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É aconselhável o aprendizado do ocultismo?

por Círculo do Graal, em 10.08.13

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

Esta pergunta tem que ser respondida com um “não” absoluto. O aprendizado do ocultismo, que em geral engloba exercícios para a aquisição de clarividência, clariaudiência etc., é um estorvo ao livre desenvolvimento interior e à verdadeira escalada espiritual. O que com isso pode ser desenvolvido é o que em tempos passados se compreendia com os assim chamados magos, tão logo o aprendizado decorresse mais ou menos favorável.

É um tatear unilateral de baixo para cima, pelo qual nunca se poderá transpor a assim denominada área terrestre. Sempre se tratará, em todos esses acontecimentos eventualmente alcançáveis, apenas de coisas baixas e baixíssimas, que não poderão elevar os seres humanos interiormente, mas sim induzi-los a erros.

O ser humano consegue com isso apenas se inserir no âmbito da matéria fina que lhe está mais próximo, cujos inteligentes muitas vezes são ainda mais ignorantes do que as próprias pessoas terrenas. Tudo quanto com isso alcança é abrir-se a perigos desconhecidos por ele e dos quais permanece protegido exatamente pelo facto de não se abrir.

 

Quem por meio de aprendizado se tornou clarividente ou clariaudiente verá ou ouvirá, nesse âmbito inferior, muitas vezes também coisas que têm aparência de algo elevado e puro, e que no entanto muito longe estão disso. A tudo isso se junta também a própria fantasia, superexcitada por causa de exercícios, gerando igualmente um ambiente que o aprendiz então vê e ouve deveras, e a confusão aí está.

Tal pessoa, não estando firme nos pés devido a aprendizado artificial, não poderá diferenciar e, mesmo com a melhor boa vontade, não poderá traçar um limite nítido entre a verdade e a ilusão, assim como entre as múltiplas e multiformes forças configuradoras da vida na matéria fina. Por último juntam-se ainda as influências inferiores que lhe serão nocivas na certa, , às quais ele mesmo deliberadamente e com tanto esforço se abriu, às quais não poderá opor nenhuma força superior, e assim tornar-se-á logo como um destroço de navio sem leme num mar desconhecido, podendo tornar-se perigoso a tudo que lhe vier de encontro.

É idêntico a uma pessoa que não sabe nadar. Numa canoa estará perfeitamente apta a atravessar com toda a segurança o elemento que não lhe é familiar. Comparável à vida terrena. Se, porém, durante o trajeto tirar uma tábua do barco protetor, romperá uma brecha no abrigo por onde entrará água, roubando sua proteção e arrastando-a para o fundo. Por não saber nadar, tal pessoa será apenas uma vítima do elemento que não lhe é familiar.

Eis o processo no aprendizado do ocultismo. Com isso a pessoa só arranca uma tábua de seu barco protetor, mas não aprende a nadar.

 

Contudo, também há nadadores que se denominam mestres. Nadadores nesse setor são aqueles que já trazem consigo um dom, complementando-o mediante alguns exercícios, a fim de pô-lo em relevo e procurando também ampliá-lo cada vez mais. Em tais casos há sempre uma predisposição maior ou menor, ligada a um aprendizado artificial. Todavia, mesmo ao melhor nadador sempre são colocados limites bastante restritos. Se ousa ir mais longe, as forças lhe fraquejam e ele acaba se perdendo da mesma forma que um que não sabe nadar, caso… não lhe seja proporcionado socorro da mesma forma como a um  que não sabe nadar.

Tal auxílio, no entanto, no mundo de matéria fina, só pode sobrevir das alturas luminosas, do espiritual puro. E esse auxílio por sua vez só pode se aproximar se a pessoa que se encontra em perigo já tiver atingido determinado grau de pureza em seu desenvolvimento anímico, com o que poderá ligar-se a um ponto de apoio. E tal pureza não se consegue através do aprendizado do ocultismo com finalidades de experiências, só podendo vir pela elevação da legítima moral interior, no constante olhar para a pureza da Luz.

Tendo uma pessoa seguido esse caminho, que aos poucos a levará a um certo grau de pureza interior, que naturalmente se refletirá também em seus pensamentos, palavras e ações, então, pouco a pouco, consegue ligação com as alturas mais puras e de lá, reciprocamente, também energias aumentadas.

Com isso ela tem uma ligação através de todos os degraus intermediários, que a segura e na qual pode se apoiar. Não demorará muito e tudo lhe será dado sem esforços próprios, o que os nadadores inutilmente procuravam obter. Mas com um cuidado e precaução, que jazem nas rígidas leis da reciprocidade, de modo que sempre receberá apenas tanto daquilo quanto pode dar de força equivalente, pelo menos na mesma intensidade, com o que de antemão fica eliminado qualquer perigo.

E assim acabará a barreira separadora, que pode ser comparada às tábuas de uma embarcação, ficando cada vez mais finas até sumir de vez. Mas então já terá também chegado o momento em que tal pessoa, como o peixe na água, se sentirá inteiramente à vontade no mundo de matéria fina, como em seu elemento, manobrando direito até as alturas luminosas. Esse é o único caminho certo.

 

Todo preparo prematuro mediante aprendizado artificial é errado. Somente para o peixe habituado à água, esta apresenta-se realmente sem perigos, por se tratar de “seu elemento” e para o qual ele traz em si todos os aparelhamentos que mesmo um exímio nadador jamais conseguirá adquirir.

Se um indivíduo adota tal aprendizado, tem isso que se iniciar com uma prévia resolução voluntária, a cujas consequências ele então ficará sujeito. Por conseguinte, não poderá contar que um auxílio lhe deva ser dado. Dispôs, antes, do livre-arbítrio de resolução.

Uma pessoa, porém, que incentiva outros a tais aprendizados, donde resulta toda a sorte de perigos, tem que arcar com uma grande parte das consequências, como culpa, de cada um individualmente. Será acorrentada a todos na matéria fina. Após sua morte terrena terá que descer irrevogavelmente até aqueles que a precederam, que sucumbiram aos perigos, até aquele que caiu mais profundamente.

E ela mesma não conseguirá subir, enquanto não houver ajudado cada um daqueles a se elevar de novo, enquanto não houver extinguido o caminho errado e, além disso, recuperado o assim perdido. Isso é o equilíbrio na reciprocidade e ao mesmo tempo o caminho de graças para ela, a fim de corrigir o mal cometido e ascender.

E se aquela pessoa não tiver agido apenas pela palavra, mas sim também pela escrita, sua situação ainda será pior, porque seus escritos continuarão a causar danos, mesmo depois de sua morte terrena. Terá então que aguardar na vida de matéria fina, até que ninguém mais apareça daqueles que se deixaram desviar pela escrita, aos quais, por isso, ela terá que ajudar a subir de novo. Séculos poderão passar nisso.

Com isso, porém, não se quer dizer que o âmbito do mundo de matéria fina deva permanecer incólume e inexplorado na vida terrena!

Aos interiormente amadurecidos sempre será dado aquilo na hora certa, para que se sintam à vontade, o que para outros encerra perigos. Ser-lhes-á permitido contemplar a verdade e transmiti-la. No entanto, terão também ai uma visão clara dos perigos que ameaçam aqueles que, unilateralmente, mediante o aprendizado do ocultismo, querem intrometer-se nos baixios de um terreno que lhes é desconhecido. Estes amadurecidos jamais darão estímulo a aprendizados ocultistas.

 

                                        

Abdruschin

                        

Dissertação, “É aconselhável o aprendizado do ocultismo?”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 59) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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