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Evitai os fariseus

por Círculo do Graal, em 31.05.15

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h - 10.00 h, TMG - Lisboa)

 

A expressão fariseu tornou-se um conceito que nada de bom encerra em si, mas sim significa uma associação de vaidade espiritual, hipocrisia, astúcia e às vezes também perfídia.

Indivíduos que merecem essa denominação vós os encontrais hoje por toda a parte, em todos os países e em todos os círculos.

Isso nada tem a ver com raças ou nações, e há deles hoje muito mais do que antigamente. Toda a profissão demonstra possuir os seus fariseus. A maioria, porém, pode ser encontrada lá, onde também já em todos os tempos podiam ser encontrados em grande número: entre os servos e os representantes dos templos e das igrejas.

 

E esquisito: onde quer que algum mensageiro da Luz teve de anunciar a Verdade, segundo a lei de Deus, sempre foi atacado, conspurcado, caluniado e perseguido em primeiro lugar pelos representantes e servidores dos cultos religiosos vigentes, que alegavam servir a Deus, bem como pelos seres humanos, que até se atreviam a ser representantes da Vontade Divina.

Isso sempre foi assim, desde o mais simples curandeiro e feiticeiro, até os mais altos sacerdotes. Todos, sem exceção, sempre se sentiram ameaçados pela Verdade, e agitavam por isso às escondidas ou instigavam abertamente contra cada ser humano que fora designado, agraciado ou enviado por Deus, a fim de trazer Luz a esses seres humanos terrenos.

 

Contra esse facto irrefutável não adianta qualquer negação, qualquer deturpação, qualquer atenuação, pois a história do mundo é testemunha disso. De maneira clara, inequívoca e inapagável, ela testemunha que isso nunca foi diferente e que em nenhum dos muitos casos houve uma exceção. Sempre, mas sempre, foram justamente os sacerdotes os mais ferrenhos adversários da Luz e por conseguinte inimigos de Deus, cuja Vontade não quiseram respeitar, pelo contrário, sempre combateram, opondo-lhe seu próprio querer.

Que adianta se depois vinha, às vezes, o reconhecimento, frequentemente quando para muita coisa já era demasiado tarde.

Isso apenas prova, ao contrário, que exatamente os sacerdotes nunca estiveram em condições de reconhecer em tempo certo a Verdade e a Luz.

 

O reconhecimento se encontrava sempre somente com alguns elementos do povo, mas não com os sacerdotes ou com aqueles que se ocupavam de maneira puramente profissional com a vontade de reconhecer Deus.

E esses poucos elementos do povo mantinham-se firmes até que mais tarde também os sacerdotes julgavam mais prudente seguir conforme a maneira deles, a fim de não perderem a supremacia. Os servidores e os representantes de uma crença nunca receberam de bom grado e com alegria um mensageiro de Deus. Significativo é o facto de que nem tais mensageiros nem o Filho de Deus puderam sair de suas fileiras! E é esquisito que nenhum ser humano reflita que o próprio Deus nisso sempre pronunciou a Sua sentença, mostrando assim nitidamente a Sua Vontade.

Experiências milenares confirmam continuamente que os sacerdotes nunca foram capazes de reconhecer a Verdade de Deus, mas sempre se fecharam em sua presunção diante dela; às vezes também por medo ou por indolente comodismo. Também confirmaram isso constantemente, porque sempre combateram cada mensageiro de Deus com os meios mais sórdidos que um ser humano é capaz de aplicar. Quanto a isso nem se pode discutir, pois o passado se encarrega de mostrar as mais irrefutáveis provas!

 

De todas as maneiras, e mesmo com o Filho de Deus. Também não foi o amor pela humanidade que incitou os sacerdotes, mas inveja profissional, nada mais! A verdade incomodava-os, porque nunca ensinaram fielmente a Verdade, que eles próprios não conheciam.

E para reconhecer que muito ainda não sabiam e por essa razão espalhavam conceções erradas em algumas coisas, para isso eram humanamente demasiado fracos e também incapazes, devido à preocupação de que seu prestígio pudesse ser abalado com isso.

Aprofundai-vos em pesquisas sérias da história mundial e verificareis que nunca foi diferente. Mas ser humano algum quis tirar disso uma lição. Ninguém deixa que isso sirva de advertência, porque o facto, constantemente igual, mostra-se sempre numa forma nova, de maneira que o ser humano pensa, novamente por comodidade, que justamente agora, em sua época, seja diferente. Mas conforme se deu antes, continua sendo ainda hoje. O presente não mostra qualquer diferença com relação ao passado. A tal respeito nada mudou; pelo contrário, ainda se agravou mais!

 

Ide perguntar às criaturas humanas sinceras que servem à igreja, e que apesar disso ainda têm coragem de confessar abertamente os seus sentimentos íntimos, aquelas que não têm receio de ser honestas para consigo mesmas… todas terão de confessar que ainda hoje a igreja quererá arrasar qualquer criatura humana, agitando contra ela, caso possa pôr em perigo os dogmas rígidos que apoiam as igrejas! Da mesma forma, se Jesus Cristo de súbito aparecesse caminhando novamente entre elas, como homem terreno, com a mesma aparência de outrora! E se Jesus não concordasse que elas em sua maneira possuem a única concessão certa, tratá-lo-iam logo como inimigo, e nem hesitariam em acusá-lo outra vez de blasfemador contra Deus! Lançar-lhe-iam imundícies, não deixando faltar as torpes difamações.

Assim é, e não de outra forma! O motivo de tal atuação errada não é, porém, o anseio de honrar a Deus Todo-poderoso, mas sim a luta pela influência humana, poder terrenal e sustento terreno!

 

Vós, seres humanos, porém, não tirais quaisquer conclusões úteis, para vós mesmos e para vossas pesquisas, desses muitos factos, os quais, pois, são tão facilmente reconhecíveis, já pelas brigas de todas as igrejas entre si. Levianamente vos conformais com isso.

Não penseis que também deus em Suas leis sagradas vos deixa passar! Sereis despertados de súbito e rudemente dessa preguiça irresponsável!

O segundo círculo dos inimigos da Verdade é constituído pelos presunçosos espirituais não pertencentes à casta sacerdotal.

São os vaidosos por quaisquer motivos. Trata-se por exemplo de um ser humano que talvez, segundo sua índole, tenha tido uma experiência vivencial íntima, não importa por que motivo. Não precisa ter sido sempre sofrimento, pode ser às vezes alegria, algum quadro, alguma festa; em suma, estímulos, para isso existem muitos.

Nesse único facto, que o comoveu tanto, ele se agarra, não percebendo que tal vivência mui provavelmente surgiu dele mesmo, nem sendo, por conseguinte, uma vivência verdadeira. Contudo, ele procura o quanto antes soerguer-se acima dos seus semelhantes com a autotranquilização: “Tive minha vivência e sei portanto que me encontro no verdadeiro reconhecimento de Deus!”

 

Mísero ser humano. A vivência de um espírito humano tem de ocorrer de milhares de maneiras, se ele quer realmente amadurecer para um reconhecimento mais elevado! E um tal indolente espiritual, que se julga um espírito humano terreno superior, guarda firmemente em si, como que num relicário, uma única vivência e procura não largá-la, porque pensa que com isso já aconteceu tudo e que ele já fez bastante em prol de sua vida. Os tolos, que assim agem, chegarão agora ao despertar, pois têm de verificar que dessa maneira dormiram.

Está certo, sim, se um ser humano alguma vez tem uma vivência, mas isso ainda não é o suficiente. Não deve parar, tem de continuar a andar constantemente, tem de permanecer ativo no espírito. Nesse caminho, então, logo teria constatado que sua vivência fora apenas uma transição, a fim de despertar para o reconhecimento verdadeiro.

 

Assim, porém, floresce nele a presunção espiritual, julgando-se superior aos outros que não seguem seu caminho e pertencem a outras crenças.

O ser humano tem de continuar, continuar em seu caminho através da Criação, e continuar sempre também no reconhecimento de tudo quanto encontra na Criação. Nunca deve sentir-se a salvo e vangloriar-se de uma vivência que lhe atingiu alguma vez. Continuar, continuar sempre para a frente, com toda a força. Parar é ficar para trás. E aqueles que ficam para trás correm perigo. Na ascensão, porém, os perigos estão sempre atrás de cada espírito humano, nunca na frente; disso deve estar ciente.

Por conseguinte, deixai de lado aqueles seres humanos que, tão convencidos procuram falar de si próprios. Prestai atenção em sua atuação, em seu modo de ser, e logo reconhecereis com quem estais lidando. São muitos, muitos os que pertencem a esse círculo. São frutos ocos que têm de ser jogados fora, pois não assimilam mais nada, porque em sua presunção julgam já possuir tudo.

 

O terceiro círculo dos imprestáveis são os fantasistas e os entusiastas, que, facilmente inflamáveis quanto às coisas novas prejudicam tudo o que é realmente bom. Querem sempre conquistar logo o mundo, porém desanimam logo rapidamente, quando é necessário mostrar força na perseverança, trabalhar continuamente em si próprios.

Como conquistadores se prestariam algumas vezes, se a resistência não fosse demorada e se valesse a pena cair sobre o próximo, querendo doutrinar, sem mesmo já possuir em si a base firme. Fogos-de-artifício, que depressa se inflam e logo apagam. Pertencem aos levianos, que não possuem muito valor.

A esse círculo se junta mais um, que contém aqueles seres humanos que não podem deixar de ligar seus próprios pensamentos a coisas dadas a eles, a fim de, na divulgação de uma gota de verdade, que tiveram ensejo de receber, conseguir algum brilho para si próprios!  Não podem deixar de imiscuir suas opiniões próprias, em coisas que leem ou escutam, e de continuar urdindo tudo conforme surge em sua fantasia.

 

Por sorte tais seres humanos não são numerosos, porém tanto mais perigosos, porque de um grãozinho de verdade criam e espalham falsos ensinamentos. São muito nocivos não só a si próprios, como também a muitos de seus semelhantes, na variada forma de suas atividades. Tomemos um pequeno exemplo, que todos conhecem. Romances e novelas fantásticas. Quanta coisa não é produzida criminosamente aí, baseada num aparente grãozinho de verdade, ou melhor dito, quanta coisa não produz um ser humano assim sobrecarregado de fantasias!

Não se pode admitir sempre, como motivo, que o escritor deseja apenas ganhar dinheiro, quando vai ao encontro da fantasia doentia de seus semelhantes, oferecendo-lhes as mais incríveis estórias, com as quais eles podem regalar-se arrepiados. Os motivos, na maioria das vezes, são mais profundos. Tais seres humanos querem principalmente brilhar com seus trabalhos e revelações. Querem que seu espírito brilhe perante os outros; pensam proporcionar perspetivas para pesquisas, e estímulos para feitos extraordinários.

 

Todavia, quantos disparates vêm com isso muitas vezes à luz do dia! Examinemos algumas das estórias fantásticas que foram escritas e impressas sobre marcianos! Cada linha demonstra incompreensão em face das leis de Deus na Criação. E no entanto, temos de incluir, pois, Marte na Criação, como tudo o mais.

São descritas aí criaturas que realmente se originam de uma fantasia doentia, tendo raízes no pensamento de que os seres humanos, lá, devem ser de formação completamente diferente do que aqui na Terra, porque Marte é um outro planeta.

Os esclarecimentos a tal respeito surgem através do conhecimento das leis da Criação. Esse conhecimento das leis abre então aos cientistas e aos técnicos perspetivas bem diferentes, com bases exatas, e traz com isso também, em todos os campos, progressos e êxitos bem diferentes.

 

Eu já afirmei muitas vezes que não há razão para imaginar algo diferente na Criação, porque se encontra mais longe da Terra ou porque não pode ser visto com olhos de matéria grosseira. A Criação surgiu de leis homogéneas, também é homogénea em seu desenvolvimento e é mantida também do mesmo modo homogéneo. É errado deixar agir livremente a fantasia doentia a tal respeito, ou mesmo dar-lhe atenção.

Cada ser humano da Criação posterior é uma cópia das primordialmente criadas imagens de Deus. Por isso, em toda a Criação os seres humanos trazem a única forma determinada a eles, como ser humano, mais ou menos enobrecida. Mas a forma em si é sempre reconhecível, e não pode ter, por acaso, três pernas ou, de modo geral, apenas um olho no meio da cabeça, a não ser que se trate de um monstro que apareça aqui ou acolá isoladamente. Mas nisso não há nada de básico.

 

Aquilo que não tem a forma básica humana, não pode ser denominado ser humano. Um germe espiritual, por exemplo, em seus respetivos degraus de desenvolvimento não é ainda um ser humano, mas não teria formas tão divergentes como as que são descritas pelos nocivos fantasistas.

São encontrados na matéria grosseira mediana e fina dos planos escuros e mais escuros formas fantásticas com rostos humanos, que se assemelham a animais, as quais correspondem sempre às espécies nas quais um espírito humano pensou e atuou na Terra, mas essas formas são produzidas geralmente apenas através do pensar humano. Têm temporariamente o rosto daquele ser humano que as gerou, porque descendem dele como produtos de sua mente.

 

E se um ser humano chegou mesmo a tal ponto, que fica literalmente absorvido pelo ódio ou pela inveja e outras paixões nocivas, acontece-lhe então que fora da gravidade terrestre se forma em redor de seu espírito um tal corpo. Com isso, porém, perdeu também todos os direitos de ser uma criatura humana, de maneira que também não deve nem pode ter mais semelhança com a forma das cópias das imagens de Deus. Na verdade ele não é mais um ser humano, mas decaiu para algo ainda desconhecido do ser humano terreno e por isso ainda não pôde ser designado por nenhum nome.

Contudo, falsas imaginações do cérebro de seres humanos fantasistas em breve deixarão de ser espalhadas, porque próximo está o tempo em que o saber das leis de Deus na criação terá progredido tanto, que tais coisas inverídicas desaparecerão automaticamente. E então os seres humanos rirão, quando olharem para trás, para o tempo atual, que mostra em tantas coisas nitidamente a sua ignorância.

 

 

 

Abdruschin

 

Dissertação, “Evitai os fariseus”, da obra “Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal”, volume III.

 

Leia a dissertação (34) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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