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A ferramenta torcida

por Círculo do Graal, em 22.11.14

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

 

 

O maior fardo com que a alma humana se sobrecarregou, e que lhe impedirá qualquer possibilidade de ascensão, é a vaidade! Trouxe desgraça para a Criação inteira. A vaidade tornou-se o mais forte veneno da alma, porque o ser humano acabou por apreciá-la como escudo e manto para todas as suas falhas.

Qual entorpecente, ela ajuda sempre de novo a passar facilmente pelos abalos da alma. Que seja apenas ilusão, isso não representa papel algum para os seres humanos terrenos, contanto que aí sintam satisfação e atinjam, com isso, um alvo terreno, mesmo que frequentemente sejam apenas alguns minutos de ridícula presunção. Não precisa ser legítimo, a aparência basta aos seres humanos.

Fala-se dessa vaidade, da presunção, da arrogância espiritual, da malícia e de tantas propriedades de todos os seres humanos terrenos, de modo benevolente e enfeitado, como sendo armadilhas do princípio de Lúcifer. Tudo isso, porém, é apenas uma frágil autodesculpa. Lúcifer nem precisou esforçar-se tanto. Bastou-lhe ter levado os seres humanos ao cultivo unilateral do raciocínio terreno, com a tentação de se deleitarem com o fruto da “árvore do reconhecimento”, portanto, de se entregarem ao prazer do conhecimento. O que se seguiu além disso, o próprio ser humano o fês.

A vaidade, que traz em seu séquito tantos males, como a inveja e o ódio, a difamação, a ânsia por prazeres terrenos e bens de toda a espécie, deve ser considerada como a maior excrescência do dominante raciocínio preso à Terra. Tudo quanto é feio neste mundo está ancorado propriamente na vaidade, que se apresenta de tantas maneiras.

 

A ânsia pela aparência externa criou a “caricatura do ser humano” hoje predominante! O fantoche, que nem merece ser chamado de “ser humano”, porque em sua vaidade, por causa da aparência, solapou a possibilidade para a indispensável ascensão espiritual, atravancou obstinadamente todos os caminhos naturais de ligação que lhe foram dados para atuação e amadurecimento de seu espírito e soterrou-os completamente e de modo injurioso, contra a vontade de seu Criador.

Só o facto de elevar o raciocínio preso à Terra a ídolo foi o suficiente para mudar todo o caminho do ser humano, que o Criador lhe designou em Sua Criação.

Lúcifer registou para si, como triunfo, o facto de ter a alma do ser humano terreno ousado uma intervenção no corpo terreno de matéria grosseira, que tornou totalmente impossível a atuação desejada das almas na Criação. A fim de aguçar o raciocínio, entrou em atividade febril o cultivo unilateral daquela parte do cérebro que só deve atuar para a matéria grosseira: o cérebro anterior. A parte espiritual recetora do cérebro humano ficou dessa maneira automaticamente reprimida e impedida em sua atividade. Com isso ficou também dificultada qualquer compreensão do espiritual e, no decorrer de milénios, uma perceção espiritual até completamente perdida para o ser humano terreno

Este, pois, encontra-se com isso solitário e imprestável na Criação. Desligado da possibilidade de um reconhecer espiritual e de uma ascensão e, com isso, desligado também de Deus!

Essa é a obra de Lúcifer. Ele não precisou fazer mais. Pôde então deixar o ser humano terreno entregue a si mesmo, e vê-lo cair de degrau em degrau, distanciando-se assim cada vez mais de Deus, em consequência daquele passo.

 

Observar isso, pois, não é difícil para as pessoas que se esforçam sinceramente, pelo menos uma vez, em pensar objetivamente. É facilmente compreensível que a atividade do raciocínio encerra também um querer saber melhor, a obstinada persistência em tudo o que tal atividade considera certo, pois a pessoa com isso “pensou” o que era capaz de pensar. Atingiu seu limite supremo no pensar.

Que esse limite seja baixo, devido ao facto de o cérebro anterior estar preso à Terra, e que, por isso, o ser humano não pode ir além com o raciocínio, ele não consegue saber, e por esse motivo sempre pensará e afirmará haver atingido o certo com seu limite. Se alguma vez ouvir algo diferente, colocará então sempre em lugar mais elevado aquilo por ele pensado, considerando-o certo. Essa é a característica de cada raciocínio e, com isso, de cada criatura humana de raciocínio.

Conforme eu já disse uma vez, cabe a uma parte da massa cerebral a tarefa de captar o que é espiritual, como uma antena, ao passo que a outra parte, que gera o raciocínio, transforma então o captado para utilização na matéria grosseira. Da mesma forma em sentido inverso deve o cérebro anterior, que gera o raciocínio, captar da matéria grosseira todas as impressões, transformá-las para uma possibilidade de receção do cérebro posterior, a fim de que as impressões deste possam servir para o desenvolvimento progressivo e amadurecimento do espírito. Ambas as partes, porém, devem efetuar trabalho em comum. Assim está nas determinações do Criador.

 

Como, porém, pela intervenção do cultivo unilateral do cérebro anterior, este acabou se tornando desmesuradamente dominante em sua atividade, assim ficou perturbada a harmonia indispensável do trabalho conjunto de ambos os cérebros e, com isso, o atuar sadio na Criação. A parte recetora do espiritual ficou retardada no desenvolvimento, enquanto o cérebro anterior, cada vez mais crescido em sua atividade consequente do aprendizado, já desde muito não recebe mais as vibrações puras das alturas luminosas através do cérebro posterior, para o seu trabalho e para a retransmissão à matéria grosseira, mas absorve a substância para a sua atividade, na maior parte, somente do ambiente material e das formas de pensamentos, para retransmiti-las transformadas como produto próprio.

São apenas poucas as criaturas humanas em quem a parte recetora do cérebro se encontra mais ou menos em colaboração harmoniosa com o cérebro anterior. Essas pessoas sobressaem do costumeiro padrão, destacando-se por grandes inventos ou por impressionante segurança em sua capacidade intuitiva, que permite captar rapidamente muita coisa a que outras só podem chegar mediante penosos estudos.

São aqueles dos quais se diz, com inveja, que “recebem durante o sono”, e que constituem a confirmação do dito: “Aos Seus o Senhor presenteia durante o sono!”

Com os “Seus”, entende-se as pessoas que ainda se utilizam de suas ferramentas de tal maneira, como devem trabalhar segundo a determinação do Criador, portanto, que ainda estão de acordo com a Sua Vontade e que, como as virgens prudentes, conservaram em ordem o óleo de suas lâmpadas, pois só essas podem “reconhecer” o noivo quando ele vier. Apenas essas estão realmente “acordadas”. Todas as outras “dormem” em sua autorrestrição, tornaram-se incapazes para o “reconhecer”, porque não mantiveram em ordem as “ferramentas” indispensáveis para isso. Qual uma lâmpada sem óleo é o cérebro anterior, sem a colaboração harmoniosa da parte recetora do espiritual.

 

Não se deve incluir entre essas, sem mais nem menos, as pessoas dotadas de faculdades mediúnicas. Certamente nelas também a parte recetora do cérebro deve trabalhar mais ou menos bem, contudo, durante a receção, nessas pessoas mediúnicas, o cérebro anterior, destinado a retransmissões terrenas, cansar-se-á, porque esse processo, devido a determinada vontade de alguém do Além, pressiona o cérebro recetor de modo especialmente forte e, por isso, necessário aí se faz dele um maior dispêndio de contrapressão. Isso subtrai, automaticamente, sangue do cérebro anterior, isto é, calor de movimentação, pelo que ele, por sua vez, se torna inativo parcial ou totalmente. Trabalha apenas preguiçosamente ou nem um pouco. Essa subtração de sangue não seria necessária se o cérebro recetor não tivesse sido tão enfraquecido pela opressão.

Eis o motivo por que a retransmissão de um médium, pela palavra ou pela escrita, não se evidencia de tal maneira moldada à compreensão terrena como devia ser, se deva ser compreendida exatamente com noções terrenas e cálculos de espaço e tempo.

Nisso está também o motivo dos médiuns muitas vezes divisarem acontecimentos que se aproximam da Terra, catástrofes ou algo semelhante, e sobre isso falarem ou escreverem, contudo raramente acertando a época terrena.

[…]

Em todas essas coisas a vaidade da criatura humana desempenha papel completamente devastador e sinistro, arrastando-a ao descalabro, irremediável e tenazmente, porque a ela se afeiçoou!

Pavor apoderar-se-ia dela, se uma vez pudesse superar-se a si mesma para refletir sobre isso, objetivamente, sem presunção. Mas já aí existe novamente aquele obstáculo: sem presunção, nada consegue! Assim, pois, terá que permanecer, certamente, para muitas pessoas, até que sucumbam nisso!

Essa realidade, em toda a sua tristeza, é o resultado que o impedimento do desenvolvimento harmonioso do cérebro do confiado corpo terreno acarretou pelo pecado original em sua consequência! O torcer da ferramenta, necessária nesta matéria grosseira, pelo excessivo cultivo unilateral, vingou-se com isso. Agora o ser humano se encontra, com sua ferramenta de matéria grosseira, seu corpo terreno, de modo desarmonioso na Criação, incapaz para a missão que nela deve cumprir, imprestável por si próprio para isso.

Para extirpar essa raiz de todo o mal, porém, necessário se faz uma intervenção de Deus! Qualquer outra força e poder, por maiores que sejam, são insuficientes para isso. É a maior e também a mais devastadora contaminação no falso querer da humanidade, que já achou entrada nesta Criação. Tudo, nesta Terra, teria que sucumbir, antes que possa surgir uma melhora nisso, visto que nada existe que já não esteja irremediavelmente impregnado disso!

 

Abdruschin

 

Excerto da Dissertação, “A ferramenta torcida”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume III.

 

Leia a dissertação (Pág. 31) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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