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Os pequenos enteais

por Círculo do Graal, em 28.03.15

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

 

Prossigo com as minhas explanações sobre o enteal e sua atuação na Criação. Necessário é que eu aí dê primeiro uma pequena perspetiva sobre o ambiente mais próximo dos seres humanos terrenos, que é mais fácil para a compreensão terrena antes que, partindo de cima para baixo, eu deixe tornar vivo diante de vossos olhos o grande quadro de todos os acontecimentos.

Por isso tomemos, inicialmente, aqueles enteais que se ocupam com a matéria grosseira. Eles, em si, compõem-se de muitos setores específicos, formados pela espécie de sua atividade. Existem, por exemplo, setores que agem completamente independentes dos espíritos humanos e que, somente guiados do alto, se ocupam com o permanente desenvolvimento de novos corpos celestes. Favorecem sua manutenção, bem como seu curso, e também sua desintegração, onde se tornar necessária na supermaturação, a fim de, segundo as leis primordiais da Criação, poderem surgir em nova forma, e assim por diante. Mas esses não são aqueles setores dos quais hoje nos queremos ocupar.

 

São os pequenos para os quais nos queremos voltar. Já ouvistes falar muitas vezes dos elfos, das ondinas, dos gnomos e das salamandras, que se ocupam aqui com a matéria grosseira da Terra visível a vós, bem como da mesma maneira em todos os outros corpos celestes de matéria grosseira. São os mais densos de todos e por isso também mais fáceis de serem vistos por vós.

Sabeis deles, porém ainda ignorais a sua real ocupação. Acreditais, pelo menos, já saber com que eles se ocupam; falta-vos, porém, qualquer conhecimento a propósito da maneira pela qual sua atuação ocorre, e como esta se realiza sempre de acordo com as leis da Criação.

Aliás, tudo isso a que já designais de saber, não é um reconhecimento real e intocável, mas apenas um inseguro tatear, erguendo-se grande alarde, quando aqui e acolá algo é encontrado, quando as tentativas de descobrimento, em si desordenadas e tão ínfimas em relação à Criação, deparam ocasionalmente com uma partícula de pó, cuja existência muitas vezes se constitui numa surpresa.

Contudo, também não quero ainda hoje revelar-vos isto, mas sim primeiro contar daquilo que se acha estreitamente relacionado convosco pessoalmente, ligado ao vosso pensar e ao vosso agir, a fim de que possais adquirir, pouco a pouco, a faculdade de observar cuidadosamente, pelo menos nestas coisas.

 

Estes setores, de que vos falo hoje, também pertencem aos pequenos enteais. Não deveis esquecer-vos aí, contudo, que cada um deles, por menor que seja, é extraordinariamente importante e, em sua atuação, mais digno de confiança do que um espírito humano.

Com grande exatidão, que nem sequer podeis imaginar, processa-se a execução do trabalho atribuído, porque mesmo o aparentemente mais ínfimo dos enteais é uno com o todo, atuando, por isso, também a força do todo através dele, atrás do qual se encontra a única Vontade – a Vontade de Deus, beneficiando, fortalecendo, protegendo, conduzindo!

Assim é, aliás, no enteal todo e assim podia, assim também já devia ser há muito tempo convosco, com os espíritos da Criação posterior desenvolvidos à autoconsciência.

Essa conexão firmemente estabelecida tem como consequência automática que cada um desses enteais, se um dia falhar de alguma forma, é logo expulso pelo ímpeto do todo, ficando assim desligado. Terá então que fenecer, porque não lhe aflui mais força alguma.

Dessa forma, tudo o que é fraco rapidamente é posto fora e nem chega a poder tornar-se nocivo.

Desses apenas aparentemente pequenos, contudo tão grandes em sua atuação, os quais ainda não conheceis e de cuja existência até agora nada sabíeis, quero falar agora.

 

Mas de sua atuação já ouvistes em minha Mensagem. Certamente, porém, não a relacionastes com o enteal, porque eu próprio não fiz qualquer referência a respeito, visto que anteriormente teria sido ainda prematuro.

Aquilo que então mostrei, objetivamente, com breves palavras, agora vos apresento em sua real atuação.

Falei anteriormente que os pequenos enteais ao vosso redor são influenciáveis pelo espírito humano e, de acordo com isso, podem fazer o bem ou até o mal.

Essa influência, porém, não ocorre naquele sentido como imaginais. Não que possais ser senhores desses entes, que possais dirigi-los!

Aliás, poder-se-ia até certo grau denominar isso assim, sem dizer algo errado, pois para vossos conceitos e em vossa língua está corretamente expresso desse modo, porque vedes tudo do vosso lado e, de acordo com isso, também julgais. Por essa razão muitas vezes tive que falar-vos em minha Mensagem da mesma maneira, para que me compreendêsseis. Eu também podia fazê-lo aqui, por não constituir nenhuma diferença, neste caso, para a vossa atuação certa.

 

Intelectivamente, naquela ocasião, isso estava muito mais perto de vós, porque correspondia mais à sintonização do vosso raciocínio, quando vos disse que sempre influenciais fortemente com a vossa vontade todo o enteal à vossa volta e que este também se orienta segundo o vosso pensar, vosso atuar, porque sois espirituais!

Isto permanece literalmente certo, porém a causa disso é outra, pois a condução propriamente dita de todas as criaturas que se acham dentro da lei desta Criação, as quais, portanto, vivem dentro da Vontade de Deus, procede tão-só de cima! E a isso pertencem todos os enteais.

Nunca se acham submetidos à vontade alheia, nem passageiramente. Nem ali onde vos assim pareça.

Os pequenos enteais, que citei, orientam-se de facto em sua efetivação segundo a vossa vontade e segundo o vosso agir, ó espíritos humanos, contudo sua atuação se encontra, apesar disso, tão-só na Vontade de Deus!

Isso é um aparente enigma, cuja solução, porém, não é tão difícil, pois necessito para isso apenas mostrar-vos agora o outro lado daquele de onde vós a tudo observais.

Visto do vosso lado, vós influenciais os pequenos enteais!

Visto, porém, do lado da Luz, eles apenas cumprem a Vontade de Deus, a lei! E como toda a força, para atuar, só pode vir da Luz, então esse, que constitui para vós o outro, é o certo!

 

Não obstante, consideremos primeiro, para melhor compreensão, a atividade vista do vosso lado. Com o vosso pensar e o vosso agir influenciais os pequenos enteais, segundo a lei de que o espírito aqui na matéria exerce com cada vontade uma pressão, também sobre o pequeno enteal. Esses pequenos enteais formam então na parte fina da matéria grosseira tudo quanto aquela pressão lhes transmite. Digamos, portanto, observado do vosso lado, que eles executam tudo quanto vós quereis!

Em primeira linha, aquilo que quereis espiritualmente. O querer espiritual, porém, é intuição! Os pequenos enteais formam isso na parte fina da matéria grosseira, exatamente de acordo com a vontade emitida pelo espírito. Eles pegam imediatamente o fio que surge do vosso querer e do vosso agir e formam, no fim desse fio, aquela configuração que corresponde exatamente a esse fio do querer.

É dessa maneira a atuação dos pequenos enteais, que ainda não conheceis em sua verdadeira atuação.

 

Desse modo eles criam, ou, melhor dito, formam o plano da parte fina da matéria grosseira, que vos espera, quando tiverdes de passar para o mundo da matéria fina! É a soleira para a vossa alma, onde ela, segundo vossas expressões, tem de “se purificar” depois da morte terrena, antes de poder entrar na matéria fina.

Lá, a permanência da alma é de mais longa ou de mais curta duração, conforme a sua disposição interior e conforme tendia ela para a matéria grosseira, se de modo mais forte ou mais fraco, com seus diversos pendores e fraquezas.

Esse plano da parte mais fina da matéria grosseira já foi visto por até agora por muitas pessoas. Pertence, por conseguinte, ainda à matéria grosseira e é formado por aqueles enteais que preparam por toda a parte o caminho do espírito humano.

É muito importante para vós saber isto: os enteais preparam para o espírito humano, portanto dessa forma também para a alma humana, e igualmente para o ser humano terreno, o caminho que ele tem de seguir, quer queira quer não queira!

Esses enteais são influenciados pelo ser humano e, aparentemente, também dirigidos. Mas só aparentemente, pois o verdadeiro dirigente aí não é a criatura humana, mas a Vontade de deus, a lei férrea da Criação, que colocou esse setor dos enteais naquele lugar, dirigindo sua atuação no vibrar da lei.

[…]

Quando eu antes, nas dissertações sobre a reciprocidade, falei de fios que, saindo de vós, são repelidos e atraídos, até aí decerto vistes apenas um emaranhado de fios figuradamente diante de vós. Mas não era de se supor, porém, que esses fios, semelhantes a vermes, avançassem sozinhos; pelo contrário, têm de ser guiados por mãos, e essas mãos pertencem aos pequenos enteais aí atuantes, dos quais até agora nada podíeis saber.

Mas esse quadro, agora tornado vivo, está diante de vós. Imaginai estardes constantemente rodeados por esses pequenos enteais, que vos observam, tomando imediatamente cada fio e conduzindo-o para lá onde pertence. Contudo, não só isso, mas eles ancoram-no e dele cuidam até a germinação da sementeira, sim, até a floração e a frutificação, da mesma forma como aqui na pesada matéria grosseira todas as sementes de plantas são cultivadas pelos enteais, até que possais, então, ter os frutos disso.

 

É a mesma lei básica, a mesma atuação, só que executada por enteais de outras espécies, que são especialistas nisso, como diríamos terrenamente. E assim, o mesmo tecer, a mesma atuação, a sementeira, a germinação, o crescimento, a floração e a frutificação perpassam a Criação inteira, sob a supervisão e o cuidado dos enteais em tudo, não importando o que e de que espécie seja. Para cada espécie há também a atuação enteal, e sem a atuação enteal não haveria por sua vez espécie alguma.

Assim surgiu da atuação dos enteais, sob o impulso do baixo querer dos seres humanos, na ancoragem dos fios que disso se originaram, também o assim chamado inferno. Os fios do querer malévolo ancoraram-se lá, cresceram, floresceram e produziram por fim também frutos correspondentes, que aquelas criaturas humanas, que geraram tal sementeira, tiveram que receber.

 

Por isso reina, nesses baixios, a volúpia devoradora com seus correspondentes centros, a sede de assassínio, briga e todas as excrescências das paixões humanas. Tudo, porém, se origina da mesma lei, em cujo cumprimento os pequenos enteais também formam o maravilhosamente belo, dos reinos mais luminosos!

Assim faço surgir agora quadro após quadro da Criação, até que recebais uma visão uniforme e ampla, que jamais vos permitirá cambalear em vossos caminhos, nem deixará que vos percais, pois então estareis cientes. Aquele que, ainda então, não quiser orientar seu caminho para as alturas luminosas, este, já desde a base, teria de estar completamente corrompido e sujeito à condenação.

 

Abdruschin

 

Dissertação, “Os pequenos enteais”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume III.

 

Leia a dissertação (25) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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