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Responsabilidade

por Círculo do Graal, em 01.06.13

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

 

Essa questão continua sendo primordial, porque a grande maioria dos seres humanos gostaria de livrar-se de toda a responsabilidade, jogando-a sobre qualquer outra coisa, menos sobre si mesmo. Que isso constitua em si uma desvalorização pessoal não tem nenhuma importância para eles. A tal respeito são de facto bem humildes e modestos, mas somente a fim de poderem entregar-se a uma vida ainda mais prazenteira e inescrupulosa.

Seria tão bonito, pois, poderem preencher todos os seus desejos e satisfazerem todos os seus apetites, também perante outras pessoas, ficando isentos de castigo. As leis terrenas podem, em casos de necessidade, ser burladas, evitando conflitos. Os mais habilidosos podem até mesmo, acobertados por essas mesmas leis, realizar empreendimentos astuciosos muito bem sucedidos e fazer muitas outras coisas que não suportariam nenhum teste de moralidade. Ainda muitas vezes granjeiam com isso a fama de pessoas excecionalmente eficientes.

Portanto, com alguma habilidade poderiam levar uma vida bem agradável, conforme suas próprias ideias, se… não existisse algures determinada coisa que despertasse um sentimento incomodo, se não surgisse às vezes uma momentânea inquietação crescente no sentido de que, finalmente, muita coisa poderia ser um pouco diferente do que os próprios desejos estabelecem para si.

E assim é! A realidade é séria e inexorável. Os desejos humanos não podem, a tal respeito, provocar alterações de espécie alguma. Férrea se mantém a lei: “Aquilo que o ser humano semeia, colherá multiplicadamente!”

 

Estas poucas palavras contêm e dizem muito mais do que tantos pensam. Coadunam-se, com precisão e certeza absolutas, com os fenómenos reais do efeito recíproco que reside na Criação. Não poderia ser encontrada expressão mais adequada para o facto. Assim como a colheita resulta da multiplicação de uma semeadura, da mesma forma o ser humano colherá sempre multiplicado aquilo que ele despertou e emitiu com seus próprios sentimentos intuitivos de acordo com a espécie de sua vontade.

A criatura humana traz, por conseguinte, espiritualmente a responsabilidade de tudo quanto faz. Essa responsabilidade é contemporânea já da resolução e não posterior ao ato realizado, que nada mais é senão uma consequência da resolução. E a resolução é o despertar dum querer sincero!

Não existe separação alguma entre o Aquém e o chamado Além, mas sim tudo é um único e imenso existir. Toda essa Criação gigantesca, em parte visível e em parte invisível aos seres humanos, atua como uma engrenagem admiravelmente bem feita, jamais falhando, que se articula com justeza, sem se desengrenar. Leis uniformes seguram o todo, perpassam tudo como um sistema nervoso, unem e libera mutuamente em constante efeito recíproco!

 

Quando as igrejas e as escolas se referem ao céu e ao inferno, a Deus e ao diabo, tudo isso está certo. O errado é a explicação referente às forças boas e más. Isso induzirá qualquer indagador sério a ficar em dúvidas e a cometer erros, pois onde existem duas forças, logicamente deve haver dois soberanos, que nesse caso seriam dois deuses, um bom e outro mau,

E este não é o caso!

Existe apenas um Criador, um Deus, e portanto também apenas uma força que perflui, vivifica e fomenta tudo o que existe!

Essa força Divina, pura e criadora, atravessa constantemente toda a Criação, reside nela e é inseparável da mesma. Encontra-se em toda a parte: no ar, em cada gota de água, nas pedras que se formam, nas plantas que crescem, nos animais e naturalmente nas criaturas humanas também. Nada existe onde ela não esteja.

E assim como ela tudo perpassa, da mesma forma também perflui ininterruptamente o ser humano. O ser humano, porém, é constituído de tal maneira, que se assemelha a uma lente. E assim como uma lente reúne os raios solares que a atravessam, conduzindo-os adiante em forma concentrada, de maneira que os raios caloríficos, reunindo-se num ponto, ardam e produzam fogo, da mesma forma o ser humano, devido à sua constituição especial, reúne por meio de sua intuição a força da Criação que o perpassa e a conduz adiante, de forma concentrada, através de seus pensamentos.

Conforme a espécie desse intuir e os consequentes pensamentos, a força criadora de Deus, de atuação autónoma, será dirigida por ele para bons ou maus efeitos!

Essa é a responsabilidade com que o ser humano tem de arcar! Nisso encontra-se também o seu livre-arbítrio!

 

Vós, que muitas vezes procurais de modo tão convulsivo encontrar o verdadeiro caminho, porque fazeis tudo assim tão difícil? Imaginai com toda a singeleza como flui através de vós a força pura do Criador, a qual dirigis com os vossos pensamentos em direção boa ou má. Dessa maneira, sem esforço nem quebra-cabeça, tereis tudo!

Considerai que depende da singeleza de vossos sentimentos intuitivos e pensamentos, essa força prodigiosa acarretar o bem ou o mal. Que poder benéfico ou destruidor vos é concedido com isso!

Não precisais nesse caso fazer tal esforço que vos provoque suor na fronte, nem precisais agarrar-vos às chamadas práticas ocultistas, a fim de, mediante contorções corporais e espirituais, possíveis e impossíveis, alcançar algum degrau totalmente insignificante para vossa verdadeira ascensão espiritual!

Abandonai tais brincadeiras que roubam o tempo e que já tantas vezes se transformaram em tormentos mortificantes, que nada mais significam do que as auto fustigações e castigos de outrora nos conventos. Apresentam-se apenas de outra forma, da qual tampouco podereis obter vantagem.

Os chamados mestres e discípulos do ocultismo são modernos fariseus! Na mais fiel aceção do termo. Constituem legítimas reproduções dos fariseus do tempo de Jesus de Nazaré.

 

Lembrai-vos com alegria pura, que podeis, sem nenhum esforço, através de vosso singelo e bem-intencionado intuir e pensar, dirigir essa força única e gigantesca da Criação. Exatamente de acordo com a maneira de vossa intuição e de vossos pensamentos são os efeitos dessa força. Atua por si, bastando apenas que a guieis.

Isso se processa com toda a simplicidade e singeleza! Para tal não se faz necessária erudição, nem mesmo saber ler ou escrever. A cada qual de vós é dado em igual medida! Nisso não há diferença.

Assim como uma criança pode, brincando, ligar uma corrente elétrica, mexendo num interruptor, disso decorrendo efeitos incríveis, da mesma forma vos é outorgado o dom de guiar a força Divina, através de vossos simples pensamentos.

Utilizando-a para boas finalidades, podeis vos alegrar e orgulhar! Tremei, porém, se a desperdiçais ou se a empregais em coisas impuras! Pois não podeis fugir à lei da reciprocidade que está inserida na Criação! Mesmo que tivésseis as asas da aurora, alcançar-vos-ia a mão do Senhor, de cuja força abusastes, onde quer que vos escondêsseis, e isso através desse efeito de reciprocidade que atua automaticamente.

 

O mal é produzido pela mesma pura força Divina, assim como o bem!

E essa maneira voluntária e livre de aplicar a força Divina uniforme, acarreta consigo a responsabilidade da qual ninguém pode escapar. Por isso clamo a cada um que procura: “Conserva puro o foco dos teus pensamentos, com isso estabelecerás a paz e serás feliz!”

Regozijai-vos, ignorantes e fracos, pois vos é dado o mesmo poder que aos fortes! Não vos dificulteis, portanto, em demasia! Não vos esqueçais de que a pura e autónoma força de Deus flui também através de vós e que igualmente vós, como seres humanos, estais capacitados a dar a essa força uma determinada direção pela espécie de vossos sentimentos intuitivos, isto é, de vossa vontade, quer para o bem como para o mal, construindo ou devastando, trazendo alegria ou sofrimento!

Em virtude de existir apenas essa única força de Deus, esclarece-se também o segredo porque em todas as lutas finais acabam as trevas tendo de retroceder diante da luz, e o mal diante do bem. Se dirigirdes a força de Deus no sentido do bem, ela preservará sua pureza primitiva, sem turvação, e desenvolverá desse modo uma força muito maior, ao passo que com a turvação para o impuro, processa-se ao mesmo tempo um enfraquecimento. Assim, numa luta final, a pureza da força terá sempre efeitos concretos e decisivos.

 

O que vem a ser bem e mal, cada um sente até na ponta dos dedos, sem explicações. Cismar a tal respeito só traria confusões. Entregar-se a cismas é desperdício de energias, é como um pântano, um brejo viscoso, que imobiliza e asfixia tudo o que está ao seu alcance. Alegria radiante, porém, rompe as barreiras do cismar. Não tendes a necessidade de ser tristes e oprimidos!

A todo o momento podeis iniciar a escalada para as alturas e reparar o passado, seja ele qual for! Não façais nada mais do que pensar no facto de que a pura força de Deus vos perflui continuamente, então vós próprios temereis em dirigir essa pureza para canais imundos de maus pensamentos, porque sem qualquer esforço podeis alcançar da mesma maneira o mais elevado e o mais nobre. Precisais apenas dirigir; a força então atuará por si mesma, na direção por vós desejada.

Tendes assim em vossas próprias mãos a felicidade ou a infelicidade. Soerguei, portanto, a cabeça com altivez, libertando e arejando a fronte. Se não o chamardes, o mal não poderá aproximar-se! Suceder-vos-á aquilo pelo que houverdes optado!

 

Abdruschin

                        

Dissertação, “Responsabilidade”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 07) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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