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Faça-se a Luz!

por Círculo do Graal, em 27.06.15

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h - 10.00 h, TMG - Lisboa)

 

Faça-se a Luz! Quão distante se encontra ainda o ser humano da compreensão dessa grande sentença da Criação! Distante até da vontade certa de aprender a compreender esse processo! E ainda assim, há milénios ele se ocupa continuamente com isso. Mas de acordo com sua maneira. Não quer tomar com humildade uma centelha de compreensão da Verdade e recebê-la pura, mas sim apenas sofismar, ele próprio, sobre tudo, de modo intelectivo.

 

Cada tese, que estabelece a tal respeito, quer sempre fundamentá-la segundo o teor e a necessidade do seu cérebro terreno. Isso está certo no que diz respeito às coisas terrenas e a tudo que faz parte da matéria grosseira, a que também pertence o cérebro e donde brota o raciocínio, pois o raciocínio outra coisa não é senão a perceção grosso-material. Por essa razão, os seres humanos que se submetem somente ao raciocínio, e que somente querem considerar como sendo justo e certo aquilo que pode ser incondicionalmente comprovado de modo intelectivo são todos mui estreitamente limitados e indissoluvelmente ligados à matéria grosseira.

Eles estão, com isso, distanciados ao máximo do verdadeiro saber e do saber em geral, apesar de justamente eles se julgarem sábios.

 

Nessa pobreza se encontra hoje a ciência inteira diante de nós, se a contemplarmos direito. Restringindo-se a si própria, oprimindo com força e recusando medrosamente tudo que não pode comprimir nos limites estreitos de sua compreensão tão presa à Terra. Recusando realmente com medo, porque tais cientistas, apesar da rigidez, não podem negar que existe algo mais do que aquilo que eles são capazes de catalogar no registo de seus cérebros grosso-materiais e que, portanto, ainda pertence de modo absoluto ao plano de matéria grosseira, às ultimas ramificações na extremidade inferior desta grande Criação!

Devido ao seu medo, alguns se tornam maldosos e até perigosos em relação a todo aqueles que não querem se deixar envolver nessa rigidez, mas que esperam mais do espírito humano e por esse motivo não pesquisam somente com o raciocínio preso à Terra, mas sim com o espírito, indo além dos processos grosso-materiais, assim como é digno de um espírito humano ainda sadio e como é seu dever nesta Criação.

 

Os seres humanos de raciocínio querem a qualquer preço subjugar espíritos vigilantes. Assim foi durante milénios. E as trevas, que cada vez mais céleres se espalharam, principalmente por intermédio dos seres humanos de raciocínio, como consequência de tal restrição grosso-material, prepararam com o decorrer do tempo o solo que tornou possível o desenvolvimento do poder do raciocínio terreno.

Tudo quanto não podia ser justificado através do raciocínio, foi hostilizado e sempre que possível ridicularizado, a fim de não encontrar acolhida e não poder inquietar os seres humanos de raciocínio.

 

Preventivamente procurou-se difundir como sabedoria que tudo aquilo, que não puder ser averiguado e confirmado pelo raciocínio, apenas pertence a uma teoria insustentável!

Essa tese apresentada pelos seres humanos de raciocínio tem sido o seu orgulho e também a sua arma e o seu escudo durante milénios, até mesmo seu trono, que terá de ruir agora, já no início do despertar espiritual! O despertar espiritual mostra que essa tese tem sido completamente errada e foi torcida com atrevimento ilimitado, apenas para proteger a estreiteza presa à Terra e conservar o espírito humano em sono inativo.

[…]

Hoje quero prosseguir nisso e explicar por que as irradiações tinham de transpor os limites da região Divina, pois tudo no desenvolvimento da Criação ocorre apenas porque não pode ser de outra forma, isto é, incondicionalmente de acordo com a lei.

O Santo Graal foi desde a eternidade o pólo final da irradiação imediata de Deus. Um recipiente no qual se concentrava a irradiação no último e extremo ponto para, refluindo, renovar-se sempre. Em volta dele estava o Divino Supremo Templo do Graal, com os portais, que abriam para fora, firmemente fechados, de maneira a nada poder sair dele e não haver possibilidade de ulterior resfriamento. Cuidado e guardado fora tudo pelos “anciãos”, isto é, pelos eternamente imutáveis, capazes de levar uma existência consciente no extremo limite da região das irradiações Divinas.

 

Tem o ser humano de refletir agora, antes de mais nada – se é que deseja seguir-me direito em minha descrição – que no plano Divino vontade e ação são sempre uma só coisa. A cada palavra segue-se imediatamente a ação, ou, mais precisamente, cada palavra já é a própria ação, porque a Palavra Divina possui força criadora, transformando-se portanto imediatamente em ação. Assim também na grande sentença: “Faça-se a Luz!”.

Luz é somente o próprio Deus! E da Sua irradiação natural resulta o círculo imensurável, para o sentido humano, da região Divina, cuja ancoragem extrema é e foi desde toda a eternidade o Supremo Templo do Graal. Se Deus, pois, queria que além do limite da irradiação imediata Divina também houvesse Luz, não podia tratar-se aí de uma expansão simples e arbitrária das irradiações, mas tinha de ser colocada Luz no ponto extremo do limite da irradiação imediata da perfeição Divina, a fim de, a partir de lá, as irradiações penetrarem no que até então não tinha sido iluminado.

 

Por conseguinte, Deus não pronunciou as palavras “Faça-se a Luz!” apenas segundo as noções humanas, mas isso foi simultaneamente uma ação! Foi o grandioso acontecimento da emissão ou do nascimento fora dos limites do Divino de uma parte de Imanuel! A colocação para fora de uma parte de Luz da Luz primordial, a fim de que iluminasse e aclarasse de forma autónoma além da irradiação imediata de Deus. O começo do grandioso despontar da Criação foi consequência simultânea da emissão de uma parte de Imanuel!

Imanuel é, portanto, a origem e o pólo de saída da Criação, devido à emissão de uma parte dele. Ele é a Vontade de Deus, que traz em si de maneira viva a sentença “Faça-se a Luz!”, que é ele mesmo. A Vontade de Deus, a Cruz Viva da Criação, em torno da qual pôde e teve de se formar a Criação. Por isso, ele também é a Verdade, assim como a lei da Criação, que através dele e a partir dele pôde formar-se!

 

Ele é a ponte saindo do Divino, o caminho que conduz para a Verdade e a Vida, a fonte criadora e a força que advém de Deus.

Trata-se de um quadro novo, que se desenrola diante da humanidade e que, no entanto, não desvia nada, porém endireita o que está torcido nas conceções humanas.

Resta-vos agora ainda a pergunta quanto ao “porquê”! Porque Deus enviou Imanuel? Se bem que esta pergunta, formulada pelo espírito humano, seja também bastante esquisita e até arrogante, mesmo assim quero explica-la, tendo em vista que tantos seres humanos terrenos se sentem como vítimas desta Criação, na ilusão de que se eles podem errar é porque Deus os criou defeituosos.

 

A arrogância vai tão longe, que fazem disso uma crítica com a própria desculpa de que bastava Deus ter criado o ser humano de tal forma, que nunca pudesse pensar nem agir erradamente; com isso teria sido evitada também a queda da humanidade.

Mas unicamente a capacidade de livre resolução do espírito humano foi que o levou à decadência e à queda! Tivesse ele observado e obedecido sempre as leis na Criação, então poderia existir para ele somente ascensão, felicidade e paz, pois assim querem estas leis. Deixando de cumpri-las, naturalmente choca-se com elas, tropeça e cai.

 

Na esfera da perfeição Divina, só o Divino pode usufruir as alegrias da existência consciente, as quais a irradiação de Deus oferece. É o mais puro do puro na irradiação, que pode se formar, como por exemplo os arcanjos; em distância maior, no mais extremo limite de alcance da irradiação, formam-se então também os anciãos, que são ao mesmo tempo os guardiões do Graal no Supremo Templo do Graal, dentro da esfera Divina.

Com isso é extraída a parte mais forte e mais poderosa da irradiação! Das partes restantes formam-se, nas regiões do Divino, animais, paisagens e construções. Com isso se modifica mais e mais a espécie dos últimos resíduos, porém se acham subordinados à mais alta tensão na imensa pressão decorrente da proximidade de Deus, muito embora também aqui a sua distância tenha de permanecer incomensurável e incompreensível para o espírito humano.

 

Nesses últimos resíduos, que, como ramificações e sobras extraídas das irradiações, não têm mais capacidade de produzir formas no Divino, e em cujos limites extremos apenas passam e flutuam como nuvenzinhas luminosas, está contido também o espiritual. Não pode desenvolver-se sob essa alta pressão nem chegar à consciência. O forte impulso para isso, porém, encontra-se em todo o espiritual, e é este impulso que se eleva, como uma grande súplica, da flutuação permanente, a qual, nesse limite, não pode chegar a tecer nem a formar-se.

 

E foi, por sua vez, a essa súplica no impulso inconsciente que Deus atendeu em Seu grande Amor, permitindo que se realizasse, pois somente fora dos limites de todo o Divino é que o espiritual, seguindo seu impulso, podia desabrochar, para, em parte, usufruir conscientemente as bênçãos das irradiações Divinas, viver dentro delas cheio de alegria, empenhando-se em construir para si próprio um reino que, florescendo e em harmonia, pudesse tornar-se um monumento em honra de Deus, como agradecimento à Sua bondade, por haver, concedido ensejo a todo o espiritual para o mais livre desenvolvimento e, com isso, para a efetivação de todos os desejos!

Segundo a espécie e as leis das irradiações de Deus, tinha que surgir apenas felicidade e alegria para todos quantos se tornassem conscientes. Nem podia ser de outra maneira diferente, já que para a própria Luz as trevas são completamente estranhas e incompreensíveis.

 

Assim o grande ato foi um sacrifício do Amor de Deus, que separou uma pequena parte de Imanuel e a enviou para fora, somente para conceder ao impulso constantemente suplicante do espiritual uma fruição consciente da existência.

Para chegar até lá, o espiritual tinha de ultrapassar os limites da região Divina. Para um tal acontecimento, porém, somente uma parte da Luz Viva podia abrir caminho, porque a atração da Luz original é tão forte, que tudo o mais ficaria retido no limite da irradiação imediata, sem poder prosseguir.

Para a concessão da realização do impulso de todo o espiritual havia, portanto, apenas uma possibilidade; a emissão de uma parte da própria Luz! Somente dentro dessa força podia o espiritual atravessar o limite, a fim de tornar-se autoconsciente, servindo-se do caminho da irradiação daquela parte da Luz como ponte.

[…]

Assim é a evolução em toda a sua simplicidade. Por amor fora satisfeito a todas as criaturas o anseio para o vivenciar consciente, anseio esse que as impulsionava! Por amor àqueles, porém, que querem a felicidade e a paz, na observação das leis naturais desta Criação, será então aniquilado tudo o que perturba a paz, por ter-se mostrado indigno de poder ser autoconsciente. Nisso reside o Juízo Final, temido com toda a razão! A grande transformação do Universo!

 

O espírito humano não tem nenhum direito de indagar o “porquê” da Criação, pois é uma exigência dirigida a Deus, exigência que ele não tem o direito de fazer, já que ele próprio se fechou, com o pecado original voluntário, a toda a sabedoria e à possibilidade de maiores reconhecimentos!

Eu dei, porém, explicação, a fim de desfazer as absurdas imaginações dos seres humanos de raciocínio, para que os espíritos humanos, que anseiam sinceramente pela Verdade e estejam dispostos a recebê-la com humildade, não se deixem transviar por tão criminosa e blasfemadora presunção, no momento de todas as decisões finais para o ser ou não ser de cada criatura!

 

Para aquele que procura realmente, o saber a respeito disso muito dará, pois vós todos não podereis viver de outra maneira do que na lei! Na lei viva!

Se sois capazes de compreender isso, é assunto vosso, pois nisso não vos posso ajudar. A humanidade perguntou, pediu, e eu respondi sobre coisas que estão muito além da capacidade de compreensão do espírito humano, que se realizam em distâncias imensas, girando nas órbitas férreas da justiça e da perfeição Divina. Com humildade incline-se a criatura humana!

 

Abdruschin

 

Excerto da dissertação “Faça-se a Luz!”, da obra “Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal”, volume III.

 

Leia a dissertação (38) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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