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O temperamento

por Círculo do Graal, em 17.01.15

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

 

Existem pessoas que desculpam muitos dos seus erros com o temperamento, inclusive diante de si mesmas!

Tal procedimento está errado. Quem assim age, mostra apenas que se tornou escravo de si próprio. O ser humano é do espírito, que nesta Criação posterior permanece o mais elevado autoconsciente, influenciando assim tudo o mais, formando e conduzindo, não importa se isso está em sua vontade plenamente consciente, ou se nada sabe disso.

O dominar, isto é, a grande influência na atuação na Criação posterior, está ancorado na espécie do espírito, de acordo com as leis da Criação! O espírito humano atua, por isso, nela, correspondentemente, apenas através da sua existência, por originar-se do reino espiritual. O temperamento, porém, não deve ser atribuído ao espírito, pois é gerado apenas por irradiações de determinada espécie da matéria, tão logo esta seja totalmente transpassada e vivificada pelo enteal, que movimenta, aquece e forma toda a matéria. É do sangue que provém a irradiação.

A voz do povo fala, frequentemente, não sem razão, a respeito desta ou daquela particularidade de uma criatura humana: “Está no sangue dela!” Com isso deve ser expresso, na maioria dos casos, o “herdado”. Muitas vezes é assim mesmo, visto ocorrerem hereditariedades de matéria grosseira, ao passo que hereditariedades espirituais são impossíveis. No espiritual a lei de atração da igual espécie entra em consideração, cujo efeito, exteriormente, na vida terrena, traz a aparência de uma hereditariedade, podendo, por isso, ser confundida facilmente com ela.

 

O temperamento, no entanto, provém da matéria e por isso é em parte também hereditário. Permanece também sempre estreitamente ligado com toda a matéria. A causa disso é a atuação enteal. Um pressentimento a tal respeito se encontra, também aqui, mais uma vez na voz do povo, cujas sabedorias sempre surgiram da intuição natural daquelas pessoas que ainda não estavam torcidas e se encontravam de maneira simples e com os sentidos sadios na Criação. A voz do povo fala de sangue leve, sangue quente, sangue pesado e sangue facilmente irritadiço. Todas essas denominações se referem ao temperamento, com a intuição certa de que o sangue representa nisso o papel de maior relevo. Na realidade, é uma determinada irradiação que se desenvolve de cada vez, pela espécie da composição do sangue, produzindo em primeira linha uma reação correspondente no cérebro e que a seguir se manifesta fortemente em todo o corpo. Assim, conforme a composição do sangue, predominará sempre uma espécie determinante entre os temperamentos nas diversas pessoas.

Todas as irradiações estão ancoradas no sangue sadio de uma pessoa, as quais o sangue, aliás, pode produzir e, com isso, também todos os temperamentos. Falo sempre apenas do corpo terreno sadio, pois doença traz confusão nas irradiações.

Com a idade do corpo terreno modifica-se também a composição sanguínea. Assim, com a alteração da idade do sangue sadio ocorre, concomitantemente, uma modificação correspondente do temperamento.

Além da idade do corpo, porém, cooperam ainda outros fatores na alteração do sangue, como o tipo da região e tudo quanto dela faz parte, portanto, o clima, as irradiações astrais, espécies de alimentação e outros mais ainda. Tudo isso age diretamente sobre os temperamentos porque estes pertencem à matéria e estão por isso estreitamente ligados a ela.

 

Diferenciam-se, em geral, quatro temperamentos básicos na criatura humana, segundo os quais também os próprios seres humanos são designados, como sanguíneos, melancólicos, coléricos e fleumáticos. Na realidade, contudo, existem sete e, com todas as gradações, até doze. Mas os principais são quatro.

Com o estado sanguíneo bem sadio, estes devem ser distribuídos em quatro períodos de idade, nos quais cada composição sanguínea se altera. Como primeira, temos a idade infantil, correspondente ao temperamento sanguíneo, à vida despreocupada do momento; em seguida, a idade dos moços ou das moças, correspondente ao temperamento melancólico, ao estado sonhador, saudoso; a seguir, a idade do homem e da mulher, correspondente ao temperamento colérico, da ação; e por fim a idade da velhice, correspondente ao temperamento fleumático, do raciocinar sereno.

Assim é o estado normal e sadio nas regiões temperadas, portanto, não extraordinárias. Quão íntimo tudo isso está ligado à matéria, nela atuando de modo análogo, verificais mesmo na Terra de matéria grosseira, nas estações da primavera, do verão, do outono e do inverno. Na primavera, o despertar impetuoso; no verão, o crescimento sonhador com o impulso para o amadurecimento; no outono, a frutificação, e no inverno, o sereno passar para o outro lado, um novo despertar, com as experiências vivenciais colhidas.

[…]

A pessoa que se aproveita bem de todos os quatro temperamentos, sucessivamente, nas épocas a isso necessárias, somente ela se encontra realmente firme nesta Criação, pois necessita desses temperamentos para galgar segura e acertadamente os degraus de sua vida terrena e nada perder do que é necessário à maturação de seu espírito.

Temperamentos bem dominados e bem aproveitados são como boas botas no caminho através da matéria na Terra! Cuidai deles mais do que foi feito até agora! Não podeis dispensá-los, porém não deveis curvar-vos sob eles, pois do contrário tornam-se tiranos, que vos atormentam, inclusive no vosso ambiente, em vez de serem úteis!

Contudo, utilizai-os, são para vós os melhores guias do caminho através da existência terrena. São amigos para vós, se vós os dominardes. A criança desenvolve-se melhor quando é sanguínea, eis por que isso lhe é destinado pela composição do seu sangue. Este altera-se na época do progressivo amadurecimento do corpo, acarretando então o temperamento melancólico.

Este, por sua vez, é o melhor auxiliador para o período de amadurecimento! Pode dar ao espírito uma orientação rumo à Luz, à pureza e à fidelidade, naqueles anos em que ele é ligado completamente com a Criação, interferindo assim de modo condutor em todo o tecer, em todo o atuar que aí se encontra em constante movimento. Pode tornar-se assim o maior auxiliador do espírito humano na própria existência e mais incisivo do que ele pode imaginar agora.

 

Por isso se deve deixar à criança sua alegria natural do momento, que o temperamento sanguíneo lhe dá; ao moço e à moça, outrossim, aquele sadio estado sonhador, que frequentemente lhes é peculiar. Quem o destrói, com o fito de converter essas jovens pessoas ao realismo do ambiente, torna-se um salteador do espírito em seu caminho para a Luz! Acautelai-vos de fazer tal coisa, pois todas as consequências disso recairão sobre vós!

Cada homem de ação necessita de temperamento colérico em forma equilibrada! Em forma equilibrada, digo aí bem expressamente, pois o espírito tem de dominar, nos anos adultos do homem e da mulher, enobrecendo e iluminando tudo, emitindo e espalhando irradiações luminosas para a Criação inteira!

Na velhice, porém, já contribui o temperamento fleumático para desligar lentamente o espírito do corpo, cada vez mais, abrangendo com o olhar, mais uma vez, de modo examinador, as vivências havidas até então na existência terrena, a fim de tirar delas os ensinamentos como algo próprio e assim, pouco a pouco, preparar-se para o indispensável passo à matéria fina da Criação, o qual lhe será dessa forma facilitado como um acontecimento bem natural, que só significa progresso, em obediência à lei desta Criação, mas nenhuma dor.

 

Por conseguinte, respeitai e cultivai os temperamentos, sempre que puderdes, mas em suas respetivas épocas, contanto que não se tornem tiranos devido à maneira desenfreada! Quem quiser alterá-los ou suprimi-los destrói os melhores auxílios para o caminho evolutivo da criatura humana terrena, desejado por Deus, perturbando com isso também a saúde, trazendo confusão, bem como excessos inimaginados, que para a humanidade resultam em discórdia, inveja, ódio e ira, sim, até em roubo e assassínio, porque os temperamentos foram desprezados e destruídos pelo raciocínio frio na sua necessária época, quando deviam, ter sido cultivados e observados!

Eles vos foram outorgados pela vontade de Deus nas leis da natureza, que são sempre cuidadas e conservadas para vós pelos enteais, a fim de vos facilitar o caminho do percurso terreno, se o seguirdes no sentido desejado por Deus! Agradecei ao Senhor por isso, e tomai alegremente as dádivas que vos são oferecidas por toda a parte na Criação. Esforçai-vos apenas em reconhecê-las finalmente direito!

 

Abdruschin

 

Excerto da Dissertação, “O temperamento”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume III.

 

Leia a dissertação (15) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

 

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