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Cismadores

por Círculo do Graal, em 18.10.14

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

A pessoa que passa os seus dias terrenos cismando a seu próprio respeito jamais poderá ascender, pelo contrário, permanece tolhida.

Tantas pessoas, porém, vivem na opinião de que exatamente esse cismar e auto observar sejam algo extraordinariamente grande, com o que progridem rumo ao alto. Empregam muitas palavras para isso, as quais escondem o verdadeiro núcleo. Um cisma no arrependimento, o outro na humildade. Ainda há aqueles que, cismando intensamente, procuram descobrir seus defeitos e o caminho para evitá-los, e assim por diante. Permanece um constante cismar, que raramente ou nunca lhes permite chegar à verdadeira alegria.

Assim, não é desejado. O caminho é falso, não conduz nunca aos reinos luminosos e livres. Pois com o cismar o ser humano se ata! Dirige o seu olhar forçosamente para si, ao invés de voltá-lo para um alvo elevado, puro e luminoso!

Um riso alegre, cordial, é o maior adversário das trevas. Só que não deve ser um riso malicioso!

Ao contrário disso o cismar deprime. Só nisso já reside um esclarecimento de que ele retém em baixo e também puxa para baixo.

O verdadeiro núcleo do constante cismar não é, outrossim, uma vontade boa, mas tão só vaidade, ambição e presunção! Não é anseio puro pela Luz, mas sim mania de auto presunção que dá o motivo para o cismar, incentivando-o sempre de novo e nutrindo-o continuamente!

 

Atormentando-se a si mesma, uma tal pessoa medita sempre e sempre de novo a seu próprio respeito, observa com afinco os prós e contras que se alternam no processo de sua alma, irrita-se, consola-se, para finalmente, com um profundo suspiro de repousante auto satisfação, verificar ela mesma que mais uma vez conseguiu “superar” algo, tendo avançado mais um passo. Digo aqui, propositalmente, “verificar ela mesma”, pois realmente só ela verificará a maior parte, e essas verificações próprias são sempre apenas auto ilusões. Na realidade não progrediu passo algum, pelo contrário, comete sempre de novo os mesmos erros, não obstante julgar que não sejam mais os mesmos. Mas são eles, sempre os antigos, apenas se altera a forma.

Assim, tal pessoa jamais progride. Contudo, com a auto observação julga superar um erro após o outro. Com isso gira sempre em círculo em redor de si própria, enquanto o mal fundamental, nela inerente, cria apenas novas formas, permanentemente.

Uma pessoa que sempre se observa e cisma a seu próprio respeito é a corporificação do lutador contra a serpente de nove cabeças, para a qual cresce de novo cada cabeça, tão logo seja decepada, pelo que a luta não chega a um fim, e nem se nota vantagem alguma do lado do lutador.

Assim é realmente o fenómeno de matéria fina, na atuação do cismador, o que na antiguidade as pessoas ainda podiam ver, quando outrora consideravam tudo quanto não fosse de matéria grosseira como deuses, semideuses ou demais espécies de entes.

 

Apenas quem visa um alvo elevado, livremente, com vontade alegre, portanto, dirigindo os olhos na direção do alvo, sem mantê-los, porém, sempre voltados sobre si próprio, esse progride e ascende rumo às alturas luminosas. Nenhuma criança aprende a andar sem levar muitos tombos, mas quase sempre sorrindo se levanta novamente, até adquirir firmeza nos passos. Assim tem de ser a criatura humana, no caminho através do mundo. De forma alguma desanimar ou queixar-se de modo lastimoso, se cair uma vez. Levantar-se corajosamente e experimentar de novo! Apropriar-se ao mesmo tempo dos ensinamentos da queda, porém na intuição, e não com o raciocínio observador. Então chegará também o momento, inteiramente repentino, em que não é de se temer mais qualquer queda para ele, por ter assimilado tudo o que assim aprendeu.

Assimilar, porém, ele só pode pelo próprio vivenciar. Não pela observação. Um cismador nunca chega ao vivenciar, pois pela observação se coloca sempre fora de cada vivência, olhando para si próprio como para um estranho, dissecando e decompondo, ao invés de intuir plenamente a respeito de si próprio. Mas se ele olha para si, tem de ficar ao lado da intuição; isso já está na expressão: olhar para si, observar-se!

Com isso está explicado, outrossim, que ele somente serve ao raciocínio, que não só tolhe o verdadeiro vivenciar na intuição, mas exclui totalmente. Ele não deixa que o efeito de cada fenómeno externo da matéria ultrapasse além do cérebro anterior, o qual é o primeiro a recebê-lo. Ali é retido, presunçosamente dissecado e decomposto, de modo que não alcança o cérebro da intuição, somente através do qual o espírito poderia assimilá-lo para um vivenciar.

 

Portanto, atentai nas minhas palavras: assim como o espírito humano tem de canalizar sua atividade de dentro para fora, de modo lógico, através do cérebro da intuição para o cérebro do raciocínio, do mesmo modo fenómenos externos somente podem atuar retroativamente pelo mesmo caminho, se tiverem de ser recebidos pelo espírito humano como vivências.

A impressão de fenómenos externos, provenientes da matéria, tem de passar, portanto, sempre oriunda de fora, através do cérebro anterior do raciocínio, pelo cérebro posterior da intuição até o espírito. Não diferentemente. Ao passo que a atuação do espírito tem de seguir o mesmo percurso em sentido inverso, em direção para fora, porque só o cérebro da intuição possui a faculdade de receção das impressões espirituais.

O cismador, porém, retém obstinadamente a impressão do fenómeno externo no cérebro anterior do raciocínio, dissecando-o e decompondo-o aí, e não o retransmite, integralmente ao cérebro da intuição, mas apenas em parte, e essas partículas ainda são transmitidas adulteradas, devido à atividade mental forçada; portanto, não mais tão verdadeiro como era.

Por isso também não lhe pode advir nenhum progresso, nenhum amadurecimento espiritual, que só o verdadeiro vivenciar de fenómenos externos propicia.

 

Sede, nisso, como as crianças! Assimilai integralmente, e vivenciai-o em vós, imediatamente. Então refluirá de volta através do cérebro da intuição para o cérebro do raciocínio, podendo daí, ou sair preparado para uma eficaz e vigorosa defesa, ou atuar para uma ampliada capacidade de receção, segundo a espécie dos fenómenos externos, cujas irradiações se denominam influências ou impressões de fora.

Para o aprendizado nisso servirá também o Reino do Milénio, que deverá ser o reino da paz e da alegria, o Reino de Deus na Terra. Com isso os seres humanos entendem, novamente, algo errado com seus exigentes desejos, porque devido à sua presunção nada mais pode se formar de modo certo e sadio. Com a expressão Reino de Deus na Terra, surge um alegre estremecer pelas fileiras de todos aqueles que o esperam. Imaginam com isso, realmente, uma dádiva de alegria e de felicidade que corresponda plenamente a seu anseio de uma vida tranquila e folgada. Será, porém, a época de absoluta obediência para toda a humanidade!

Hoje ninguém quer supor que haja nisso uma exigência! Que a vontade dos seres humanos e seu desejar tenham, finalmente, que se orientar inteiramente de acordo com a vontade de Deus!

                                                                                                        

E surgirá paz, alegria, porque tudo quanto perturba será removido à força da Terra e mantido afastado no futuro. A isso pertence agora, em primeira linha, a criatura humana. Porque unicamente ela trouxe a perturbação na Criação e na Terra. Mas de determinada hora em diante um perturbador não mais conseguirá viver nesta Terra.

Isto será realizado pela alteração das irradiações, que chegará a efetivar-se através da estrela do Filho do Homem. A paz será imposta, não presenteada, e a manutenção da paz, então, exigida de modo rigoroso e implacável!

Assim será o reino da paz e da alegria, o Reino de Deus na Terra, no qual o ser humano terá de ser destituído do domínio de sua vontade, que até agora lhe foi permitido, uma vez que ele, como espiritual entre os desenvolvidos nesta Terra, como a criatura mais elevada, também tem que dominar, correspondendo incondicionalmente às leis primordiais da Criação.

Somente esse ser humano ainda poderá subsistir no futuro, e toda a criatura que voluntariamente se orientar pela vontade de Deus! Portanto, vive, pensa e atua segundo essa Vontade! Isso, unicamente, oferece a possibilidade de vida no vindouro Reino do Milénio!

 

Abdruschin

 

Dissertação, “Cismadores”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume III.

Leia a dissertação (Pág. 15) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

 

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