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O Filho do Homem

por Círculo do Graal, em 10.05.14

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

Desde o crime contra o Filho de Deus, o portador da Verdade, Jesus de Nazaré, pesa como que uma maldição sobre a humanidade, por não haver esta reconhecido devidamente a mais importante das profecias para os seres humanos, encontrando-se frente a isso ainda hoje inconsciente, como se tivesse uma espessa venda diante dos olhos. A consequência medonha disso será que grande parte das criaturas humanas passará cambaleando, da única possibilidade de sua salvação da condenação, ao encontro da destruição.

Trata-se da profecia da vinda do Filho do Homem, que o Filho de Deus, sob os ataques constantes das massas, que por se encontrarem nas trevas tinham que odiar logicamente o portador da Verdade, deu como estrela de esperança e, não obstante, também como severa advertência.

 

A mesma onda de ideias e sentimentos erróneos que já naquele tempo não deixava que se reconhecesse o Filho de Deus como tal, perturbava a compreensão a respeito da importância dessa anunciação, já na ocasião de sua origem. Estava o espírito humano demasiado obscurecido, por demais convencido de si, para poder ainda receber de modo puro Mensagens de Deus tão elevadas. Mensagens que vinham de uma altitude acima de seu próprio círculo de origem, resvalavam pelos ouvidos, sem efeito.

Para uma compreensão teria sido necessária fé proveniente de convicção consciente, de que outrora nem os próprios adeptos eram capazes. O solo onde as palavras do Salvador caíam, ainda estava demasiadamente coberto por um cipoal. A isso juntaram-se em apenas poucos anos as colossais experiências vivenciais e abalos anímicos dos mais próximos ao Salvador, com o que tudo havia de concentrar-se sentimentalmente de tal modo na pessoa dele, que o seu falar, referente a uma outra pessoa num futuro remoto, não foi considerado nesse sentido, e sim relacionado novamente com ele próprio.

Assim perdurou até os dias de hoje o erro na conceção dos seres humanos, uma vez que os descrentes não se preocupavam com as palavras do Salvador, ao passo que os fiéis suprimiram à força, exatamente por causa de sua fé, qualquer análise séria e crítica às tradições, pelo temor sagrado de tocar mesmo de leve nas palavras do Salvador. Não viam com isso, porém, que não se tratava das próprias palavras dele, verdadeiramente autênticas, mas tão-só de reproduções que foram escritas muito tempo depois de sua passagem pela Terra. Em virtude disso, porém, ficaram sujeitas naturalmente às alterações inconscientes do raciocínio humano e da conceção humana e pessoal.

Há, sem dúvida, uma certa grandeza nessa respeitosa conservação de tradição puramente humana e, por isso, também não se deve fazer qualquer censura a respeito.

Contudo, nada disso impede consequências estorvantes de conceções erróneas, decorrentes duma tradição errada, porque nem mesmo nesse caso podem ser derrubadas as leis da reciprocidade. Mesmo que elas se efetivem na remissão para o espírito humano apenas como grades, estorvando a ascensão progressiva, significam, contudo, um estacionar fatal e um não-progredir, enquanto a palavra libertadora da elucidação não puder se tornar viva neles.

 

Aquele que acredita no Filho de Deus e em suas palavras, tendo-as vivificado dentro de si, isto é, trazendo-as dentro de si na correta interpretação e agindo de acordo, evidentemente não precisa esperar pelo prometido Filho do Homem, pois este não lhe pode trazer outra coisa senão o mesmo que o Filho de Deus já trouxe. Pressupõe-se aí, no entanto, que haja compreendido realmente as palavras do Filho de Deus e que não se agarre obstinadamente a tradições erróneas. Caso se tenha apegado em qualquer parte a erros, não poderá concluir sua escalada, até obter o esclarecimento que ficou reservado ao Filho do Homem, porque o limitado espírito humano, por si, não é capaz de se livrar do cipoal que envolve espessamente a Verdade.

 

Jesus designou a vinda do Filho do Homem como a última possibilidade de salvação, indicando também que com ele se desencadeará o Juízo, que portanto aqueles que mesmo então não quiserem, ou dito de outro modo, não estiverem dispostos a receber esclarecimento algum, devido a sua própria obstinação ou indolência, terão de ser definitivamente condenados. Disso se deve concluir que em sequência ulterior não haverá mais outra possibilidade de reflexão e de decisão. Nisso reside também, evidentemente, a anunciação de uma ação severa, a qual traz o fim de uma paciente espera. Isso, por sua vez, atesta luta futura da Luz contra todas as trevas, que terá de findar na destruição violenta de todas as trevas.

[…]

A missão do Filho do Homem aqui na Terra é a continuação e a conclusão da missão do Filho de Deus, porque a missão do Filho de Deus só podia ser transitória. Ela é, portanto, com a continuação e a conclusão, concomitantemente, uma consolidação da mesma.

Enquanto o Filho de Deus nasceu diretamente para a sua missão terrestre, o percurso do Filho do Homem, antes de sua missão, teve de passar por um círculo muito maior, antes de poder iniciar a sua verdadeira missão. Vindo das alturas máximas, teve, como condição para poder cumprir a sua missão, ainda mais terrenal comparada com a do Filho de Deus, também que percorrer as profundezas mais baixas. Não apenas no Além, mas também terrenalmente, a fim de poder “vivenciar” junto de si todas as dores e todos os sofrimentos dos seres humanos. Somente dessa maneira fica em condições de, quando chegar a hora, interferir nas falhas de modo eficiente e criar alterações, auxiliando.

 

Por esse motivo não pôde ficar à margem do vivenciar da humanidade, mas sim teve que estar no meio disso tudo através da própria vivência, inclusive das coisas amargas, e também sofrer com isso. Novamente, só por causa das criaturas humanas teve de realizar-se, portanto, essa sua aprendizagem. Mas precisamente nisso, por ficar incompreensível tal condução superior ao espírito humano em sua estreiteza, e por só ser capaz de formar um juízo segundo as aparências externas, procurarão fazer-lhe censuras, a fim de dificultar-lhe a missão assim como a Cristo naquele tempo.

Exatamente aquilo que teve de sofrer por causa das criaturas humanas, a fim de reconhecer os lugares mais doentios dos erros, aquilo que portanto sofreu ou através de vivência aprendeu a conhecer em prol do futuro bem das criaturas humanas, quererão utilizar como pedra, a fim de atingi-lo com isso num ódio crescente, atiçado pelas trevas, trémulas de medo ante a destruição.

 

Não é inexplicável que algo tão incrível possa suceder outra vez apesar das experiências com a passagem do Filho de Deus pela Terra, porque na realidade mais da metade dos seres humanos que hoje se encontram na Terra de modo algum lhe pertencem, mas sim deveriam amadurecer em regiões muito mais baixas e mais escuras! Devido ao contínuo retrocesso anímico, com o aumento dos escravos do seu próprio instrumento, o raciocínio limitado, foi colocada a base para tanto.

O raciocínio limitado, como absoluto soberano, só favorecerá sempre tudo aquilo que é material, por ser puramente terreno, e assim cultivará também os subsequentes maus efeitos colaterais. O consequente declínio das conceções mais elevadas formou uma brecha e estendeu a mão para baixo, pela qual puderam subir almas para a encarnação, as quais, de outro modo, com o seu peso espiritual devido à escuridão mais densa, jamais poderiam ter subido até à superfície da Terra.

 

Antes de tudo são também os sentimentos intuitivos puramente animais nas gerações, bem como outras tendências pelos prazeres terrenos, que na época desmoralizada já desde séculos vêm contribuindo para que almas medíocres possam subir. Estas rodeiam então permanentemente as futuras mães, chegando à encarnação em dado momento, porque tudo o que é luminoso até agora recuou voluntariamente diante das trevas, a fim de não ser conspurcado.

Assim, pouco a pouco, pôde acontecer que o ambiente de matéria fina da Terra se tornasse cada vez mais denso e mais escuro e, com isso, também mais pesado; de tal peso, que até chega a manter a própria Terra de matéria grosseira afastada de uma órbita que seria mais acessível a influências espirituais mais elevadas.

 

Como a maioria de todos os encarnados pertencem de facto a regiões que se acham situadas muito mais abaixo do que a própria Terra, haverá portanto, nisso também, apenas Justiça Divina, se tais almas forem varridas, para descer até lá onde aliás pertencem, onde junto à sua absoluta igual espécie não dispõem mais de ocasião para se sobrecarregarem ainda com novas culpas, e através disso amadurecerem mais facilmente para uma modificação ascendente no sofrimento de sua esfera.

Não é a vontade humana que poderá um dia escolher o Filho do Homem enviado por Deus, mas a força de Deus o soerguerá na hora em que a humanidade desvalida implorar choramingando por salvação. Então calar-se-ão as injúrias, porque o pavor selará tais bocas e, de bom grado serão aceites todas as dádivas que o Criador oferecer através dele às criaturas. Mas quem não as quiser receber dele, será expulso por toda a eternidade.

 

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação, “O Filho do Homem”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 286) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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