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Batismo

por Círculo do Graal, em 11.01.14

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

Se o batismo de uma criança for ministrado por um sacerdote que o considera como mero dever do ofício, ficará absolutamente sem valor, não produzindo benefícios nem danos. No batismo duma pessoa adulta, pelo contrário, sua recetividade interna contribui para que de facto seja recebido ou não algo espiritual, de acordo com sua força e pureza.

Numa criança, só a fé do batizante pode ser levada em consideração como meio para um fim. Conforme a força e a pureza deste, a criança recebe através do ato certo fortalecimento espiritual, bem como um mural protetor contra correntezas más.

O batismo não é um ato que cada pessoa, investida pelos dirigentes eclesiásticos terrenos, possa realizar de modo eficiente. Para isso se faz necessária uma pessoa que esteja em ligação com a Luz. Somente tal pessoa consegue transmitir a Luz. Essa capacidade, porém, não se consegue mediante estudos terrenos nem pela consagração eclesiástica ou investidura no cargo. Ademais, não está em conexão com costumes terrenos, mas é exclusivamente uma dádiva do próprio Altíssimo.

 

Quem assim for agraciado, torna-se um convocado! Desses não se encontram em grande número, porque tal dádiva condiciona de antemão um terreno adequado na própria pessoa. Não existindo tal condição preliminar, não pode ser feita a ligação proveniente da Luz. A Luz não pode descer em solo não preparado ou que dela se afaste, visto que também esse processo está submetido, severamente, como tudo mais, às leis primordiais que tudo perfluem.

Um tal convocado pode, porém, pelo ato do batismo, transmitir realmente espírito e força, de modo que o batismo receba aquele valor que simbolicamente exprime. Apesar disso ainda será sempre preferível proporcionar o batismo somente a pessoas que sejam plenamente conscientes dos efeitos desse ato e que sintam intuitivamente o anelo para tanto. O batismo exige, por conseguinte, certa maturidade e o desejo voluntário do batizando, bem como que o batizante seja um convocado, para que de facto possa vir a ter valor completo.

 

João, o Batista, que ainda hoje é considerado por todas as igrejas cristãs como verdadeiro convocado, teve seus maiores adversários justamente entre os letrados e fariseus, que naquele tempo se tinham na conta dos mais credenciados para julgar a respeito.

O povo de Israel de outrora era o povo convocado. Quanto a isso não há a menor dúvida. Em seu meio devia o Filho de Deus levar a efeito a sua obra terrena. Consequentemente, também os sacerdotes desse povo, naquele tempo, deviam ter sido os mais credenciados para o batismo. Todavia teve que vir João, o Batista, para batizar como único convocado o Filho de Deus em seu invólucro terrestre, no início de suas atividades terrenas propriamente ditas.

Esse acontecimento mostra igualmente que investiduras terrenas num cargo nada têm a ver com as convocações Divinas. Mas executar atos em nome de Deus, isto é, por ordem Dele, como deve ser num batismo, somente convocados poderão por sua vez realizar de modo eficiente. O convocado João, o Batista, não reconhecido pelo sumo-sacerdote de outrora do povo convocado, chamava a estes seus adversários de “corja de víboras. Negou-lhes o direito de virem a ele.

 

Esses mesmos sacerdotes do povo outrora convocado, também não reconheceram nem o próprio Filho de Deus, perseguiram-no continuamente e trabalharam por sua destruição terrena, por ser-lhes superior e por isso incómodo.

Se Cristo hoje em dia aparecesse sob nova forma entre os seres humanos, viria sem dúvida a se defrontar com a mesma recusa e hostilidade como se deu outrora. Identicamente ocorreria com um seu emissário. Tanto mais por se considerar hoje “mais progressista” a humanidade.

Não somente desse caso isolado de João, o Batista, mas de inúmeros casos análogos se depreende claramente que as consagrações eclesiástico-terrenas e investiduras nos cargos que, aliás, pertencem sempre apenas às “organizações das igrejas”, jamais poderão proporcionar uma capacitação mais ampla para atos espirituais, se a própria pessoa não for convocada para isso.

 

Observado corretamente, o batismo dos representantes eclesiásticos também nada mais é, portanto, do que um processo de admissão provisória na organização de uma congregação religiosa. Não uma admissão junto a Deus, mas uma admissão na correspondente congregação terreno-eclesiástica. A confirmação e a comunhão que mais tarde se seguem, podem ser consideradas como uma ratificação e uma mais ampla admissão na participação dos rituais dessas congregações. O sacerdote age como “servo instituído pela igreja”, isto é, puramente terreno, já que Deus e igreja não são uma só coisa.

 

Abdruschin

                        

Dissertação, “O batismo”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 186) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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