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Agradecimento

por Círculo do Graal, em 20.06.15

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h - 10.00 h, TMG - Lisboa)

 

Obrigado! Mil vezes obrigado!” Estas são palavras que cada ser humano certamente já pôde ouvir muitas vezes. São pronunciadas com tão diversas entonações, que não podem ser classificadas simplesmente numa determinada espécie, conforme o sentido das palavras efetivamente condiciona.

Justamente aqui o sentido das palavras só vem em consideração em segundo ou até em terceiro lugar. É muito mais o tom, o timbre, que emprestam valor às palavras ou mostram sua falta de validade.

Em muitos casos, quando não em todos, trata-se apenas de uma expressão de hábito superficial, nas formas diárias da cortesia social. É então como se nem tivessem sido pronunciadas, permanecem palavras vazias, que, para todos aos quais são dirigidas, mais parecem ofensas do que reconhecimento. Só algumas vezes, e isso mui raramente, se pode ouvir nelas uma vibração que testemunhe o sentimento intuitivo de uma alma.

 

Não é preciso possuir uma audição extraordinária para reconhecer qual a intenção do ser humano que pronuncia tais palavras. Nem sempre há algo de bom nisso, pois as vibrações das almas são, para as mesmas palavras, muito diversificadas.

Nisso pode mostrar-se o descontentamento ou a deceção, sim, até inveja e ódio, mentira e algum malquerer. De todas as maneiras essas bonitas palavras de verdadeiro agradecimento são frequentemente utilizadas de modo abusivo, para encobrir assim com cuidado outra coisa, quando não permanecem totalmente vazias e só por isso ainda são pronunciadas, como mera formalidade de acordo com o uso e costume, ou por hábito.

Em geral é a expressão das pessoas habituadas a receber, que sempre têm na boca essas palavras, mantendo-as sempre prontas para tudo, irrefletidamente, semelhante à tagarelice dos intermináveis rosários de múltiplas fórmulas de orações, que são encontradas frequentemente, as quais, no entanto, são somente uma afronta à santidade e grandeza de Deus, no seu monótono palavreado, sem a mínima intuição!

 

Iguais a flores maravilhosas em solo árido, porém, brilham na Criação de maneira notável aqueles casos, onde as palavras são usadas verdadeiramente segundo aquele sentido que procuram exprimir, onde, portanto, a alma vibra no teor da palavra, onde as palavras formadas se tornam realmente a expressão de puras vibrações da alma, conforme sempre deve ser, quando um ser humano forma palavras!

Se refletirdes bem, tudo quanto é falado sem intuição ou permanece mero tagarelar vazio, com o qual o ser humano desperdiça o tempo que devia ser empregado de maneira diferente, ou só pode conter falso querer, quando as palavras simulam algo a seus semelhantes, que a pessoa que fala não sente. Coisa sadia, construtiva, nunca pode surgir disso. Isso as leis da Criação impedem.

Não ocorre de maneira diferente, mesmo que seja bastante triste e mostre nitidamente todo o lodaçal que os seres humanos com seu múltiplo falatório amontoam na região da fina matéria grosseira, que age retroativamente sobre a existência terrena e que toda a alma humana tem de transpor primeiramente, antes de poder ingressar nas regiões mais leves.

 

Nunca vos esqueçais de que cada uma de vossas palavras faz surgir uma forma, que mostra claramente a contradição do vosso sentimento intuitivo com as palavras, quer queirais ou não. Nada podeis mudar nisso. Refleti sobre isso em tudo quanto falardes. Mesmo que para vossa felicidade sejam apenas configurações leves, que logo desaparecem, ainda assim sempre vos resta o perigo de que tais configurações recebam repentinamente afluências de um lado completamente estranho, que as fortaleçam e condensem na mesma espécie, fazendo com que cheguem a atuar, o que tem de se tornar maldição para vós.

Por esse motivo, procurai chegar ainda ao ponto de falar apenas aquilo em que vibra vossa alma.

Julgais que isso nem seja possível na Terra, porque em relação ao atual hábito poderíeis ter muito pouco a dizer e a vida ameaçaria tornar-se monótona e tediosa, principalmente nas horas de convívio social. Há muitas pessoas que pensam assim e receiam isso.

 

Contudo, quando o ser humano tiver chegado até tal ponto com seu pensar, verá também quanta coisa de seu tempo terreno de até então teve de ficar completamente sem conteúdo, sem valor e com isso sem finalidade. Então não lamentará mais tais futilidades de muitas horas e, bem pelo contrário, no futuro terá medo disso.

O ser humano em si é tão vazio quanto o seu ambiente e tem de procurar encher o seu tempo com palavras ocas, somente para se comunicar socialmente com seus semelhantes. Mas isso ele não confessa a si mesmo. Consola-se com o facto de que não pode falar sempre só coisas sérias, de que assim se tornaria tedioso aos outros; em suma, que só é culpa dos outros, se não fala daquilo que talvez ainda o sensibilize.

 

Mas com isso ilude-se a si mesmo. Pois se o seu próximo de facto for como ele julga, isso é uma prova de que ele próprio nada tem de diferente a oferecer, visto que somente a espécie igual forma, na atração, o seu ambiente, com o qual ele se relaciona. Ou seu ambiente fez com que fosse atraído pela espécie igual. As duas hipóteses vêm a dar no mesmo. O ditado popular já está certo nisso quando afirma: “Diz-me com quem andas, que eu direi quem és!”

Seres humanos vazios, que não almejam conseguir o verdadeiro conteúdo de suas vidas, fugirão daquelas pessoas que trazem em si valores espirituais.

Valores espirituais ninguém pode esconder, pois o espírito tende naturalmente para a atividade, segundo a lei do movimento da Criação, desde que não esteja enterrado no ser humano, mas sim realmente ainda vivo.

[…]

A gratidão não é nenhuma virtude! Não deve e não quer ser contada entre as virtudes. Pois toda virtude é de Deus e por isso ilimitada.

Tampouco deve a verdadeira gratidão ser classificada como um dever! Pois então não poderá desenvolver em si aquela vida, aquele calor de que necessita para receber, pelo efeito recíproco, a bênção de Deus advinda da Criação!

A gratidão acha-se estreitamente ligada à alegria! Ela própria é uma expressão da mais pura alegria. Onde, portanto, a alegria não constitui a base, onde o impulso alegre não é a causa para o agradecimento, aí está falsamente empregada a expressão gratidão, aí se abusa dela!

Em tais casos ela nunca será capaz de desencadear aquela alavanca que a verdadeira gratidão desencadeia de maneira automática segundo as leis da Criação. A bênção faltará então. Em seu lugar tem de advir confusão.

Tal abuso, porém, é encontrado quase em toda a parte, onde os seres humanos hoje falam de gratidão, de agradecimento.

 

O agradecimento realmente sentido intuitivamente é um valor de compensação desejado por Deus, que proporciona o equivalente àquele a quem cabe o agradecimento, em obediência à lei da compensação necessária nesta Criação, que só pode ser conservada e beneficiada pela harmonia que se encontra no cumprimento de todas as leis primordiais da Criação.

Vós, seres humanos, porém, causais emaranhamentos em todos os fios das leis vigentes. E isso através de vossas utilizações erróneas e interpretações falsas. Por isso dificultais também a obtenção da verdadeira felicidade e da paz. Com vossas palavras sois hipócritas na maioria dos casos. Como podeis esperar que daí floresçam a verdade e a felicidade para vós? Tendes, pois, de colher sempre aquilo que semeardes.

Também tudo aquilo que semeais com vossas palavras e pela maneira como empregais as palavras! Como vós próprios vos colocais em relação a essas vossas palavras.

Nada diferente pode surgir daí para vós, isso deveis ter presente em tudo quanto falardes!

 

Pensai sobre isso em cada anoitecer, procurai reconhecer o conteúdo das palavras que trocais no decorrer do dia em vossas relações com o próximo e ficareis espantados diante do vazio! Já da falta de conteúdo de muitas horas de apenas um único dia! Fazei essa tentativa, sem atenuantes. Com horror tereis de ver o que daí também tem de se formar para vós na oficina da Criação bem conhecida de vós através da minha Mensagem, com os efeitos automáticos de tudo quanto emana de vós, no intuir, pensar, falar e agir!

Examinai-vos com seriedade e sincero reconhecimento. Dessa hora em diante modificar-vos-eis em muitas coisas.

Não que devais ficar calados por isso na vida terrena, a fim de seguirdes o caminho certo. Mas deveis evitar superficialidades no falar, bem como a falta de sinceridade que se esconde atrás da parte principal de todas as conversas desses seres humanos terrenos.

 

Pois assim como fazeis com as expressões de agradecimento, agis também com todas as vossas conversas e contudo louvais aí em vós próprios aqueles momentos, como sendo sublimes, sérios, solenes e importantes, em que vós, com vossas palavras, dais também simultaneamente vossos sentimentos intuitivos.

Contudo, isso só acontece raramente, quando devia acontecer sempre! Tantos seres humanos se consideram muito sagazes e sábios, e até espiritualmente muito desenvolvidos, quando sabem esconder atrás de suas palavras sua intuição e o seu verdadeiro querer, jamais deixando que seus semelhantes, apesar de animadas conversas, lhes vejam a verdadeira face.

Essa maneira é chamada diplomática, como expressão tranquilizadora para a mistura especial de habilidade no logro, na hipocrisia e falsidade, na cobiça sempre espreitadora, a fim de conseguir vantagens triunfantes a custo das fraquezas descobertas dos outros.

 

Na lei da Criação, porém, não há nenhuma diferença, tanto faz se um ser humano empreende isso para si pessoalmente ou somente em benefício de algum Estado. Agir em tais casos é agir, o que tem de desencadear todos os efeitos dessas leis.

Quem conhece as leis e seus efeitos não precisa ser profeta para prever o fim de tudo isso, qual o destino dos povos isolados e da humanidade terrena, pois a humanidade inteira não é capaz de deslocar ou desviar coisa alguma nisso!

Ela somente podia ter tentado ainda, através de oportuna mudança de atuação no reconhecimento e cumprimento sincero das leis, amenizar muita coisa, a fim de com isso aliviar muitas aflições. Mas para isso já é agora demasiado tarde! Pois todos os efeitos de suas ações precedentes já estão em movimento.

 

Todas as dificuldades aí, porém, servem em verdade somente para bênção. É uma graça! Traz purificação lá onde se encontra o falso, acarretando agora o desmoronamento como última consequência, seja no Estado ou na família, no próprio povo ou relacionamento com outros; encontramo-nos dentro do grande ajuste final de contas, que rege acima do poder da força humana. Nada pode ser excluído ou ocultado.

Falam ainda somente as leis de Deus, que se efetivam automaticamente com exatidão e inflexibilidade sobre-humanas em tudo quanto até agora aconteceu, pois penetrou nelas uma força nova vinda da Vontade de Deus, fazendo-as fecharem-se como muros férreos em redor dos seres humanos, protegendo ou também aniquilando, conforme a maneira como os próprios seres humanos se colocarem em face delas.

 

Elas também permanecerão existindo no futuro, por muito tempo ainda, como muros em redor de tudo e com a mesma força, a fim de que não possa produzir-se novamente tal confusão, como aconteceu até agora. Em breve os seres humanos serão forçados por meio disso a moverem-se somente nas formas desejadas por Deus, para seu próprio bem, para sua salvação, enquanto ela ainda for possível, até que então trilhem por si mesmos, novamente conscientes, os caminhos certos, que são de acordo com a Vontade de Deus.

Olhai, portanto, em torno de vós, seres humanos, aprendei a vibrar em vossas palavras, para que nada percais!

 

Abdruschin

 

Excerto da dissertação, “Agradecimento”, da obra “Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal”, volume III.

 

Leia a dissertação (37) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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