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Preso à Terra

por Círculo do Graal, em 24.08.13

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

Tal expressão vem sendo muito usada. Mas quem é que compreende realmente o que com isso profere? “Preso à Terra” soa como um castigo horrendo. A maioria dos seres humanos sente um certo pavor, atemoriza-se diante daqueles que ainda se acham presos à Terra. Todavia, o sentido desse termo não é tão ruim.

Certamente existe muita coisa sombria que deixa esta ou aquela pessoa tornar-se presa à Terra. Mas em geral são coisas bem simples, as que predominantemente levarão a essa condição de aprisionamento à Terra.

Tomemos por exemplo um caso: os pecados dos pais vingam-se até à terceira e quarta geração!

Uma criança faz em família uma pergunta qualquer sobre o Além ou a respeito de Deus, com referência ao que ouviu na escola ou na igreja. O pai corta logo isso com a observação: “Ora, larga dessa tolice! Quando eu morrer, tudo estará acabado.”

A criança fica surpresa e tomada de dúvidas. As manifestações desdenhosas do pai ou da mãe se repetem, a criança ouve o mesmo por parte de outros e acaba aceitando essa conceção.

 

Chega, no entanto, a hora do trespasse do pai. Com horror reconhece que com isso não deixou de existir. Desperta nele então o desejo ardente de comunicar esse reconhecimento ao seu filho. Esse desejo liga-o à criança.

O filho, porém, não o ouve nem sente a sua presença, porque vive na convicção de que o pai não existe mais, e isso se interpõe como uma firme e intransponível parede entre ele e os esforços do seu pai.

E o tormento do pai por ter que observar que o filho segue caminho errado por sua culpa, o qual o leva cada vez mais longe da verdade, o medo de que o filho, nesse caminho errado, não possa escapar aos perigos de afundar ainda mais e, sobretudo, estar muito mais facilmente exposto, atuam concomitantemente nele, no pai, como um assim chamado castigo, pelo facto de haver dirigido o filho para esse caminho.

Raramente ele consegue transmitir de alguma maneira esse reconhecimento ao filho. Terá que assistir como a ideia errada do filho se retransmite aos filhos deste. E assim por diante, tudo como consequência de seu próprio erro. E não se libertará, enquanto um de seus descendentes não reconhecer e seguir o caminho certo, influindo sobre outros tantos, com o que pouco a pouco será libertado e poderá pensar na sua própria escalada.

 

Um outro caso: um fumante inveterado leva consigo para o outro lado o impulso forte de fumar, pois esse impulso é um pendor que toca de leve o sentimento intuitivo, isto é, o espiritual, conquanto apenas em suas ramificações mais exteriores. Passa a sentir ardentes desejos e isso o prende lá onde possa alcançar essa satisfação… na Terra. Encontra-a, seguindo no encalço de fumantes e desfrutando com eles através de seus sentimentos intuitivos.

Se tais não estiverem presos a outro lugar por pesado carma, sentem-se mais ou menos bem, raramente chegando a ficar conscientes de um real castigo. Somente aquele que abrange a existência toda, reconhece o castigo na inevitável reciprocidade, que faz com que o respetivo não possa subir, enquanto nele o desejo vibrante para a satisfação, em contínua “vivência”, ainda o liga a outras pessoas que vivem na Terra em carne e osso, através de cujo sentimento intuitivo, unicamente, pode alcançar satisfação conjunta.

 

Assim também acontece com satisfação sexual, com bebidas, sim, até com predileção especial por comidas. Igualmente nesse caso, muitos estão presos por causa dessa predileção, de vasculhar por adegas e cozinhas, a fim de coparticipar através de outrem do saborear das comidas e pelo menos poder sentir uma pequena parte do prazer.

Considerando bem, isso constitui logicamente um “castigo”. Mas o desejo premente dos “que se acham presos à Terra” não os deixa sentir isso intuitivamente, pelo contrário, domina tudo o mais e por isso o anseio pelas coisas mais elevadas, mais nobres, não pode tornar-se tão forte, que chegue a ser uma vivência dominante, libertando-os desse modo do outro e elevando-os.

O que realmente perdem com isso, eles nem o percebem, até que esse desejo de satisfação, que aliás apenas pode constituir uma satisfação parcial através de outrem, acaba afrouxando e enfraquecendo como um descostume gradativo, dando margem, assim, a que outros sentimentos intuitivos neles latentes e com menor força de desejo, gradualmente se instalem e preponderem, chegando ao imediato vivenciar e com isso à força da realidade.

A espécie das instituições avivadas o conduz para lá onde se acha a igual espécie, quer de nível mais alto ou mais baixo, até que esta, como a anterior, pouco a pouco se liberte pelo descostume e venha outra a se evidenciar, se porventura ainda exista.

 

Assim, com o tempo, realiza-se a purificação das numerosas escórias que ele levou para o Além. Acaso permanecerá detido em algum lugar por uma última intuição? Ou empobrecido de força intuitiva? Não! Porque quando finalmente os sentimentos intuitivos inferiores, pouco a pouco, morrerem ou forem abandonados, seguindo em rumo ascendente, desperta o anseio contínuo para coisas cada vez mais elevadas e puras e este impele permanentemente para cima.

Assim é o andamento normal! Há, porém, milhares de imprevistos. O perigo de queda ou de detenção é muito maior do que em carne e osso na Terra. Se já te encontras em plano mais elevado e cedes ante alguma intuição inferior por um momento que seja, tal intuição tornar-se-á imediatamente um vivenciar e, com isso, realidade. És mais denso e serás mais pesado, cairás para regiões de igual espécie. Teu horizonte se restringe com isso e terás que te esforçar nova e lentamente para cima, se não te acontecer que caias mais baixo, sempre mais baixo.

 

“Velai e orai!”, Portanto, não é uma expressão vazia. Por enquanto a matéria fina existente em ti ainda se acha protegida por teu corpo, sustentada como que por uma firme âncora. Quando sobrevier o desenlace na assim chamada morte e decomposição do corpo, estarás então sem essa proteção e como matéria fina serás irresistivelmente atraído pela igual espécie, seja alta ou baixa, não poderás fugir. Somente uma grande força propulsora poderá ajudar-te a subir, tua firme vontade em demanda das coisas elevadas, boas, transformando-se em anseio e em intuição e, com isso, também no vivenciar e na realidade, segundo a lei do mundo de matéria fina, que só conhece intuição.

Por isso, trata de preparar-te desde já com essa vontade, para que na ocasião da transformação, que pode sobrevir a qualquer hora, essa vontade não possa ser subjugada por desejos terrenais demasiado fortes! Acautela-te, criatura humana, e vigia!

 

Abdruschin

                        

Dissertação, “Preso à Terra”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 72) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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