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Que procurais?

por Círculo do Graal, em 06.10.12

Que procurais? Dizei, que significa esse impetuoso anseio? Como um bramir atravessa o mundo, e vagalhões de livros se derramam sobre todos os povos. Sábios procuram em antigas escrituras, investigam, cismam até à exaustão espiritual.

Profetas aparecem advertindo, prometendo… de todos os lados se quer de repente, como em estado febril, difundir nova Luz!

Assim passa atualmente, como uma tempestade, pela alma humana alvoraçada, sem nutrir nem refrescar, mas sim, crestando, consumindo e absorvendo as ultimas forças que restaram à desequilibrada alma humana, nas sombras da atualidade.

Também aqui e acolá, manifesta-se um sussurro, um murmúrio de expetativa crescente, de algo que está para vir. Inquieto está cada nervo, tenso de um anseio inconsciente. Palpita, borbulha e paira sobre tudo, de modo latente e sombrio, uma espécie de atordoamento. Gerando desgraça. Que há-de nascer disso? Confusão, desalento e ruina, se não for rasgada com energia a camada escura que hoje envolve espiritualmente o globo terrestre, e que, com a viscosidade dos charcos imundos, absorve e sufoca cada livre pensamento luminoso que surge antes de se tornar forte, a qual, com o silêncio lúgubre de um pântano, já reprime, decompõe e destrói no germe cada boa vontade, antes que possa surgir qualquer ação.

O clamor dos que buscam a Luz, porém, que contém força para fender o charco, é desviado, e seu eco se perde contra uma abóboda impenetrável, erigida com empenho justamente por aqueles que pensam ajudar. Eles oferecem pedras em lugar de pão!

Vede essa infinidade de livros:

Através deles o espírito humano só se cansará, não se vivificará! E isso é a prova da esterilidade de tudo quanto oferecem. Pois o que cansa o espírito nunca é o certo.

Pão espiritual refresca imediatamente, Verdade nutre, e Luz vivifica!

 

Pessoas simples têm, portanto, que desanimar, quando veem que muros estão sendo levantados ao redor do Além, pela assim chamada ciência do espírito. Quem, dentre os simples, pode entender as frases eruditas e estranhas expressões? Destinar-se-á então o Além só para os cientistas do espírito?

Fala-se com isso de Deus! Acaso se faz mister erigir uma Universidade, para nela se aprender primeiramente a faculdade de entender a noção da Divindade? Para onde leva essa mania que em grande parte está arraigada apenas na ambição?

Como bêbedos cambaleiam os leitores e os ouvintes, de um lugar para o outro, incertos, tolhidos, unilaterais, pois foram desviados do caminho simples.

Escutai, ó desalentados! Erguei o olhar, vós que buscais com sinceridade: o caminho para o Altíssimo se encontra pronto na frente de cada criatura humana! A erudição não é a porta que leva até lá!

Escolheu Cristo Jesus, esse grande exemplo no verdadeiro caminho para a Luz, os seus discípulos entre os cultos fariseus? Entre pesquisadores das escrituras? Tirou-os da singeleza e da simplicidade, porque eles não tinham que se debater contra este grande erro, que o caminho para a Luz é difícil de aprender e árduo de seguir.

Semelhante pensamento é o maior inimigo das criaturas humanas, pois é mentira!

Por isso, distanciai-vos de toda e qualquer sabedoria vã, lá onde se trata do que há de mais sagrado no ser humano e que precisa ser plenamente compreendido. Afastai-vos, porque a ciência, como obra malfeita do cérebro humano, é fragmentária, e como tal tem de permanecer.

Refleti, como poderia a ciência, tão arduamente aprendida, levar à Divindade? Que é o saber, na realidade? Saber é o que o cérebro pode compreender. Quão restrito e limitado é, contudo, a capacidade de compreensão do cérebro, que tem de continuar ligado firmemente ao espaço e ao tempo. Já a eternidade e o sentido do infinito não consegue um cérebro humano abranger. Exatamente isso, que se acha ligado inseparavelmente à Divindade.

Silencioso, porém, permanece o cérebro, diante dessa força inapreensível que interpenetra tudo o que existe e da qual ele próprio haure sua atividade. A força que todos sentem dia após dia, hora após hora, cada momento, como algo evidente, que a própria ciência sempre reconhece existir, e que com o cérebro, portanto, com o saber e o raciocínio, se procura em vão alcançar e aprender.

 

Assim, pois, é incompleta a atividade de um cérebro, essa pedra fundamental e instrumento da ciência; e essa limitação se faz sentir logicamente também através das obras que constrói, isto é, através de todas as ciências. Por conseguinte, a ciência é útil como complemento, para uma compreensão melhor, para subdividir e classificar tudo quanto ela recebe pronto da força criadora precedente, tendo porém que malograr incondicionalmente, se pretender se arrogar a guia ou crítica, enquanto se prender, como até agora, tão firmemente ao raciocínio, isto é, à faculdade de compreensão do cérebro.

 

É por esse motivo que a erudição, e também a humanidade que por ela se orienta, permanecem sempre presas a pormenores, ao passo que cada ser humano traz em si, como dádiva, o grande todo inapreensível que o capacita deveras, sem ensinamentos cansativos, a atingir o que há de mais nobre e sublime!

Portanto, fora com o tormento inútil da escravidão espiritual! Não é em vão que o grande Mestre exclama: Sede como as crianças!

Quem possui em si firme vontade para o bem e se esforça por outorgar limpidez a seus pensamentos, esse já achou o caminho para o Altíssimo! E assim, tudo o mais lhe será concedido. Para tanto não precisa nem de livros ou esforço espiritual e nem de penitência ou isolamento. Torna-se sadio de corpo e alma, livre de toda a pressão de sofismas malsãos, pois qualquer exagero prejudica. Deveis ser criaturas humanas, e não plantas de estufa, que devido a desenvolvimento unilateral logo sucumbem às primeiras rajadas de vento!

Despertai! Olhai em redor! Ouvi vosso íntimo! Isso, sozinho, pode abrir o caminho!

Não deis atenção às brigas das igrejas. O grande Portador da Verdade, Cristo Jesus, a corporificação do Amor Divino, não perguntou pelas confissões. Que são hoje as confissões? Tolhimentos do espírito livre do ser humano, escravização da centelha de Deus que habita em vós*; dogmas que procuram restringir a obra do Criador e também Seu Amor imenso nas formas estreitas do sentido humano, o que equivale a rebaixamento e desvalorização proposital da ideia do Divino.

Todo investigador sincero repele esse procedimento, pois através dele jamais poderá vivenciar a grande realidade, deixando cada vez mais desesperançado seu anseio pela Verdade, fazendo-o por fim desesperar de si e do Mundo!

Por conseguinte, despertai! Destruí os muros dogmáticos dentro de vós, arrancai a venda para que a Luz pura do Altíssimo possa atingir-vos intata. Erguer-se-á então, jubiloso, o vosso espírito até às Alturas, participando com alegria do grande Amor do Pai, que desconhece quaisquer fronteiras do raciocínio terrestre. Sabereis finalmente que sois uma parte desse Amor e o compreendereis sem esforço e completamente; unir-vos-eis a ele, e assim diariamente ganhareis, hora após hora, novas forças, como uma dádiva, que vos permitirá sair da confusão com toda a naturalidade.

 

Abdruschin

 

* Vide Dissertação: “Erros”

 

Dissertação (1) “Que procurais?” da obra "Na Luz da Verdade-Mensagem do Graal", volume I

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