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A criação do ser humano

por Círculo do Graal, em 15.06.13

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

 

“Deus criou o ser humano segundo a Sua imagem e o soprou, animando-o com o Seu alento!” Trata-se de dois acontecimentos: o criar e o vivificar!

Ambos os processos ficaram severamente sujeitos às vigentes leis Divinas, como tudo o mais. Nada pode ultrapassar o âmbito das mesmas. Nenhum ato da Vontade Divina se oporá às inamovíveis leis que conduzem esta Vontade Divina. Até mesmo toda a revelação e promessa realiza-se com base nessas leis, devendo cumprir-se através delas e não diferentemente!

Assim também a encarnação do ser humano na Terra, que constituiu um progresso da Criação grandiosa, a passagem da matéria grosseira para um estágio inteiramente novo e mais elevado.

Falar da encarnação do ser humano condiciona o conhecimento do mundo de matéria fina, pois o ser humano em carne e sangue é posto como elo de ligação favorecedor entre a parte da Criação de matéria fina e a de matéria grosseira, enquanto suas raízes permanecem no espiritual.

“Deus criou o ser humano segundo a Sua imagem!”

 

Esse criar ou conformar foi uma extensa corrente no desenvolvimento que se processou rigorosamente dentro das leis entretecidas na Criação pelo próprio Deus. Instituídas pelo Altíssimo, essas leis atuam ferreamente com ritmo contínuo no cumprimento de Sua Vontade, automaticamente, como uma parte Dele, ao encontro da perfeição.

Assim também se deu com a criação do ser humano, como coroa de toda a obra, na qual se deveriam reunir todas as espécies existentes na Criação. Por isso, no mundo de matéria grosseira, na matéria terrenamente visível, foi formado pouco a pouco, pelo desenvolvimento progressivo, o recetáculo onde pôde ser encarnada uma centelha proveniente do espiritual, que era imortal.

Pelo contínuo e progressivo processo de formar, surgiu com o tempo o animal desenvolvido ao máximo que, raciocinando, já se servia de diversos meios auxiliares para a manutenção da vida e para a defesa. Podemos também hoje observar espécies de animais que se utilizam de alguns meios auxiliares para obter e conservar suas necessidades de vida e que mostram, muitas vezes, na defesa, surpreendente astúcia.

Os animais desenvolvidos ao máximo, antes mencionados, que com as transmutações operadas na Terra acabaram desaparecendo, são designados hoje como “seres humanos primitivos”.Chamá-los, porém, de antepassados do ser humano é um grande erro! Com o mesmo direito se poderia designar as vacas como “mães parciais” da humanidade, visto que um grande número de crianças, nos primeiros meses de vida, necessita do leite de vaca para o desenvolvimento de seus corpos, permanecendo, portanto, com o auxílio delas em condições de viver e crescer.

 

Muito mais do que isso não tinha que ver também o “ser humano primitivo”, esse animal nobre e pensante, com o verdadeiro ser humano, pois o corpo de matéria grosseira do ser humano nada mais é do que o meio auxiliar indispensável de que ele necessita para poder agir em todos os sentidos na matéria grosseira terrenal, e fazer-se compreender.

Com a afirmação de que o ser humano descende do macaco, literalmente, “joga-se fora a criança com a água do banho”! Com isso ultrapassa-se de muito o objetivo. Uma parte do processo fica é erigida como fato único e total. Aí falta o essencial!

Seria adequada, se o corpo do ser humano fosse realmente “o ser humano”. Mas o corpo material é apenas sua vestimenta, que ele despe tão logo retorne à matéria fina.

Como se deu então a primeira encarnação do ser humano?

 

Depois de atingido o ponto culminante no mundo de matéria grosseira com o animal mais perfeito, tinha que se processar uma alteração em prol do desenvolvimento progressivo, se não devesse ocorrer qualquer estagnação, a qual, com seus perigos, poderia tornar-se um retrocesso. E essa alteração fora prevista e sobreveio:

Saído como centelha espiritual, baixando através do mundo de matéria fina, soerguendo tudo com isso, estava em seu limite, no momento exato em que o recetáculo de matéria grosseira terrenal, ascendendo, atingira o ponto culminante de seu desenvolvimento, o ser humano de matéria fina e espiritual, igualmente aparelhado a se ligar com a matéria grosseira para beneficiá-la e soergue-la.

Assim, enquanto o recetáculo ia amadurecendo na matéria grosseira, a alma tinha se desenvolvido de tal forma na matéria fina, que possuía a força necessária para, entrando no recetáculo grosseiro, resguardar sua autonomia.

A ligação dessas duas partes significou então uma união mais íntima do mundo de matéria grosseira com o mundo de matéria fina, até em cima, no espiritual.

Somente este processo constituiu o nascimento do ser humano!

A própria geração é ainda hoje, no ser humano, um ato puramente animal. Sentimentos mais elevados ou mais baixos aí nada têm a ver com o ato em si, mas acarretam conjunturas espirituais cujos efeitos, na atração da espécie absolutamente igual, são de grande importância.

De espécie puramente animal é também o desenvolvimento do corpo até a metade da gestação. Puramente animal não é propriamente a expressão certa, no entanto, quero designá-lo por ora de puramente grosso-material e somente em dissertações vindouras entrarei em detalhes.

No meio da gestação, em um determinado grau de maturidade do corpo em formação, é encarnado o espírito previsto para o nascimento e que até ali se mantivera frequentemente nas proximidades da futura mãe. A entrada do espírito provoca as primeiras contrações do pequeno corpo de matéria grosseira que se desenvolve, isto é, os primeiros movimentos da criança.

Então também se origina a sensação particularmente bem-aventurada da gestante, que, desse instante em diante, experimenta sentimentos intuitivos inteiramente diferentes: a consciência da proximidade do segundo espírito nela, a perceção do mesmo. E conforme a espécie desse novo, desse segundo espírito nela, serão também os seus próprios sentimentos intuitivos.

Assim é o processo em cada encarnação do ser humano. Agora, porém, voltemos à primeira encarnação do ser humano.

 

Chegara, pois, o grande período no desenvolvimento da Criação: de um lado, no mundo de matéria grosseira, estava o animal desenvolvido ao máximo, que devia fornecer o corpo terreno como recetáculo para o futuro ser humano; de outro lado, no mundo de matéria fina, estava a alma humana desenvolvida, que aguardava a ligação com o recetáculo de matéria grosseira, a fim de assim dar a tudo quanto é matéria grosseira um impulso mais amplo para a espiritualização.

Quando se realizou um ato gerador entre o mais nobre par desses animais altamente desenvolvidos, não surgiu no momento da encarnação, como até então, uma alma animal (*), encarnando-se contudo, em seu lugar, a alma humana já preparada para isso e que trazia em si a imortal centelha espiritual. As almas humanas de matéria fina com aptidões desenvolvidas de modo predominantemente positivo, encarnaram-se de acordo com a igual espécie em corpos animais masculinos; aquelas com aptidões predominantemente negativas, mais delicadas, em corpos femininos mais chegados à sua espécie. (**)

Esse processo não oferece o menor ponto de apoio para a afirmação de que o ser humano, cuja verdadeira origem está no espiritual, descende do animal “ser humano primitivo”, que apenas pôde fornecer o recetáculo grosso-material de transição. Também hoje os mais acérrimos materialistas não admitiriam a hipótese de parentesco direto com um animal e, entretanto, hoje como outrora permanece um estreito parentesco corporal, isto é, igual espécie grosso-material, ao passo que o ser humano realmente “vivo”, o seu “Eu” propriamente espiritual, não apresenta nenhuma igual espécie com o animal e tampouco é uma derivação do mesmo.

Após o nascimento do primeiro ser humano terreno, encontrava-se este então sozinho na realidade, sem pais, visto que, apesar do elevado desenvolvimento dos mesmos, não podia reconhecer nos animais os seus pais e com eles ter uma vida em comum.

Aliás, nem necessitava disso, pois era criatura humana plenamente intuitiva e vivia como tal também no mundo de matéria fina, que lhe proporcionava valores que tudo o mais completava.

 

A separação da mulher, do primeiro ser humano, foi de ordem fino-material e espiritual. Essa não ocorreu na matéria grosseira terrenal, pois as descrições da Bíblia e dos velhos escritos religiosos se referem, predominantemente, apenas a acontecimentos espirituais e de matéria fina. O ser humano, como tal, estava sozinho e se utilizava, então, no crescimento, principalmente dos sentimentos intuitivos mais severos, mais rudes, para a manutenção de sua vida, com o que os sentimentos intuitivos mais delicados foram cada vez mais empurrados para o lado e isolados, até que se separaram completamente como a parte mais delicada do ser humano espiritual.

[…]

Hoje, contudo, estamos finalmente perto da hora em que surgirá o próximo grande período da Criação, que será de progresso incondicional e trará o que já o primeiro período com a encarnação do ser humano devia trazer: o nascimento do ser humano pleno e espiritualizado! Desse ser humano que atua favorecendo e enobrecendo toda a Criação de matéria grosseira, como é a verdadeira finalidade dos seres humanos na Terra.

Então não haverá mais lugar para o materialista acorrentado somente a conceitos terrenos de espaço e tempo, retendo tudo em baixo. Será um estranho em todos os países, um apátrida. Secará e desaparecerá como o joio que se separa do trigo. Atentai para que não vos encontreis demasiado leves nessa separação!

 

Abdruschin

 

(*) Dissertação: “A diferença de origem entre o ser humano e o animal”.

(*) Dissertação: “Sexo”.

                        

Excerto da dissertação, “A criação do ser humano”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 18) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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