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Desenvolvimento da Criação

por Círculo do Graal, em 15.03.14

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

Já indiquei uma vez que as histórias escritas da Criação não devem ser tomadas em sentido terreno. Inclusive a história da criação na Bíblia não se refere à Terra. A criação da Terra foi exclusivamente uma consequência natural que adveio da primeira Criação em seu desenvolvimento progressivo.

É quase incompreensível que os pesquisadores das escrituras pudessem ter dado um salto tão grande, tão ilógico e lacunoso, com a suposição de que Deus, em Sua perfeição, tivesse criado imediatamente a Terra de matéria grosseira, sem transição.

Nem é preciso alterar-se a “palavra” das escrituras para nos abeirarmos da verdade dos fenómenos. Pelo contrário, a palavra da história da Criação reproduz com muito maior clareza essa verdade do que todas as demais suposições lacunosas e erradas. Apenas as interpretações erróneas é que provocaram a incapacidade de compreensão de tantas criaturas humanas.

 

Estas, mui acertadamente, sentem de modo intuitivo o erro que se comete, querendo colocar, incondicionalmente, na Terra de matéria grosseira, tão afastada do Divinal, o Paraíso mencionado na Bíblia. Não é afinal tão desconhecido assim que a Bíblia é antes de tudo um livro espiritual.Dá esclarecimentos sobre fenómenos espirituais, onde seres humanos somente são mencionados quando em conexão imediata para a elucidação dessas coisas espirituais e para ilustrá-las.

Finalmente, também se torna compreensível ao raciocínio humano, por ser natural, se a descrição da Criação feita na Bíblia, não se referir à Terra tão afastada do Criador.

 

É improvável que alguém tenha a ousadia de negar o facto de que essa Criação direta de Deus, designada como primeira, também só possa ser procurada em Sua proximidade mediata, já que saiu como primeira do próprio Criador e por isso tem que estar em conexão mais íntima com Ele. Ninguém, pensando serena e claramente, esperará que essa primeira e verdadeira Criação se tenha processado exatamente aqui na Terra, que mais se acha afastada do Divinal, e que só se formou no curso progressivo da evolução.

Não podia tratar-se, portanto, de um Paraíso na Terra. O que Deus criou, conforme está categoricamente expresso na história da Criação, permaneceu explicita e diretamente ligado a Ele, devendo achar-se somente em Seu ambiente mais próximo. Da mesma forma facilmente explicável e natural é a conclusão de que tudo quanto foi criado ou emanado nessa contiguidade tão chegada ao Criador, conserve também a maior semelhança com a Sua perfeição.

 

Mas imaginar isso na Terra de matéria grosseira, há-de criar duvidadores. A ideia duma expulsão do Paraíso terrestre, devendo porém tais expulsos permanecerem sobre essa mesma Terra, demonstra tanto de doentio, é tão visível e grosseiramente transladada para o terrenal, que quase pode ser chamada de grotesca. Uma imagem morta que traz o cunho dum dogma forçadamente introduzido, com o que nenhum ser humano sensato sabe o que fazer.

Quanto menos perfeito, tanto mais longinquamente afastado da perfeição. Também os seres espirituais criados da perfeição não podem ser os seres humanos da Terra, mas devem se achar na maior proximidade dessa perfeição e constituir, por isso, os modelos mais ideais para os seres humanos. São os espíritos eternos, que nunca vêm à materialidade, e que portanto não se tornam seres humanos terrenos. Figuras ideais irradiantes que atraem qual ímãs, atuando também de maneira a fortalecer todas as faculdades dos germes espirituais humanos, que mais tarde se tornarão espíritos conscientes.

 

O Paraíso, que na Bíblia é chamado como tal, não deve por conseguinte ser confundido com a Terra.

Para esclarecimento mais detalhado, torna-se necessário mais uma vez apresentar um quadro completo de tudo o que existe, a fim de tornar mais fácil à pessoa perscrutadora achar o caminho para o Reino eterno de Deus, o Paraíso, do qual descende em seus primórdios espirituais.

O ser humano imagina o Divinal como o que há de superior e altíssimo. O próprio Deus, como ponto de partida de todo o existente, como fonte primordial de toda a vida, é Inenteal em Sua perfeição absoluta. Após o próprio Deus, em Sua inentealidade intrínseca, segue-se o círculo do Divino-Enteal. Deste originam-se os primeiros seres que tomaram forma. A esses pertencem em primeira linha a Rainha primordial e os arcanjos, e por último pequeno número de anciãos. Estes últimos são de grande importância para o desenvolvimento progressivo do espírito-enteal, assim como mais adiante os seres do enteal-consciente têm grande importância para o desenvolvimento da matéria. Lúcifer foi enviado do Divino-enteal, a fim de ser um apoio direto à Criação em seu desenvolvimento autónomo progressivo.

O Filho de Deus veio, porém, do Divino-inenteal, como uma parte que depois de sua missão de auxílio tem de retornar ao Divino-inenteal, a fim de reunificar-se com o Pai. O Filho do Homem descende igualmente do Divino-inenteal. Devido à ligação com o espírito-enteal-consciente, sua apartação cumpriu-se como necessidade de permanecer separado e também ao mesmo tempo estar imediatamente ligado com o Divino-inenteal, a fim de que possa ficar eternamente como mediador entre Deus e Sua obra.

Depois que Lúcifer, procedente do Divino-enteal, falhou em sua atuação, teve que ser enviado em seu lugar um mais forte, que o algemasse e auxiliasse a Criação. Por isso descende o Filho do Homem, a isso destinado, do Divino-inenteal.

 

Ao Divino-enteal se liga, pois, a Criação primordial, o eterno Reino de Deus. Está em primeiro lugar como o mais próximo, o espírito-enteal consciente, que consiste de seres espirituais criados, eternos, também chamados espíritos. Estes são as figuras ideais perfeitas para tudo aquilo a que os espíritos humanos podem e devem almejar em seu mais alto desenvolvimento. Eles atraem magneticamente para cima os que se esforçam por ascender. Essa ligação automática se faz sentir, aos que procuram e se esforçam em ascender, como uma saudade muitas vezes inexplicável, que lhes outorga o impulso para procurar e se esforçar em ascender.

São os espíritos que jamais nasceram na matéria e que o próprio Deus, fonte primordial de todo o ser e de toda a vida, criou como os primeiros espíritos primordiais, que, portanto, também se aproximam mais de Sua própria perfeição. São eles, igualmente, os que são segundo à Sua imagem!

 

Não se deve omitir que a história da Criação está expressamente dito: segundo Sua imagem. Essa indicação também não está aqui sem significação, pois só segundo Sua imagem podem eles ser, não segundo Ele próprio; por conseguinte, apenas como Ele se mostra, porque o próprio puro Divinal é, como único, inenteal.

Para se mostrar, conforme já foi mencionado, Deus tem que Se cobrir antes com o Divino-enteal. Mas mesmo assim não poderá ser visto pelos espírito-enteais, mas apenas pelos Divino-enteais, e isso também apenas em parte reduzida, pois tudo quanto é puro Divinal terá que ofuscar, em sua pureza perfeita e claridade, o que não é Divinal. Mesmo os Divino-enteais não conseguem contemplar o semblante de Deus! A diferença entre o Divino-inenteal e o Divino-enteal ainda é demasiadamente grande para isso.

 

Nesse paraíso dos espírito-enteais conscientes vive simultaneamente o espírito-enteal inconsciente. Encerra as mesmas bases de que se compõe o espírito-enteal consciente, isto é, os germes para isso. Nesses germes, porém, reside vida, e em toda a Criação a vida impulsiona para o desenvolvimento, segundo a Vontade Divina. Para o desenvolvimento a fim de se tornar consciente. Este é um processo todo natural e sadio.

Tornar-se consciente, porém, só pode emergir da condição inconsciente através de experiências, e esse impulso para o desenvolvimento progressivo através da experiência acaba expelindo automaticamente tais germes em amadurecimento ou em fase de impulsão, do espírito-enteal inconsciente, ou, como se queira dizer, para fora dos limites do espírito-enteal. Uma vez que esse expelir ou impelir dum germe não pode se dar para cima, tem ele que tomar o caminho para baixo, que lhe é livre.

E essa é a expulsão natural do Paraíso, do espírito-enteal, necessária ao germe espiritual que se esforça por se tornar consciente!

 

De modo figurado é isso mui acertadamente transmitido, quando é dito: “Com o suor de teu rosto deverás comer teu pão.” Quer dizer, na azáfama das experiências com a necessidade que aí surge de defender-se e de lutar contra as influências oriundas do ambiente inferior, no qual penetra como estranho.

Esse expelimento, impelimento ou expulsão do Paraíso não é castigo algum, mas é uma necessidade absoluta, natural e automática, ao se manifestar uma determinada maturação em cada germe espiritual pelo anseio para o desenvolvimento da conscientização. É o nascimento proveniente do espírito-enteal inconsciente para a entealidade, e depois, para o material com a finalidade de desenvolvimento. Por conseguinte, um progresso, não acaso um retrocesso!

[…]

Outra sequência da evolução foi o surgimento da matéria. Esta se subdivide em matéria fina, que compreende muitas secções, e em matéria grosseira, que, começando com a mais ténue névoa, torna-se visível aos olhos terrenos!

Mas num paraíso na Terra, ramificação extrema da matéria grosseira, não se pode pensar. Deve um dia vir na Terra um reflexo do verdadeiro Paraíso, sob a mão do Filho do Homem, no princípio do Reino do Milénio, como também surgirá com isso, ao mesmo tempo, uma cópia terrena do Supremo Templo do Graal, cujo modelo se encontra na parte mais excelsa da Criação, como o único verdadeiro Templo de Deus existente até aqui.

 

 

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação, “Desenvolvimento da Criação”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 230) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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