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Criatura Humana

por Círculo do Graal, em 13.09.14

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

Sempre de novo surgem novas ondas de indignação e lançam seus círculos sobre estados e países, provocadas por minha afirmação de que a Humanidade nada tem de Divino em si. Isso mostra quão profundamente a presunção lançou raízes nas almas humanas, e com que pouca vontade querem elas se separar disso, mesmo quando seu sentimento intuitivo, advertindo aqui e acolá, já surja à tona, deixando-as reconhecer que, contudo, finalmente tem de ser assim.

O relutar, no entanto, não modifica em nada o facto. Os espíritos humanos são até menores ainda, mais insignificantes do que julgam, quando, de modo penoso, já tiverem chegado interiormente à convicção de que lhes falta tudo o que se refere ao Divino.

Por isso quero ir ainda além do que até agora, estirar mais um pouco ainda a Criação, a fim de mostrar a que degrau pertence o ser humano. Certamente não é bem possível que possa iniciar com a ascensão, sem antes saber exatamente o que ele é e o que ele pode. Ciente disso, então sabe finalmente ainda o que deve!

Isso, porém, é bem diferente de tudo o que hoje quer! E quão diferente!

 

Não desperta mais piedade naquele a quem é dado ver claramente. Entendo com “ver” não a visão de um vidente, mas a de um sábio. Ao invés de piedade e compaixão, só há-de surgir agora apenas ira. Ira e desprezo por causa da ilimitada arrogância perante Deus, que centenas de milhares presunçosamente praticam todos os dias e a todas as horas, renovadamente. Numa presunção que não encerra nem uma sombra de saber. Não vale a pena gastar nisso uma palavra sequer.

O que eu disser doravante, destina-se àqueles poucos que devido à sua pura humildade ainda podem chegar a certo reconhecimento, sem terem antes de ser tão arrasados, conforme acontecerá brevemente segundo as leis Divinas, para finalmente proporcionar ingresso à verdadeira Palavra Dele, e abrir solo fértil para tanto!

Toda a vazia e eloquente obra artificial dos que se julgam sabidos terrenalmente, cairá em ruínas concomitantemente com o atual solo, completamente estéril!

Urge que esse palavrório vazio, que atua como veneno sobre tudo o que se esforça para cima, desmorone por si mesmo com toda a sua vacuidade.

Mal estabeleci a separação entre o Filho de Deus e o Filho do Homem, como duas personalidades, assim surgem tratados querendo esclarecer com confusões teológicas e filosóficas que assim não é. Sem entrar objetivamente na minha indicação, procura-se conservar o erro antigo a qualquer preço, mesmo pelo preço da objetividade lógica, no modo turvo dos dogmas de até então. Teimosamente se agarram a algumas frases das velhas escrituras, excluindo qualquer pensamento próprio e assim também, com a condição não expressa de que os ouvintes e leitores, igualmente, não devem refletir, menos ainda intuir, pois do contrário rapidamente se reconhece que com aquelas numerosas palavras nada fica fundamentado, porque fica impossível uma conclusão certa, quer para trás quer para diante. Ainda mais visivelmente, porém, falta àquelas muitas palavras uma conexão com o fenómeno real.

Quem nisso finalmente se tornar capaz de abrir seus ouvidos e seus olhos, sem mais nada terá de reconhecer a nulidade de tais “doutrinações”; é um derradeiro agarrar-se, que já não se pode mais denominar como um segurar-se a um apoio de até então, o qual em breve se evidenciará como nada.

 

A única fundamentação é formada por frases, cuja transmissão certa não pode ser comprovada, as quais, pelo contrário, devido à impossibilidade de inclusão lógica nos fenómenos universais, mostram bem nitidamente que seu sentido chegou à retransmissão de modo desfigurado pelo cérebro humano. Nenhuma delas pode ser incluída nos fenómenos e no sentimento intuitivo, sem lacunas. Mas somente onde tudo se fecha num círculo completo, sem fantasias e sem palavras de crença cega, aí todos os fenómenos são esclarecidos de modo certo!

Contudo, por que esforçar-se, se o ser humano não quer libertar-se de tal ideia fixa! Aconteça, pois, calmamente o que nessas condições agora terá de acontecer.

Afasto-me com horror dos fiéis e de todos aqueles que, em sua falsa humildade e devido a tanto saber melhor, não reconhecem uma verdade singela, rindo dela até ou ainda querendo melhorá-la benevolentemente. Quão depressa exatamente esses se tornarão tão pequenos, pequenos mesmo, perdendo todo o apoio, porque não o têm na crença nem no seu saber. Terão o caminho que obstinadamente querem manter, pelo qual não mais poderão voltar para a vida. O direito de escolha jamais lhes foi negado.

 

Os que até aqui me acompanharam sabem que o ser humano se origina da parte suprema da Criação: do espiritual. Contudo, muitas diferenças têm de ser registadas ainda na região do espiritual. O ser humano terreno que se atreve a querer ser grande, que frequentemente nem hesita em rebaixar seu Deus para o supremo daquele degrau ao qual ele pertence, que às vezes ousa negá-Lo ou injuriá-Lo, na realidade nem é aquilo que no melhor sentido um ou outro humilde julga ser. O ser humano terreno não é nenhum ser criado, mas apenas um ser desenvolvido. É uma diferença que a criatura humana não pode imaginar. Uma diferença que jamais conseguirá abranger livremente.

As palavras são belas e bem-vindas a muitos, e inúmeros precetores as trazem nos lábios, a fim de aumentar o número de adeptos. Contudo, até mesmo esses precetores ignorantes estão ainda convictos de todos os erros que propagam e não sabem como é grande o dano que assim causam aos seres humanos!

 

Somente a certeza com relação àquela grande pergunta pode conduzir a uma ascensão: “Que sou eu?” Se ela não for resolvida antes de modo bem radical, reconhecida, então a ascensão tornar-se-á amargamente difícil, pois voluntariamente os seres humanos não se dignam a tal humildade, que lhes proporcionaria o caminho certo, o qual, outrossim, realmente podem seguir! Todos os acontecimentos têm comprovado isso de modo claro até à época atual.

A própria humildade ou fez desses homens escravos, o que é tão errado quanto a presunção, ou com essa humildade ultrapassaram em muito o alvo propriamente, e puseram-se num caminho a cujo fim jamais podem chegar, porque a constituição do espírito não é suficiente para isso. E por isso caem numa profundeza, que os faz despedaçarem-se, porque antes quiseram ser superiores demais.

 

Apenas os seres criados são imagens de Deus. São os primordialmente criados, espíritos primordiais naquela verdadeira Criação, da qual tudo o mais pôde se desenvolver. Nas mãos desses encontra-se a direção suprema de todo o espiritual. São os ideais, modelos eternos para a humanidade inteira. O ser humano terreno, porém, só pôde desenvolver-se como cópia dessa Criação constituída. Do pequenino germe espiritual inconsciente até uma personalidade autoconsciente.

Somente plenamente desenvolvido pela observância do caminho certo na Criação torna-se cópia das imagens de Deus! Ele mesmo, de modo algum, é a própria imagem! De permeio jaz ainda um grande abismo até ele, embaixo!

Mas também das legítimas imagens, o próximo passo fica ainda longe de Deus. Por isso uma criatura humana terrena, finalmente, devia reconhecer tudo aquilo que se encontra entre ela e a sublimidade da Divindade, que tanto se esforça por arrogar a si. O ser humano terreno julga tornar-se Divino, quando plenamente desenvolvido, ou pelo menos uma parte disso, ao passo que em sua máxima elevação apenas se tornará a cópia de uma imagem de Deus! Permitido lhe é chegar até o átrio, aos vestíbulos de um Templo do Graal, como máxima distinção que possa ser conferida a um espírito humano.

 

Lançai fora, finalmente, essa presunção que só vos pode tolher, uma vez que com isso perdeis o caminho luminoso. Os que se acham no Além, querendo dar doutrinas bem-intencionadas nos círculos espíritas, nada sabem a respeito, pois a eles próprios ainda falta o necessário reconhecimento para tanto. Poderiam rejubilar-se, se lhes fosse permitido ouvir a respeito disso. Igualmente entre eles não deixará de vir o grande lamento, quando chegar o reconhecimento do tempo perdido em brincadeiras e obstinações.

Assim como na região espiritual, também é no enteal. Aqui os guias de todos os elementos são os enteais primordialmente criados. Todos os enteais se conscientizam, como as ondinas, os elfos, os gnomos, as salamandras etc., não são entes criados, mas apenas desenvolvidos, oriundos da Criação. Desenvolveram-se, portanto, da parte enteal, desde a semente enteal inconsciente até o enteal consciente, pelo que, na conscientização, adquirem também formas humanas. Isso se processa sempre, simultaneamente com a conscientização. Existe no enteal a mesma gradação que no espiritual.

Os primordialmente criados dos elementos no enteal, da mesma maneira que os primordialmente criados no espiritual têm, segundo a espécie de sua atividade, forma masculina ou feminina. Daí o conceito na antiguidade de deuses e deusas. É aquilo a que já me referi na minha dissertação “Deuses, Olimpo, Valhalá”.

Uma grande e uniforme disposição perpassa a Criação e o Universo!

[…]

Quando sementes espirituais partem da Criação, isto é, do Paraíso, seguindo um impulso por elas escolhido, a fim de proceder a uma peregrinação por aquele mundo, então pode se dizer, evidentemente e de modo figurado, que os filhos deixam a terra natal, a fim de aprender e depois voltar, se for tomada figuradamente. Tudo, no entanto, deve permanecer sempre figuradamente, não devendo ser transformado no sentido pessoal, conforme tenta-se por toda a parte.

Visto que o espírito humano só se carrega de culpa no mundo, por ser impossível algo assim no espiritual, evidentemente também não pode voltar para o reino espiritual, antes que se liberte da culpa que nele pesa. A tal respeito eu poderia tomar milhares de imagens, todas poderiam ter em si somente o único sentido fundamental que muitas vezes já dei na efetivação das simples três leis básicas.

 

Sou estranho a tantos, quando descrevo o fenómeno de modo objetivo, porque p que é figurado lisonjeia a sua presunção e o amor-próprio. Prefere permanecer no seu mundo de sonhos, pois aí tudo soa muito mais bonito, aí ele próprio se sente muito mais importante do que realmente é. Comete assim o erro de não querer ver o que é objetivo nisso, excedendo-se em fantasias, perde assim o caminho e seu apoio, ficando, apavorado, talvez até revoltado, quando lhe mostro agora com toda a simplicidade e sobriamente, como a Criação é, e qual o papel que ele realmente representa nela.

É para ele uma transição, como a de uma criança pequena que ouvisse nos braços afáveis da mãe ou da avó contos, com os olhos cintilantes e as faces empolgadas de entusiasmo, para então ver, finalmente, o mundo e os seres humanos na realidade. Completamente diferente do que soa nos belos contos, contudo idêntico no fundo, numa análise mais rigorosa e retrospetiva desses contos. O momento é amargo, porém necessário, senão criança alguma poderia progredir, sucumbindo como “estranha ao mundo”, com grande sofrimento.

 

Aqui não é diferente. Quem quiser ascender mais, terá que conhecer finalmente a Criação em toda a sua realidade. Terá que andar firme nos pés, não deve mais devanear em sentimentos que servem bem para uma criança irresponsável, mas não para uma pessoa madura, cuja força de vontade traspassa a Criação de modo beneficente ou perturbador, e assim a soergue ou a destrói.

Moças que leem romances, os quais apresentados inveridicamente apenas encobrem a vida real, experimentarão mui rapidamente amargas deceções na vida com a fantasia assim despertada, mui frequentemente ficarão até traumatizadas por toda a sua existência terrena, como presa fácil da falsidade inescrupulosa, da qual se aproximaram confiantemente. Não é diferente na evolução dum espirito humano na Criação.

Por isso, fora com tudo o que é figurado, que o ser humano nunca aprendeu a entender por ter sido demasiadamente comodista para a seriedade de uma interpretação certa. É chegado o tempo dos véus caírem, e ele ver claramente, de onde veio, quais as obrigações impostas pela sua incumbência e também para onde terá de ir. Para tanto necessita do caminho! E esse caminho ele o vê claramente desenhado na minha Mensagem do Graal, pressuposto que o queira ver.

 

A Palavra da Mensagem do Graal é viva, de modo que só se deixa encontrar profusamente por aquelas pessoas que têm na alma realmente sincero anseio! Tudo o mais ela repele automaticamente. Para os presunçosos e para os que procuram apenas superficialmente, a Mensagem permanece o livro com sete selos!

Somente quem se abrir espontaneamente, receberá. Se ele começa a leitura de antemão com disposição certa e autêntica, tudo o que procura florescer-lhe-á em maravilhosa realização! Todavia os que não forrem de coração inteiramente puro serão repelidos por essa Palavra, ou ela se fechará ante os falsos olhares. Não encontrarão nada!

 

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação, “Criatura Humana”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 412) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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