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O matrimónio

por Círculo do Graal, em 21.09.13

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

Matrimónios são contraídos no céu! Esta frase é proferida muitas vezes com raiva e amargura pelos casados. Mas também é dita com hipocrisia pelos que se encontram mais afastados do céu. O resultado natural é que a respeito dessa frase apenas se encolhem os ombros, ri-se, fazem-se troças e até mesmo se escarnece.

Isto torna-se compreensível em vista dos muitos matrimónios, que uma pessoa chega a conhecer no percorrer dos anos, em seu ambiente mais próximo ou afastado. Os escarnecedores têm razão. Só que seria melhor não escarnecer dessa expressão, mas dos próprios matrimónios! São esses que em sua maioria merecem não apenas troça e escárnio, mas até desprezo.

 

Os matrimónios, conforme se apresentam hoje, bem como há séculos, solapam a verdade da citada frase, não permitindo que alguém acredite nela. Representam, infelizmente, com apenas raríssimas exceções, um estado deveras imoral, ao qual não se pode dar um fim suficientemente rápido, para resguardar milhares dessa vergonha, à qual, de acordo com os costumes da época atual, acorrem cegamente. Supõem que não pode ser de outra forma, porque assim é usual. Acresce ainda que exatamente na época atual tudo está talhado até a falta de pudor, a fim de turvar e sufocar cada intuição mais pura. Ser humano algum pensa em tornar a personalidade, também através do respeito pelo corpo, naquilo que devia ser, podia ser e terá que ser.

O corpo, assim como a alma, tem de ser algo precioso, portanto intangível, que não se põe à vista como engodo. E por isso, na Terra, também a esse respeito o corpo não é separável da alma. Ambos têm de ser, concomitantemente, estimados e resguardados como algo intangível, se devam ter algum valor. Do contrário tornam-se trastes que sujam, que apenas merecem ser atirados para um canto, a fim de pertencer barato ao primeiro trapeiro que apareça.

Se surgisse hoje na Terra um exército de tais trapeiros e arrematadores, encontrariam uma quantidade inimaginável desses trastes. A cada passo encontrariam novos montes já à sua espera. E tais arrematadores e trapeiros já deambulam de facto por aí, em densos bandos. São os emissários e instrumentos das trevas, que se apoderam, vorazmente, das presas fáceis, a fim de arrastá-las, triunfalmente, cada vez mais para baixo, para o seu reino escuro, até que tudo os encubra com negror e não possam achar, nunca mais, o caminho de volta para a Luz.

Não é de admirar que todos riam, tão logo alguém ainda fale seriamente que matrimónios são contraídos no céu!

O casamento civil nada mais é do que um simples ato comercial. Os que se ligam por meio dele, não o fazem a fim de se dedicarem a uma obra em comum com seriedade, que eleve o valor intrínseco e extrínseco das pessoas em questão, que vise conjuntamente altas finalidades e com isso traga bênção a elas próprias, à humanidade e a toda a Criação, mas sim como um simples contrato, mediante o qual se asseguram reciprocamente quanto ao lado material, a fim de que a mútua entrega corporal possa acontecer sem considerações calculistas.

 

A mulher ocupa em tudo isso um lugar degradante. Em oitenta por cento dos casos, ela se empreita ou se vende simplesmente a serviço do homem, que não procura uma companheira de igual valor, mas sim um objeto de contemplação, uma governanta barata e obediente que lhe torne o lar agradável e com a qual ele também, sob o manto duma falsa honestidade, possa conjuntamente e sem perturbações satisfazer seus desejos.

Muitas vezes, por motivos mínimos, as jovens abandonam a casa dos pais, a fim de contrair núpcias. Às vezes se sentem cansadas da casa dos pais, desejam um ambiente de atuação no qual elas mesmas possam dar ordens. Outras acham interessante representar o papel de uma jovem senhora, ou esperam uma vida mais movimentada. Acreditam talvez chegar a condições materiais melhores.

[…]

Um matrimónio sadio necessita trabalho em comum e finalidades elevadas tão indispensavelmente como um corpo sadio movimentação e ar fresco. Quem contar com comodidade e a maior despreocupação possível, querendo nessa base construir vida em comum, terá que colher no fim somente um estado doentio com todos os fenómenos colaterais. Por isso procurai, finalmente, firmar casamentos que sejam contraídos no céu. Então a felicidade vos alcançará!

Contraído no céu significa estarem predestinados um para o outro, já antes ou com a entrada na vida terrena. A predestinação consiste, porém, apenas nas qualidades trazidas, com as quais as duas partes se completam mútua e integralmente. Estas são, deste modo destinadas uma para a outra.

Ser predestinado pode-se denominar também “que combina um com o outro”, completando-se portanto realmente. Nisso reside a predestinação.

“O que Deus uniu, a criatura humana não deve separar.”

A incompreensão desse ditame de Cristo já provocou muitos males. Muitos até agora supunham o casamento como: “o que Deus uniu”. O casamento até agora, praticamente, nada teve a ver com o sentido de tais palavras. O que Deus une é um enlace no qual se preenchem as condições que uma harmonia plena exige, que, portanto, é contraído no céu. Se a esse respeito foi dada ou não uma permissão do Estado e da igreja, em nada altera o caso.

Logicamente é necessário enquadrar-se também aí na ordem civil. Se um enlace assim firmado for ainda ratificado com a cerimónia de casamento pelo respetivo culto religioso, em correspondente devoção, é bem natural que esse enlace adquira consagração muito mais elevada pela disposição interior dos participantes, propiciando vigorosas e legitimas bênçãos espirituais ao casal. Um tal matrimónio terá sido então de facto realizado por Deus e perante Deus e contraído no céu.

Vem a seguir a advertência: “a criatura humana não deve separar!” Como tem sido amesquinhado também o alto sentido destas palavras.

A verdade, todavia, apresenta-se aí tão claramente! Sempre que há uma união que foi contraída no céu, isto é, onde os dois se completam, originando um acordo harmonioso total, uma terceira pessoa nunca deve procurar provocar uma separação. Seja introduzindo uma desarmonia, tornando impossível uma união ou provocando uma separação, não importa, tal procedimento seria pecado. Um agravo que, em seu efeito recíproco, tem de aderir pesadamente ao autor, uma vez que com isso são atingidas, simultaneamente, duas pessoas e com estas também as bênçãos que se teriam espalhado, através da felicidade delas, no mundo da matéria grosseira e no de matéria fina.

Há nessas palavras uma verdade singela que se torna reconhecível por qualquer lado. A advertência visa proteger apenas aquelas uniões que foram contraídas no céu, devido às condições prévias já antes mencionadas e confirmadas pelas propriedades anímicas trazidas, que mutuamente se completam.

Entre essas, nenhuma terceira pessoa deve intrometer-se, nem mesmo os pais! Os dois interessados, eles próprios, nunca terão a ideia de desejar uma separação. A harmonia Divina, que forma a base, devido às suas mútuas propriedades anímicas, não deixará que surja tal pensamento. A sua felicidade e a estabilidade de seu matrimónio estão assim de antemão garantidas.

Se houver solicitação de separação por parte de um dos cônjuges, com isso dará este a melhor prova de que não existe deveras a necessária harmonia; o matrimónio deveria ser desfeito categoricamente; para elevação da autoconsciência moral de ambos os cônjuges, que vivem em tal ambiente insano.

Tais matrimónios errados constituem hoje a grande maioria. Esse estado pernicioso percorre, principalmente, no retrocesso moral da humanidade, bem como do culto predominante do raciocínio.

 

A separação daquilo que Deus uniu não se refere, porém, apenas ao matrimónio, mas também à aproximação anterior de duas almas que poderiam, por suas propriedades complementares, desenvolver somente harmonia, portanto, que estão predestinas uma à outra. Uma vez concluído tal enlace e procurando uma terceira pessoa imiscuir-se por meio de difamações ou por semelhantes meios conhecidos, então tal intenção é adultério consumado!

O sentido das palavras: “O que Deus uniu, a criatura humana não deve separar” é tão simples e claro que é difícil compreender como pôde surgir a esse respeito uma aceção errónea. Isso só foi possível mediante a separação errada entre o mundo espiritual e o mundo terreno, com o que a conceituação estreita do raciocínio conseguiu se impor, e a qual jamais resultou em valores reais.

 Do espiritual foram dadas essas palavras, portanto, apenas no espiritual elas podem encontrar seu verdadeiro esclarecimento!

 

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação, “O matrimónio”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 92) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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