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Epílogo: Como assimilar a Mensagem

por Círculo do Graal, em 19.12.15

O ser humano terreno comete um grande erro, quando procura o saber espiritual: deseja prosseguir dando saltos, ao invés de caminhar passo a passo, com calma e certeza absoluta. Mal percebe qualquer impulso que o queira conduzir para a busca de valores espirituais, pergunta logo pelas coisas mais altas, que se acham muito acima da capacidade de compreensão de um espírito humano.

Com isso já se torna, de antemão, incapaz de assimilar algo. Perturbado, sem coragem, logo deixa de procurar. Não raro lhe sobe até o rancor em sua alma, e zomba, tripudia e escarnece de outros pesquisadores, contra os quais investe hostilmente. Todavia tal hostilidade se baseia propriamente na sensação de um reconhecimento opressivo de que ele próprio não foi capaz de encontrar valores nas coisas espirituais. O saber de sua impotência leva-o a uma hostilidade, a que se associam inveja e despeito.

Quem escarnece não é superior, mas somente um enraivecido. No escárnio e desdém encontra-se uma confissão franca da própria insuficiência, da própria fraqueza, da incapacidade em relação a uma determinada coisa, para cuja compreensão falta ao escarnecedor a respetiva capacidade. Ou é a inveja que se manifesta através dele. Inveja do facto de outrem poder compreender algo que lhe permanece incompreensível.

 

Também é peculiar ao espírito humano que lhe falte o escárnio e o desdém em que se imagina mais sabedor. Estando convencido realmente do seu saber, falta-lhe qualquer impulso para o rancor e a hostilidade.

Mas então pode também o medo fazer com que o espírito humano se torne cheio de ódio. Antes de tudo, o medo de ser rebaixado na opinião pública, o medo de que se torne conhecido que seu próprio saber, até então por ele tão orgulhosamente mostrado, receba um golpe através de uma coisa que ele mesmo não é capaz de seguir ou que não pode seguir, sem classificar seu querer saber de até então como sendo falho, senão falso.

Esse é, com certeza, o motivo mais forte para um espírito humano terreno dirigir ataques, escárnios, zombarias e adotar até mesmo os mais repugnantes métodos de combate, não recuando perante mentiras e calúnias, e passando até mesmo à agressão, caso não consiga êxito de outra maneira.

Assim é nas coisas mínimas bem como nas máximas. Quanto mais um ser humano, com seu querer saber, exercia influência sobre os seus semelhantes, quanto mais estes têm conhecimento desse querer saber, tanto mais energicamente ele se fechará sempre perante novos conhecimentos provenientes de lado desconhecido, tanto mais desesperadamente trabalhará contra os mesmos.

 

Muitos seres humanos gostariam de abrir-se a um novo saber, mesmo que este se opusesse ao seu quere saber imaginário e falso, contanto que ninguém saiba de suas opiniões anteriores.

Mas se seus semelhantes têm conhecimento disso, então sua vaidade não admite que ele se associe a um novo saber, o qual modifique o seu, pois com isso mostraria ter andado errado até agora. Rejeita-o então e às vezes também contra a sua própria convicção íntima, o que frequentemente o faz passar horas difíceis!

Covardemente procura então palavras bem-soantes que devam encobrir a sua vaidade, e o raciocínio sagaz ajuda-o nesse sentido. Faz com que declare, com ares de dignidade, que se considera responsável perante aqueles que o seguiram até agora em seus caminhos. Por “amor” aos outros rejeita o novo saber, a fim de não se espalharem inquietações naquela paz que as almas de seus fiéis encontravam nos pensamentos de até então.

Aqueles que assim falam são hipócritas condenáveis, pois a sua paz tão louvada não passa de sono que aprisiona o espírito humano e o impede de mexer-se, segundo a lei Divina do movimento, e de desenvolver o espírito, a fim de que lhe cresçam as asas para o voo rumo às alturas luminosas, e das quais eles, em seu sono de paz, têm de ficar afastados!

 

Entretanto, muitas pessoas de bom grado correm atrás desses indivíduos nocivos às leis de Deus, porque a comodidade, que eles ensinam, é muito sedutora para os espíritos humanos indolentes! É o caminho largo de toda a comodidade rumo à condenação, às regiões da decomposição. Não foi sem motivo que o Filho de Deus, Jesus, se referiu tantas vezes ao caminho estreito, duro e pedregoso rumo às alturas, e advertiu contra a estrada larga da comodidade! Ele conhecia bem demais a preguiça e a indolência desses espíritos humanos e as tentações dos asseclas de Lúcifer, que aproveitam as fraquezas!

O ser humano tem de se mexer, se quiser atingir as alturas luminosas. O Paraíso espera-o, mas não desce até ele, se ele não anseia atingi-lo. Todavia, ansiar não significa unicamente, pedir, mendigar, conforme fazeis hoje; ansiar significa agir, movimentar-se, a fim de chegar até lá!

Os seres humanos, porém, somente mendigam, e ainda supõem que sertão conduzidos por aquelas mãos, que outrora eles odiosamente perfuraram com pregos! A todos vós será mostrado somente o caminho, ó preguiçosos; percorrê-lo, vós próprios é que tendes de fazê-lo! Para conseguir isso, tendes de esforçar-vos.

Quantas vezes Cristo disse isso, e contudo pensais que os pecados vos podem ser perdoados assim sem mais nem menos, diretamente, bastando rogardes por isso. Viveis segundo vossos desejos e exigências, e ainda mendigais que vos seja concedido auxílio Divino para tanto. Esperais esse auxílio, porém, novamente daquela forma, conforme vós quereis, impondo até condições nisso.

 

Para onde quer que olhardes, preguiça e presunção. Nada mais. Também é preguiça do espírito, quando, no início do despertar espiritual, dando saltos, já perguntais pelas coisas mais elevadas. Com isso quereis apenas ver, no começo, se vale a pena seguir o caminho, que requererá esforços de vós. Não vos dais conta de como um ser humano se torna ridículo com tais perguntas, perante aquele que vos pode dar resposta. Pois tais perguntas só podem ser explicadas por alguém que venha consciente de cima, que esteve nas coisas mais elevadas.

E quem vem de cima sabe, também, que não há sequer um espírito humano que possa pressentir tais coisas e menos ainda conseguir assimilá-las conscientemente.

Eu vos trouxe aquela Mensagem, da qual os seres humanos terrenos necessitam, se quiserem ascender espiritualmente! Aprofundai-vos direito nela! Contudo, na melhor das hipóteses a achareis bela… e logo perguntareis por coisas que jamais podereis compreender. Por isso também não trazem proveito para vós.

Quando, porém, tiverdes acolhido direito em vós a Mensagem inteira, vivenciando e experimentando dentro de vós cada palavra, a fim de convertê-las em ações, como coisa natural de vossa existência na Terra, então ela será vossa como a vossa carne e o vosso sangue, dos quais necessitais na Terra para o cumprimento de vossa peregrinação terrena.

 

Se agirdes dessa forma, então, consequentemente, não mais apresentareis semelhantes perguntas, pois então vos tereis tornado sabedores, tão sabedores quanto pode tornar-se um espírito humano. E com isso também terminará, ao mesmo tempo, o desejar insensato, pois no saber vos tereis tornado verdadeiramente humildes, tereis colocado de lado as fraquezas de vossa vaidade humana, do orgulho, da presunção de vosso querer saber próprio e os muitos defeitos que um espírito humano adquiriu.

Por conseguinte, quem faz essas perguntas, e outras parecidas, dorme ainda na preguiça de seu espírito e apenas imagina com isso acentuar a atividade do espírito e o forte impulso para a procura. Não é diferente de uma criança que gostaria de realizar uma corrida e todavia nem sequer aprendeu ainda a andar!

Também não podeis tomar da Mensagem partes isoladas, que vos convenha ou interessem no momento, pois interesse não basta para o aprendizado espiritual, é suficiente apenas para o raciocínio, não para o espírito, que exige mais.

Tendes tomar tudo ou nada.

 

Pode bem, do interesse, surgir verdadeira procura; porém não facilmente e mui raramente. Também o fervor só prejudica, pois induz a dar saltos, que paralisam as forças. Prosseguir com serenidade, palavra por palavra, frase por frase; não apenas ler e aprender, mas sim procurar, como na vida, assimilar em imagens tudo o que vos dei. Aprofundai-vos nas minhas palavras, então, sim, só então podereis ter um pressentimento de que possuís a Palavra da Vida nas mãos, a própria Palavra Viva, que não foi composta com coisas aprendidas ou imaginadas.

Somente quando vos esforçardes em viver de acordo com a lei Divina do movimento harmonioso, então a Palavra poderá tornar-se viva em vós, a fim de fazer-vos subir às alturas luminosas, que são a vossa verdadeira pátria. Antes, porém, destruí todas as muralhas que a preguiça de vosso espírito, durante milénios, consolidou tão firmemente em redor de vós, que atrofiou e prendeu as vossas asas espirituais, a ponto de bastar-vos o dogma rígido e morto, sim, até parecer-vos grande, e com o qual vós hoje, somente de forma vazia, procurais servir aquele Deus, Que é a própria Vida!

Apesar disso ainda vos esclareci, por fim, mediante descrições, aquilo que chamais as últimas coisas, mas que na realidade são as primeiras, de maneira que agora não sobra mais nenhuma pergunta a ser feita durante a existência inteira. Dei-vos com isso como recompensa, pois para reconhecer as descrições deveis antes vos ter submetido àquele esforço de assimilar vivamente, dentro de vós, palavra por palavra da mensagem inteira! Quem omite esse trabalho jamais poderá compreender-me, mesmo que julgue isso possível.

 

Evitai, portanto, todos os saltos; ide, pelo contrário, ao fundo de cada uma de minhas palavras, desde o início, e frase por frase. Ser humano algum é capaz de esgotar aqui na Terra o valor da Mensagem, pois ela se destina a todas as partes do Universo. Não tomeis indiscriminadamente partes isoladas da Mensagem. Ela é um todo, indivisível, como as leis de Deus nesta Criação. Nada pode o espírito humano abalar ou torcer nisso, sem se prejudicar a si próprio. Também não podeis anexar a ela nada de fora, nem podeis intercalar em lugares isolados qualquer coisa estranha, que vos seja mais agradável, não importando se se origine de uma doutrina conhecida por vós ou se provenha de vós mesmos.

Desde a primeira até à última palavra tendes de deixar inalterada a minha Mensagem, se ela deva trazer-vos proveito. Primeiro tendes de vivenciá-la dentro de vós, a fim de então, exteriorizando-a, transformá-la em vossa vida!

Se agirdes assim, então caminhareis direito e as alturas luminosas se abrirão diante de vosso espírito, a fim de que as atravesseis em direção ao mais elevado reino de radiantes atividades dos espíritos humanos bem-aventurados, reino esse que denominais Paraíso. Lá pressentireis então o espiritual primordial e intuireis a força do Divino, que ofereci em descrições. E então não querereis mais perguntar, porque em meio à vossa felicidade permanecereis sem desejos! Então não vos atormentará mais o raciocínio, porque vivenciareis tudo.

 

Abdruschin

 

Dissertação “Epílogo: Como assimilar a Mensagem” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume III.

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