcançarem o desenvolvimento, cujo impulso e anseio para a realização todos trazem em si.

Primeiro apresento quadros de como as coisas são, e mais tarde, talvez, como surgiram outrora, pois o fenómeno é grande demais. Primeiro deveis saber como é, pois precisais disso, já que tendes de contar sempre com o presente e com o futuro que daí resulta. Se vos mantiverdes firmes nisso, então poderemos seguir adiante no saber.

Por hoje aprendei a reconhecer as três divisões básicas que estão ligadas ao nome de Parsival.

 

Abdruschin

 

Dissertação “Os planos espírito-primordiais II” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume III.

 

 

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