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Alma

por Círculo do Graal, em 26.09.15

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h - 10.00 h, TMG - Lisboa)

 

Muitas pessoas, que assimilaram muito bem a minha Mensagem, ainda não estão, apesar disso, suficientemente esclarecidas a respeito da expressão “alma”! Mas é indispensável que também reine clareza a esse respeito.

Exatamente sobre a alma a humanidade sempre falou demasiadamente, e assim formou uma imagem comum que, em sua superficialidade, se transformou num conceito genérico, que nada traz em si.

Quando se profere a palavra alma surge diante dos seres humanos uma pintura desbotada e gasta. Descorada e vazia, passa por eles sem nada dizer. Nada pode dizer à pessoa individualmente, porque foi usada de modo excessivo.

 

Contudo, exatamente pelo facto de que ela nada mais pode dizer, dela se apoderaram de bom grado aqueles seres humanos, que, com vazia eloquência, querem fazer brilhar sua luz ilusória sobre campos que não puderam ser abertos ao saber humano, porque a criatura humana de hoje se conserva fechada diante disso.

Também fazem parte deles aqueles seres humanos, que afirmam ocupar-se seriamente com isso. Conservam-se fechados devido a sua falsa vontade de procurar, que não é uma procura, porque iniciam tais trabalhos com opiniões preconcebidas e demasiadamente delimitadas, as quais querem comprimir na conceção do raciocínio preso à Terra, que jamais pode obter a possibilidade de assimilar por si algo disso.

 

Dai a um olho presbita uma lente que tenha sido lapidada para miopia… vereis que aquele olho nada pode distinguir com ela.

Não diferentemente se passa com esses que procuram, pois tentam executar suas atividades partindo de princípios errados.

Se aí, aliás, algo possa ser encontrado, aparecerá apenas borrado e desfigurado, de qualquer forma não como corresponde aos factos.

E no desconhecido, aparentemente turvado e parecendo sempre distorcido, devido aos meios auxiliares insuficientes, foi também empurrada a expressão “alma”, mas de tal maneira, como se houvesse a esse respeito um firme saber.

Houve essa ousadia porque cada um dizia a si próprio que não existiria ninguém que pudesse contestar tal afirmativa.

 

Mas tudo isso se arraigou tão firmemente, que agora ninguém quer abandonar, porque aquela imagem inconsistente e sem delimitação se mostra sempre de novo com a palavra alma.

Pensa aí o ser humano, certamente, que ao deixar uma imagem o mais abrangente possível, não se pode errar tão facilmente, do que quando os limites são firmemente traçados.

Aquilo que é muito abrangente, porém, ao mesmo tempo nada expressa de determinado, é indistinguível, senão inconsistente e turvo, como no presente caso. Nada vos dá, porque não é propriamente o certo.

Por esse motivo quero expressar mais uma vez com palavras claras o que a alma realmente é, a fim de que, finalmente vejais aí bem claramente e não continueis a utilizar, de modo tão inconsistente, expressões, cujo verdadeiro sentido nem conheceis.

 

Que tanto se tenha falado sobre a alma decorre também do facto de o espírito do ser humano não se ter movimentado suficientemente, para mostrar que ele também existe.

Que se tenha falado sempre apenas da alma e imaginado preferencialmente o espírito como um produto do raciocínio preso à Terra, foi de facto o melhor e mais eloquente testemunho do real e triste estado de todos os seres humanos na época atual!

A alma foi considerada como o mais íntimo; mais além não se ia, porque o espírito realmente dorme ou é demasiadamente fraco e indolente para poder se fazer notar como tal. Por isso representava com aparente direito o papel secundário. Ele, o espírito, que propriamente é tudo e também o único que realmente vive no ser humano ou, melhor dito, que devia viver, mas infelizmente dorme.

 

Que o espírito tivesse que se satisfazer com um papel secundário depreende-se bem nitidamente das muitas denominações conhecidas. Sob espíritos entende-se, por exemplo, em primeira linha, os fantasmas; diz-se que “fazem assombrações” por aí.

Por toda a parte onde na voz do povo é utilizada a expressão “espírito”, sempre associa-se algo que, ou não é bem-vindo e se gostaria de evitar, ou é algo duvidoso, não bem limpo, ou até malévolo, em suma, que se mostra e efetiva de maneira inferior. A não ser que a expressão “espírito” seja relacionada com o raciocínio.

Nesses casos, quando a expressão é relacionada com o raciocínio, encontra-se aí até uma espécie de respeito. Tão torcido é o querer saber nesses domínios. Precisais apenas refletir na interpretação, segundo os conceitos atuais, das duas expressões:

Espiritualizado e cheio d’alma!

[…]

Imaginai, portanto, o espírito como sendo a legítima espécie humana, o qual, como núcleo, veste vários invólucros para fins de evolução e desenvolvimento da própria força, que tem de aumentar até a mais alta prova de resistência por intermédio do corpo de matéria grosseira, a fim de poder chegar ao vitorioso aperfeiçoamento.

Ao mesmo tempo, porém, essas provas de resistência cada vez mais crescentes são, reciprocamente, também os beneficiadores degraus de desenvolvimento, e a Terra, dessa forma, o extremo plano decisivo.

Digamos, portanto, calmamente, o espírito é o próprio ser humano, todo o restante são apenas invólucros, mediante os quais ele se fortalece e, com a crescente obrigação de se movimentar, incandesce cada vez mais.

A incandescência que o espírito adquire dessa forma não se apaga quando deixa os invólucros, mas ela conduz o espírito, elevando-o para o alto, para o reino espiritual.

 

Pois exatamente na obrigação de se movimentar, sob o peso de seus invólucros, ele torna-se por fim tão forte, que pode suportar conscientemente a pressão mais forte no reino espiritual, o que não conseguia como germe espiritual.

Esse é o curso de seu desenvolvimento, que se processou por causa do espírito. Os próprios invólucros devem ser considerados nisso apenas como meio para o fim.

Por isso também nada se altera, quando o ser humano terreno deixa o corpo de matéria grosseira. É, então, ainda o mesmo ser humano, apenas em invólucro de matéria grosseira, com o qual fica também o assim chamado manto astral, que foi necessário para a formação do corpo terreno de matéria grosseira, e o qual se origina da matéria grosseira mediana.

Tão logo o pesado corpo terreno estiver desprendido junto com o corpo astral, o espírito continua envolto apenas com os invólucros mais delicados. Nesse estado o espírito é então chamado “alma”, para diferenciação do ser humano terreno em carne e sangue!

 

Na progressiva ascensão o ser humano também abandona, pouco a pouco, todos os invólucros, até que por fim conserva apenas o corpo espiritual, com um invólucro espiritual, e assim entra como espírito sem invólucros de outras espécies no reino do espírito.

Isso é um acontecimento evidente, visto que então mais nenhum invólucro estranho é capaz de retê-lo, e, por isso, ele tem de ser conduzido para cima, de modo natural, devido à espécie de sua própria constituição.

Essa é, portanto, a diferença, que muitas vezes vos ocasiona dificuldades na vontade de compreender, porque não tivestes clareza, e a imagem disso por essa razão permaneceu turva.

Na realidade, no ser humano somente entra em cogitação o espírito. Todas as outras denominações se orientam simplesmente de acordo com os invólucros que ele traz.

 

O espírito é tudo, é o essencial; portanto, o ser humano. Trazendo com outros invólucros também o invólucro terreno, então se chama ser humano terreno; abandonando o invólucro terreno é considerado então pelos seres humanos terrenos como alma; abandonando ainda os invólucros delicados, então ele permanece unicamente espírito, que sempre foi em sua espécie.

As diversas denominações orientam-se, portanto, simplesmente de acordo com a espécie dos invólucros, os quais nada poderiam ser sem o espírito que os incandesce.

Nos animais é um pouco diferente, pois estes têm em si algo de enteal como alma, cuja espécie os seres humanos não possuem!

 

Talvez por isso se tenham originado tantos erros, por pensarem os seres humanos que os animais também têm uma alma, a qual lhes permite agir. Por essa razão, no ser humano, que além da alma tem espírito, espírito e alma tinham de ser algo distinto e talvez até poder atuar separadamente.

Isso, porém, é errado, pois da espécie da alma animal o ser humano nada tem em si. No ser humano unicamente o espírito incandesce todos os invólucros, até mesmo quando está emuralhado e atado. Na algemação do espírito pelo raciocínio, o calor vivificador do espírito é dirigido para trilhas erradas, que o espírito não deformado jamais escolheria, se lhe tivesse sido deixado mão livre.

Mas sobre todas as torções e erros dos seres humanos a Mensagem dá esclarecimento nítido; antes de tudo, sobre como o ser humano tem de pensar e proceder, se quiser atingir as alturas luminosas.

 

Hoje apenas se faz mister esclarecer mais uma vez a expressão “alma”, para que o pensar errado sobre isso possa chegar a um fim.

O melhor para vós, seres humanos, seria se eu prosseguisse nisso mais um passo, dizendo-vos que apenas o animal tem uma alma, que o conduz. O ser humano, porém, tem espírito!

Com isso a diferença fica exatamente marcada e de maneira certa.

Se até agora ainda me utilizei da expressão alma, foi só porque ela está arraigada em vós tão firmemente, que tão depressa não podeis deixá-la.

Agora, porém, vejo que isso somente faz com que os erros continuem, se eu não fizer um profundo corte de separação nisso. Portanto, gravai firmemente em vós como base:

O animal tem alma, mas o ser humano tem espírito!

 

Está certo assim, mesmo que agora vos pareça estranho, porque decantastes a alma tantas vezes. Mas, acreditai-me, é somente o facto de estardes amarrados à expressão conhecida que vos faz surgir um sentimento elevado ante a palavra alma, como consequência dos cânticos que sempre procurastes tecer em volta da expressão alma.

Em lugar disso decantai, pois, o espírito, e logo essa expressão surgirá resplandecentemente diante de vós, muito mais clara e mais pura do que a expressão alma jamais poderia transmitir.

Acostumai-vos a isso e então também tereis avançado mais um passo no saber que conduz à Verdade!

 

Porém unicamente como base para vosso pensar deveis trazer agora essa diferença conscientemente dentro de vós. De resto, podereis continuar com a expressão alma também para os seres humanos, uma vez que para vós seria muito difícil, de outro modo, manter corretamente separados os degraus indispensáveis ao desenvolvimento.

A alma é o espírito já desligado da matéria grosseira, com invólucros fino-materiais e também enteais.

Ele tem de permanecer para a vossa conceituação tanto tempo alma, até tirar de si o último invólucro e estiver apto a entrar, como sendo somente espiritual, no reino espiritual.

Se tendes isso assim dentro de vós, então a expressão alma também pode ser utilizada e mantida em relação aos seres humanos.

Melhor seria se colocásseis o curso evolutivo do germe espiritual nas três divisões:

Ser humano terreno – Alma Humana – Espírito humano!

 

Enquanto tiverdes o conceito certo disso, pode passar, do contrário, porém, não seria aconselhável, porque de facto somente o animal tem uma “alma” no mais verdadeiro sentido. Uma alma que é algo por si só! O ser humano, porém, não tem, além do espírito, uma alma autónoma por si.

Mas, com relação aos seres humanos, não fica bem dizer, ao invés de alma, o espírito com invólucros, tampouco o espírito envolto ou, mais tarde, o espírito sem invólucro, o espírito descoberto.

Isso em si seria certo, mas demasiado complicado para a formação de um conceito.

Por isso conservemos o de até agora, como também já o fez Jesus, quando falava de alma. Compreendereis agora muito melhor ainda a sua indicação de que a alma tem de se desligar, pois desligar a alma outra coisa não quer dizer do que abandonar os invólucros ainda existentes, que retêm o espírito e, assim, livrá-lo do peso deles, para que o espírito possa, então libertado disso, prosseguir na ascensão.

 

Contudo, para os seres humanos terrenos de outrora ele não podia falar assim intelectivamente, tinha de expressar-se mais simplesmente e por isso conservar a maneira e o modo habituais.

Também hoje ainda pode permanecer assim, contanto que saibais exatamente os verdadeiros factos.

Gravai bem em vós:

O animal tem alma, mas o ser humano tem espírito!

 

Abdruschin

 

Excerto da dissertação “Alma” da obra “Na Luz da Verdade -Mensagem do Graal”, volume III.

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