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No reino dos demónios e dos fantasmas

por Círculo do Graal, em 21.06.14

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

Para tal esclarecimento é necessário antes saber que o ser humano terreno não se encontra na Criação primordial, mas numa Criação posterior. A criação primordial é, única e exclusivamente, o reino espiritual, que existe por si realmente, conhecido pelas criaturas humanas como o Paraíso, cujo ápice constitui o Supremo Templo do Graal, como o portal na direção do Divinal, que se encontra fora da Criação.

A Criação posterior, porém, é o assim chamado “mundo” em seu eterno circular orbital, abaixo da Criação primordial, e cujos universos solares isolados estão sujeitos à formação e à desintegração, portanto, ao amadurecer, envelhecer e decompor, porque não foram criados imediatamente pelo Divinal, como a imperecível Criação primordial, o Paraíso.

A Criação posterior originou-se da vontade dos primordialmente criados e está sujeita à influência dos espíritos humanos em desenvolvimento, cujo caminho evolutivo passa através dessa Criação posterior. Essa também a razão das imperfeições aí, não encontradas na Criação primordial, que está aberta à influência imediata do Divino Espírito Santo.

 

Para consolo dos primordialmente criados, desesperados por causa da crescente imperfeição da Criação posterior, a qual se fazia sentir cada vez mais, clamava-se do Divinal: “Aguardai Aquele que Eu escolhi… para vosso auxílio!” Assim como, razoavelmente nítido, transmite a lenda do Graal como tradição proveniente da Criação primordial.

Agora, ao tema propriamente: cada ação terrenal pode ser considerada somente como expressão exterior de um processo íntimo. Por “processo íntimo” se entende uma vontade intuitiva espiritual. Cada vontade intuitiva é ação espiritual que se torna incisiva para a existência de um ser humano, pois resulta em subida ou em descida. Em caso algum pode ser colocada no mesmo degrau com a vontade mental.

 

A vontade intuitiva refere-se ao núcleo do ser humano propriamente; a vontade mental, porém, somente a um círculo exterior, mais fraco. Contudo, ambos nem sempre precisam se tornar terrenalmente visíveis, apesar de seus efeitos categóricos. A ação terrena, grosso-material, não é imprescindível para acumular um carma. No entanto, não existe qualquer atividade grosso-material terrena, que não tenha sido precedida por uma vontade mental ou por uma vontade intuitiva. A atividade terrenalmente visível, por isso, depende da vontade mental ou da vontade intuitiva, mas não inversamente.

Aquilo que é realmente incisivo para a existência de um espírito humano, para a sua subida ou descida, está, no entanto, ancorado de modo fortíssimo na vontade intuitiva, que a criatura humana quase nem atenta, mas para cujos efeitos categóricos e que jamais falham, não há nenhuma fuga, nem qualquer paliativo ou adulteração. Somente nisso reside o verdadeiro “vivenciar” do espírito humano, pois a vontade intuitiva é a única alavanca para o desencadeamento das ondas de força espiritual, que se encontra na obra do Criador, aguardando apenas o estímulo da vontade intuitiva dos espíritos humanos, a fim de serem levadas então imediatamente à efetivação, multiplamente aumentado. Exatamente a esse tão importante fenómeno, o mais importante até, pouca atenção tem dado até agora a humanidade.

Por tal motivo quero apontar sempre de novo para um ponto principal, aparentemente simples, mas que encerra tudo em si: a força espiritual que perpassa a obra da Criação só pode obter ligação com a vontade intuitiva dos espíritos humanos; tudo o mais fica excluído de uma ligação!

 

Já a vontade mental não consegue mais ligação alguma, muito menos quaisquer produtos da vontade mental. Esse facto exclui toda a esperança de que a verdadeira força principal na Criação sequer pudesse ser posta em conexão com qualquer “invenção”! Contra isso é passado um ferrolho inamovível. O ser humano não conhece essa força principal, bem como os seus efeitos, embora esteja dentro dela.

O que este ou aquele pensador ou inventor imagina como força primordial, não o é! Trata-se então sempre de uma energia bem secundária, da qual poderão ser descobertas muitas ainda com efeitos surpreendentes, sem que com isso se aproxime sequer um passo da força propriamente, da qual o espírito humano se serve diariamente de modo inconsciente. Infelizmente como que brincando, sem dar atenção às horríveis consequências dessa desmesurada leviandade! Em sua absoluta ignorância, tenta sempre desviar criminosamente a responsabilidade das consequências para Deus, o que no entanto não o liberta da grande culpa com a qual se sobrecarrega pelo seu não querer saber.

Quero tentar apresentar aqui uma imagem clara. Uma pessoa, por exemplo, sente intuitivamente inveja. Diz-se comummente: “A inveja brota dela!” De início se trata de uma intuição genérica, muitas vezes nem claramente consciente ao espírito humano. Essa intuição, contudo, ainda nem moldada em determinados pensamentos, portanto sem ter ainda “chegado” ao cérebro, por si só é aquilo que traz a chave, única capacitada a estabelecer ligação com a força viva, a formar a ponte para tanto.

 

Imediatamente flui então tanto dessa “força viva” existente na Criação, em direção à referida intuição, quanto seja a sua capacidade de receção, condicionada pela respetiva força da intuição. Somente com isso a intuição humana, isto é, “espiritualizada”, vivifica-se e recebe a enorme capacidade geradora (não força criadora) no mundo da matéria fina, que torna o ser humano senhor entre todas as criaturas, a criatura suprema na Criação. Esse fenómeno, contudo, deixa-o exercer também imensa influência sobre toda a Criação posterior, acarretando com isso… responsabilidade pessoal, que criatura alguma além dele na Criação posterior pode ter, uma vez que somente o ser humano possui a faculdade determinante para tanto, a qual reside na constituição do espírito.

 

E somente ele, em toda a Criação posterior, contém espírito em seu âmago mais íntimo e obtém por isso, como tal, exclusivamente também, ligação com a força viva superior que reside na Criação posterior. Por sua vez, os primordialmente criados no Paraíso são de espécie diferente do que os que peregrinam pelos mundos, os assim chamados seres humanos terrenos, razão por que sua faculdade de ligação destina-se também a uma onda de força diferente, mais elevada e ainda muito mais forte, da qual utilizam-se conscientemente, podendo criar assim de modo natural também coisas muito diferentes do que os peregrinadores do mundo, aos quais pertencem os seres humanos terrenos, cuja onda de força superior é apenas uma gradação da energia latente na Criação primordial, da mesma forma que os próprios seres humanos terrenos são apenas uma gradação dos primordialmente criados.

[…]

Uma coisa, porém, ainda quero citar como exemplo, de que modo ocorre o trespasse do Aquém para o Além.

Admitamos que uma senhora ou uma moça tenha ficado involuntariamente em condições de vir a ser mãe e que, conforme infelizmente sucede mui frequentemente, tenha providenciado algo contra isso. Mesmo que tudo haja ocorrido, em casos especialmente favoráveis, sem prejuízos corpóreos, no entanto, com isso o ato não está concomitantemente remido. O mundo de matéria fina, como ambiente depois da morte terrena, regista de modo exato e ininfluenciável.

Desde o momento em que isso ocorreu, apegou-se ao pescoço de matéria fina da mãe desnaturada o corpo de matéria fina  da criança em formação, para não sair desse lugar até que o ato seja remido. Evidentemente a respetiva moça ou senhora não notará, enquanto viver na Terra, no corpo de matéria grosseira. No máximo sentirá, como efeito, uma vez por outra, certa sensação levemente angustiante, porque o pequeno corpo de matéria fina da criança em relação ao corpo de matéria groseira tem a leveza duma pluma, e a maioria das jovens, hoje, é demasiadamente embotada para sentir esse pequeno fardo. Esse embotamento, contudo, não constitui qualquer progresso, tampouco um sinal de saúde robusta, pelo contrário, significa retrocesso, o sinal de estar enterrada animicamente.

 

No momento da morte terrena, porém, o peso e a densidade do pequeno corpo infantil tornam-se iguais aos do corpo de matéria fina da mãe ao sair do corpo terreno, e com isso um autêntico fardo. Causará ao corpo de matéria fina da mãe, imediatamente, os mesmos incómodos como na Terra o agarrar-se de um corpo infantil de matéria grosseira ao seu pescoço. Conforme a natureza dos factos anteriores, isso pode crescer até um tormento asfixiante. Terá a mãe de carregar no Além esse corpo infantil e dele não ficará livre até que nela desperte o amor materno, procurando então, de modo cuidadoso, proporcionar ao corpo infantil todas as facilidades e cuidados, penosamente e com sacrifício da própria comodidade. Até lá, porém, muitas vezes há um caminho longo, cheio de espinhos!

 

Esses acontecimentos não deixam de ter naturalmente também uma certa tragicomicidade. Basta apenas imaginar qualquer pessoa, para a qual tenha sido retirada a parede separadora entre o Aquém e o Além, entrando numa família ou reunião social. Ali talvez se encontrem senhoras em animada conversa. Uma das senhoras ou “donzelas” emite durante a conversa juízos reprovadores sobre os seus semelhantes, com revolta moral, enquanto que justamente no pescoço daquela tão revoltada ou orgulhosa, a visita vê pendurado um ou até vários pequenos corpos infantis. E não somente isso, mas em cada uma das demais pessoas pendem as obras de sua verdadeira vontade, nitidamente visíveis, que frequentemente se encontram em oposição, a mais grotesca, com as suas palavras e com aquilo que gostaria de aparentar e que também procura representar perante o mundo.

 

Quanto juiz há, muito mais sobrecarregado de culpa do que o réu por ele condenado e diante do qual está sentado. Quão céleres passarão os poucos anos terrenos, quando ele estará diante do seu juiz, perante o qual valem outras leis. E o que, então?

Infelizmente, na maioria dos casos, o ser humano consegue enganar o mundo de matéria grosseira de modo fácil; isso, no entanto, fica excluído no mundo de matéria fina. Lá, felizmente, o ser humano terá de colher realmente aquilo que semeou. Por isso ninguém precisa desesperar-se se, apesar de tudo, o mal mantiver passageiramente o predomínio aqui na Terra. Nem sequer um único pensamento mau permanecerá inexpiado, mesmo que não se tenha concretizado numa ação de matéria grosseira.

 

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação, “No reino dos demónios e dos fantasmas”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 333) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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