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Intuição

por Círculo do Graal, em 27.09.14

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

Cada intuição forma imediatamente uma imagem. Nessa formação de imagem participa o cerebelo, que deve ser a ponte da alma para domínio do corpo. É aquela parte do cérebro que vos transmite o sonho. Essa parte se acha por sua vez em ligação com o cérebro anterior, de cuja atividade se originam os pensamentos, mais ligados ao espaço e ao tempo, e dos quais, por fim, é composto o raciocínio.

Atentai bem, portanto, no processo! Podeis aí distinguir nitidamente quando a intuição vos fala por meio do espírito, ou o sentimento por meio do raciocínio!

A atividade do espírito humano provoca no plexo solar a intuição, impressionando assim, concomitantemente, o cerebelo. A efetivação do espírito. Portanto, uma onda de força que sai do espírito. Essa onda o ser humano intui, naturalmente, ali onde o espírito dentro da alma se acha em ligação com o corpo, no centro do assim chamado plexo solar que transmite o movimento para o cerebelo, o qual fica então impressionado.

 

Esse cerebelo, segundo a espécie determinada das diversas impressões, forma, igual a uma chapa fotográfica, a imagem do acontecimento desejado pelo espírito, ou que o espírito formou com sua poderosa força, através de sua vontade. Uma imagem sem palavras! O cérebro anterior recebe essa imagem e procura descrevê-la com palavras, com o que se dá a geração dos pensamentos que chegam à expressão na linguagem.

O processo todo é na realidade muito simples. Quero repetir ainda uma vez: o espírito, com o auxílio do plexo solar, impressiona a ponte a ele dada, imprime, por conseguinte, em ondas de força uma determinada vontade no instrumento a ele entregue para tanto, o cerebelo, que logo retransmite ao cérebro anterior o que recebeu. Nessa retransmissão já se processa uma pequena modificação, pela condensação, visto o cerebelo acrescentar algo de sua própria espécie.

 

Como os elos que se articulam numa corrente, atuam os instrumentos no corpo humano, os quais estão à disposição do espírito para utilização. Todos eles agem, porém, apenas formando; não podem diferentemente. Tudo quanto lhes é transmitido formam de acordo com sua própria espécie peculiar. Dessa maneira também o cérebro anterior recebe a imagem transmitida pelo cerebelo e, de acordo com sua estrutura um pouco mais grosseira, comprime-a pela primeira vez em conceitos mais restritos de espaço e tempo, condensando-a assim, e retransmitindo-a dessa maneira ao mundo de matéria fina, já algo mais palpável, das formas de pensamentos.

Logo a seguir, porém, já forma também palavras e frases, que então, por meio dos órgãos da linguagem, penetram como ondas sonoras formadas na fina matéria grosseira, para aí por sua vez, provocarem um novo efeito, o qual acarreta o movimento dessas ondas.

 

A palavra falada é, portanto, uma manifestação das imagens através do cérebro anterior. Este, porém, também pode dar a direção da manifestação, em vez de para os órgãos da linguagem, aos órgãos da movimentação, pelo que se origina, em lugar da palavra, a escrita ou a ação.

Este é o curso normal da atividade do espírito humano desejada pelo Criador na matéria grosseira.

É o caminho certo que teria conduzido ao desenvolvimento sadio da Criação, pelo qual nem era possível a humanidade perder-se.

No entanto, o ser humano saiu voluntariamente dessa via, que lhe foi prescrita pela constituição do corpo. Com teimosia interferiu no curso normal da corrente de seus instrumentos, fazendo do raciocínio o seu ídolo. Dessa maneira lançou toda a energia na educação do raciocínio, unilateralmente, apenas sobre esse ponto. O cérebro anterior, como gerador, foi forçado desproporcionalmente em relação aos demais instrumentos cooperadores.

Isto naturalmente se vingou. O funcionamento uniforme e em comum de todos os elos individuais foi derrubado e tolhido; com isso também qualquer desenvolvimento correto. O esforço máximo do cérebro anterior, exclusivamente, durante milénios, provocou seu crescimento muito acima de tudo o mais.

 

A consequência é a diminuição forçada da atividade de todas as partes negligenciadas, que tinham que ficar mais fracas pela menor utilização. A isso pertence em primeira linha o cerebelo, que é o instrumento do espírito. Disso decorre que a função do espírito humano, propriamente, não somente ficou fortemente impedida, mas muitas vezes intercetada e desligada totalmente. A possibilidade de correto intercâmbio com o cérebro anterior através da ponte do cerebelo está enterrada, ao passo que uma ligação direta do espírito humano com o cérebro anterior fica totalmente excluída, visto que sua constituição nem é adequada para isso. Depende, categoricamente, do pleno funcionamento do cerebelo, em cuja sucessão se encontra de acordo com a Vontade de Deus, se quiser cumprir corretamente a função que lhe cabe.

Para receber as vibrações do espírito é necessária a espécie do cerebelo. Isso nem pode ser contornado, pois o cérebro anterior, já pela atividade, tem de preparar a transição para a fina matéria grosseira e, por isso, é também de constituição completamente diferente, muito mais grosseira.

 

No cultivo excessivo e unilateral do cérebro anterior encontra-se, portanto, o pecado hereditário do ser humano terreno contra Deus, ou expresso de modo mais nítido, contra as leis Divinas que, na distribuição correta de todos os instrumentos corpóreos, estão inseridas do mesmo modo como em toda a Criação.

A conservação dessa distribuição correta teria trazido em si, também, o caminho certo e reto para a ascensão do espírito humano. Assim, no entanto, o ser humano, em sua presunção ambiciosa, interferiu nas malhas do sadio atuar, destacando e cuidando de modo especial de uma parte disso, não atentando às demais. Isso tinha de acarretar desigualdade e estagnação. Mas se o curso do processo natural for impedido desse modo, então a doença, o falhar e por último uma emaranhada confusão e ruína, hão-de ser a absoluta consequência.

 

Aqui, no entanto, não entra em consideração apenas o corpo, mas em primeira linha o espírito! Com esse abuso do cultivo desigual de ambos os cérebros no decorrer dos milénios, o cérebro posterior foi oprimido pela negligência, e com isso impedido o espírito em sua atividade. Tornou-se pecado hereditário, porque com o tempo o cultivo excessivo e unilateral do cérebro anterior já é transmitido a cada criança, como herança de matéria grosseira, pelo que lhe dificulta de antemão, incrivelmente, o despertar e o fortalecimento espiritual, porque a ponte do cérebro posterior, indispensável para tanto, não lhe ficou mais tão facilmente transitável e mui frequentemente foi até cortada.

A criatura humana nem sequer pressente que ironia há nas expressões criadas por ela própria “cérebro e cerebelo”, condenando-a gravemente! Essa acusação não poderia ter sido formulada de modo mais terrível contra o seu abuso da determinação divina! Ela marca com isso exatamente o pior de sua culpa terrena, uma vez que com criminosa teimosia mutilou de tal modo o instrumento fino do corpo de matéria grosseira que devia auxiliá-la nesta Terra, que este não somente não lhe pode servir assim como foi previsto pelo Criador, mas tem de conduzi-la até às profundezas da perdição! Pecaram assim muito pior que beberrões ou aqueles que, entregando-se a todas as paixões, destroem seus corpos!

 

E, além disso, ainda têm a arrogância de querer que Deus se lhes deva tornar de tal modo compreensível, que eles, no invólucro arbitrariamente desfigurado de seu corpo, também possam compreender! Por cima desse crime já praticado, ainda essa exigência!

A criatura humana teria podido, em desenvolvimento normal, escalar os degraus para as alturas luminosas de maneira fácil e cheia de alegria, se não tivesse interferido na obra de Deus com mão criminosa!

Os seres humanos do futuro terão cérebros normais que, trabalhando com uniformidade, se apoiarão então mutuamente, de modo harmonioso. O cérebro posterior, que se chama cerebelo, por estar atrofiado, robustecer-se-á então, porque chegará à atividade certa, até ficar em relação correta com o cérebro anterior. Então haverá novamente harmonia, e o contorcido e doentio terá que desaparecer!

 

Agora, sigamos para as demais consequências do modo de vida errado de até então: o cérebro posterior, demasiadamente pequeno na relação, dificulta, aos que hoje procuram de modo realmente sincero, distinguir o que neles seja legítima intuição e o que é simplesmente sentimento. Eu já disse anteriormente: o sentimento é gerado pelo cérebro anterior, ao atuarem seus pensamentos nos nervos do corpo, que irradiando retroativamente obrigam ao cérebro anterior o estímulo da assim chamada fantasia.

Fantasias são imagens criadas pelo cérebro anterior. Não podem ser comparadas com as imagens formadas pelo cerebelo sob pressão do espírito! Temos aqui a diferença entre a expressão da intuição como consequência duma atuação do espírito, e os resultados dos sentimentos provenientes dos nervos corpóreos. Ambos dão imagens que para os leigos são difíceis ou até impossíveis de reconhecer, apesar de existir aí uma tão enorme diferença. As imagens da intuição são legítimas e contêm força viva; as imagens do sentimento, porém, a fantasia, são simulações duma força emprestada.

Nas imagens da intuição, que é a atividade do cerebelo, como ponte para o espírito, surge primeiro a imagem imediatamente, e só depois se transforma em pensamentos, pelo que então a vida sensitiva do corpo fica influenciada pelos pensamentos.

 

No entanto, nas imagens geradas pelo cérebro anterior dá-se o contrário. Aí os pensamentos têm que anteceder, a fim de estabelecerem as bases das imagens. Mas tudo isso se passa tão depressa, que quase parece uma só coisa. Com um pouco de prática em observar, contudo, uma pessoa pode, em pouco tempo, distinguir com exatidão de que espécie é o processo.

Uma outra consequência desse pecado hereditário é a confusão dos sonhos! Por esse motivo as pessoas hoje não podem mais dar aos sonhos aquele valor que lhes caberia, propriamente. O cerebelo normal transmitiria os sonhos, influenciado pelo espírito, de maneira clara e inconfundível. Quer dizer, nem seriam sonhos, mas vivências do espírito acolhidas e retransmitidas pelo cerebelo, enquanto o cérebro anterior repousa em sono. A atual força dominadora do cérebro anterior ou diurno, porém, exerce também durante a noite sua influência, irradiando sobre o sensível cérebro posterior. Este, em seu enfraquecido estado atual, acolhe as fortes irradiações do cérebro anterior, simultaneamente com as vivências do espírito, originando-se assim uma mistura semelhante à exposição dupla duma chapa fotográfica. Isso resulta, então, nos sonhos confusos atuais.

 

A melhor prova disso é que muitas vezes também surgem nos sonhos palavras e frases, que só se originam do funcionamento do cérebro anterior, o único a formar palavras e frases por estar ligado ao espaço e ao tempo mais intimamente.

Por essa razão, o ser humano agora também não está mais acessível, ou de modo precário apenas, a advertências e ensinamentos espirituais através do cérebro posterior, e devido a isso muito mais exposto a perigos, dos quais, em caso contrário, poderia desviar-se pelas advertências espirituais!

Assim existem, além dessas mencionadas consequências más, muitas outras, que a interferência do ser humano nas determinações Divinas trouxe consigo, pois na realidade todo o mal se originou somente desse único falhar hoje tão visível a qualquer um e que foi tão-só um fruto da vaidade, originado pela aparição da mulher na Criação.

Liberte-se, portanto, o ser humano finalmente das consequências do mal hereditário, se não quiser se perder.

Tudo, evidentemente requer esforço, assim também isto. O ser humano deve, sim, despertar de seu comodismo, para se tornar finalmente aquilo que já deveria ter sido desde o início! Beneficiador da Criação e transmissor de Luz para toda a criatura!

 

Abdruschin

                        

Dissertação, “Intuição”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 424) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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