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O mistério do nascimento

por Círculo do Graal, em 03.08.13

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

Os seres humanos não sabem o que fazem, quando dizem que existe uma grande injustiça na maneira pela qual se dá a distribuição dos nascimentos!

Com grande insistência afirma um: “Se existe uma justiça, como pode nascer uma criança já com o fardo de uma doença hereditária! A criança inocente tem que carregar consigo os pecados dos pais.”

O outro: “Uma criança nasce na riqueza, outra em amarga pobreza e miséria. Com isso não pode surgir qualquer crença na justiça.”

Ou então: “Admitindo que os pais devam ser castigados, não está certo que isso se cumpra pela doença e morte de uma criança. A criança, pois, com isso terá que sofrer inocentemente.”

Estas e outras observações pululam aos milhares entre a humanidade. Até mesmo pesquisadores sinceros muitas vezes quebram a cabeça com esses problemas.

 

A ânsia pelo “porquê” não se elimina com a simples declaração de que “estes são os imperscrutáveis caminhos de Deus, que tudo conduzem para o melhor”. Quem com isso se contenta tem que concordar apaticamente, ou reprimir imediatamente como injusto qualquer pensamento indagador.

Assim não é desejado! É perguntando que se acha o caminho certo. Apatia ou violenta repressão apenas lembra escravidão. Mas Deus não quer escravos! Não quer obediência apática, mas um olhar livre e consciente para o Alto!

Suas maravilhosas e sábias instituições não precisam ser envoltas pela escuridão mística, pelo contrário, ganham em sua sublime e inatingível magnitude e perfeição, quando expostas em nossa frente, abertamente! Elas operam ininterruptamente, com ritmo sereno e firme, sempre imutáveis e incorruptas em sua atuação eterna.

Não se preocupam com o rancor nem com o reconhecimento dos seres humanos, tampouco com sua ignorância, mas restituem a cada um, com a maior fidelidade, em frutos maduros, o que semeou.

“Os moinhos de Deus moem devagar, mas com segurança”, diz a voz do povo acertadamente, quanto a este tecer de incondicional reciprocidade em toda a Criação, cujas leis imutáveis trazem em si Justiça de Deus e a executam. Brota, flui e corre, e derrama-se sobre todos os seres humanos, quer queiram ou não, quer se submetam ou se revoltem, terão de receber como castigo justo e como perdão, ou como recompensa para a elevação.

 

Se um resmungador ou cético pudesse uma única vez apenas lançar um olhar para o flutuar e tecer da matéria fina, perpassado e suportado pelo rigorosos espiritual, flutuar e tecer que transpassa a Criação toda, que a envolve e que nela se encontra, sendo mesmo uma parte dela, vivo como um tear de Deus em eterno funcionamento, logo silenciaria envergonhado e reconheceria assustado a arrogância contida em suas palavras.

A serena sublimidade e segurança que vê, obriga-o a prostrar-se, pedindo perdão.

Quão mesquinho, pois, havia suposto seu Deus! E, todavia, que incrível grandeza encontra em Suas obras. Reconhecerá então que com suas mais elevadas conceituações terrenas, só podia ter procurado diminuir Deus e restringir a perfeição da grande obra, com o trabalho vão de querer encerrá-la no âmbito estreito que o cultivo do raciocínio criou, o qual jamais poderá elevar-se acima do espaço e do tempo.

O ser humano não deve esquecer-se de que ele se encontra na obra de Deus, que ele mesmo é um pedaço dessa obra e que por conseguinte está incondicionalmente também sujeito às leis dessa obra.

Tal obra não abrange, contudo, apenas as coisas visíveis aos olhos terrenos, mas também o mundo de matéria fina que contém em si a maior parte da verdadeira existência e atividade humana. As respetivas vidas terrenas são apenas pequenas partes disso, mas sempre importantes pontos de transição.

 

O nascimento terreno constitui sempre apenas o início de uma fase importante da existência inteira de uma criatura humana, mas não seu começo propriamente dito.

O ser humano como tal, iniciando sua peregrinação pela Criação, encontra-se livre, sem os fios do destino, que só depois, através de sua vontade, se estendem dele para o mundo de matéria fina, pela força de atração da igual espécie, tornando-se cada vez mais fortes durante o percurso e cruzando-se com outros, entremeando-se e vindo a agir retroativamente sobre o autor, com o qual continuaram ligados, de maneira a trazer consigo destino ou carma.

Os efeitos de fios em retorno simultâneo misturam-se entre si, pelo que as cores, originalmente pronunciadas de modo nítido, recebem outras tonalidades, produzindo novos quadros combinados. (*)

Os fios individuais constituem o caminho das ações de retorno até que o autor já não ofereça nenhum ponto de apoio em seu íntimo para elementos de igual espécie, portanto quando de sua parte não mais cuida do caminho e nem o conserva, pelo que essas fios não se podem mais prender nem firmar-se devendo secar e cair dele, quer se trate de coisas boas ou más.

Cada fio de destino é, portanto, formado na matéria fina através de um ato de vontade na decisão para uma ação, emigra, mas permanece apesar disso ancorado no autor e constitui dessa maneira o caminho seguro para espécies iguais, fortalecendo-as, mas também, simultaneamente, recebendo delas força, a qual retorna ao ponto inicial por esse caminho.

Decorre desse processo o auxílio que chega aos que se esforçam pelo bem, conforme fora prometido, ou porém a circunstância de que “o mal tem que gerar continuamente o mal”. (**)

[…]

A existência terrena deve ser realmente vivenciada, se é que deva ter uma finalidade. Somente o que for experimentado no íntimo de modo vivencial em todos seus altos e baixos, quer dizer, sentido intuitivamente, torna-se algo próprio. Se uma pessoa soubesse sempre de antemão a direção certa que lhe seria útil, não haveria para ela nenhum ponderar, nenhum decidir. Assim também não receberia nenhuma força e nenhuma autonomia, absolutamente indispensáveis para ela.

Dessa forma, pois, toma com mais realidade cada situação de sua vida terrena. Tudo o que é realmente vivenciado, grava impressões fortes na intuição, no imperecível, que o ser humano em sua metamorfose leva consigo para o Além como sendo seu, como parte dele mesmo, novo, moldado de acordo com as impressões. Mas apenas aquilo que é realmente vivenciado, pois tuto o mais se apaga com a morte terrena. O vivenciado, porém, permanece como extrato purificado da existência terrena, seu lucro!

 

Nem tudo o que foi aprendido faz parte do vivenciado.

Mas do aprendido restará apenas aquilo que o ser humano houver absorvido pela vivência. Todo o acúmulo restante de coisas inúteis do que foi aprendido, a que tantas pessoas sacrificam a existência terrena inteira, permanece como debulho. Portanto, cada momento da vida jamais pode ser encarado de modo suficientemente sério, para que através dos pensamentos, palavras e ações, pulse forte calor de vida, a fim de que não decaiam em hábitos vazios.

A criança recém-nascida parece, por causa dessa venda que lhe é passada nos olhos no ato da encarnação, totalmente ignorante, por isso também tida erroneamente como inocente. Não raro traz consigo enorme carma, que lhe dá oportunidade de remir caminhos errados anteriores no exaurir vivencial. O carma é na predestinação apenas a consequência necessária dos factos passados. Nas missões, uma aceitação voluntária para atingir a compreensão e a maturação terrena indispensável ao cumprimento da tarefa, caso não faça parte da própria missão.

Por isso o ser humano não devia mais resmungar a respeito de injustiça nos nascimentos, mas olhar com gratidão para o Criador que, com cada nascimento individual, apenas oferece novas graças!

 

Abdruschin

 

(*) Dissertação: “Destino”.

(**) Dissertação: “O ser humano e seu livre-arbítrio”.

                        

Excerto da Dissertação, “O mistério do nascimento”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 49) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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