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Almas torcidas

por Círculo do Graal, em 25.04.15

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

 

O ser humano tem perguntas sobre perguntas! Logo que eu lhe ofereço um novo saber, ele já vem com novas perguntas, antes mesmo de haver assimilado com discernimento tudo quanto lhe ofereci.

Este é o seu grande erro! Quer prosseguir sempre apressadamente. Se eu me deixasse orientar por ele, nunca poderia ele atingir nada, pois com suas perguntas permanece sempre no mesmo lugar, como um peregrino preguiçoso, que descansa sossegadamente na sombra de um bosque e deixa que outros lhe contem como é seu alvo, ao invés de se animar e dirigir-se para ele.

Ao longo de sua jornada, todavia, ele mesmo avistará e vivenciará tudo que gostaria de saber pelas respostas às perguntas que sempre deixa surgir em si. Precisa movimentar-se, senão não atingirá o alvo!

 

Eu disse, na dissertação “Mulher e Homem”, que cada ser humano deve extrair das minhas palavras a aplicação útil para a sua atual existência terrena! Caso queira seguir tal conselho, não lhe resta outra coisa a fazer, senão tornar viva dentro de si próprio a minha Palavra, configurando-a assim como eu a dou, pois sei exatamente do que o ser humano necessita e oriento minhas dissertações sempre nesse sentido. Ele tem de seguir as preleções palavra por palavra, pois elas contêm uma sequência gradativa, que conduz sua alma para cima, cuidadosamente. Um caminho por onde a alma pode escalar, se apenas quiser!

 

Suas rápidas perguntas mostram, logo, porém, que ele em sua habitual maneira de refletir, quer aprender, pondo de lado novamente a necessária vivência.

O aprender nada adianta para a alma, pois o que foi aprendido fica para trás, com o corpo terreno, já no primeiro passo para fora desta Terra. Apenas aquilo que foi vivenciado é que a alma leva consigo. Já disse isso muitas vezes, mas ainda assim o ser humano terreno procede sempre erroneamente quanto à Palavra Sagrada! Quer saber melhor ou não quer de bom grado abandonar sua maneira habitual.

Na construção de minhas dissertações existe uma direção, que ele não compreende. Também não é indispensável que ele a reconheça, contanto que a siga e não procure apressar-se em sua ânsia de querer saber, como os leitores superficiais de um livro, que o leem por causa da sensação, apenas para preencherem horas livres e distraírem-se do seu pensar unilateral sobre suas atividades diárias.

 

Durante a leitura, não veem os personagens do livro surgirem vivos diante de si, não atentam aos respetivos desenvolvimentos que os personagens em pauta têm de vivenciar, não veem as nítidas conclusões que dali se desenvolvem e que são capazes de modificar sempre e constantemente as circunstâncias e o ambiente. Nada disso é observado por eles, mas sim prosseguem saltando para a frente, a fim de rapidamente ainda se informarem sobre este ou aquele ponto de ação! Não extraem nenhum proveito dos melhores livros, que reproduzem um trecho da existência terrena e de onde o leitor poderia haurir muito para si, se coparticipasse de tudo, direito!

Como tais leitores, que procuram devorar literalmente todos os livros em seu entusiasmo, mas cuja verdadeira finalidade e sentido jamais reconhecem, sabendo apenas distinguir e indicar duas categorias: a dos livros sensacionais e a dos livros desinteressantes, assim são os seres humanos, em cujo íntimo se levantam imediatamente novas perguntas, tão logo leem uma dissertação do saber da Criação.

Devem, antes de tudo, procurar com a maior energia e esforço haurir aquilo que cada dissertação lhes oferece!

Caso algo ali não lhes pareça logo bem claro, não devem procurar, olhando mais para diante, mas sim têm de olhar para trás, na Mensagem, a fim de pesquisar dentro dela e nela encontrar o esclarecimento.

[…]

Todas as consequências das ações involuntárias, intuitivas, que poderemos designar como naturais, atuam, porém, de maneira educativa sobre as almas torcidas, que assim passam por dolorosas vivências e desilusões e se veem encaminhadas novamente para rumos certos, pelo menos em muitos casos. Mas isso não exclui que mais tarde sempre de novo venham a cair nesses ou em semelhantes erros. Se não se fortalecerem com as experiências, ficarão como os juncos que oscilam ao vento. Muito, muito podem os seres humanos, porém, agora, através do saber, evitar para o futuro. Muito sofrimento e muita perda de tempo! Pois até então não podia uma alma tornar-se consciente de sua distorção.

 

Exatamente como sucede com as almas masculinas em corpos femininos, ocorre com as almas femininas em corpos masculinos. Ambas as partes apresentam as mesmas consequências de uma lei uniforme e inflexível.

Uma coisa sobressairá com a observação do ambiente que vos rodeia e que já mencionei: o modo estranho pelo qual as almas femininas nos corpos masculinos se sentem atraídas pelas almas masculinas nos corpos femininos, e vice-versa. Justamente em semelhante contingência, uma mulher com vontade intelectiva mais forte e caráter predominantemente masculino se sente, na maioria dos casos, inconscientemente atraída por um homem com traços de caráter mais delicado.

Nisso reside não só uma procura inconsciente de equilíbrio, mas sim atua a grande lei de atração da igual espécie!

A igual espécie jaz aqui na distorção das almas! Ambas as almas são torcidas e possuem nessa contingência uma verdadeira espécie igual, que se atrai de acordo com a lei.

 

A atração que o homem sente pela mulher, excluindo disso o instinto sexual, é consequência ou efeito de uma outra lei, e não daquela da atração da igual espécie. Para melhor compreensão é oportuno que eu diga aqui alguma coisa sobre a espécie igual e explique o que se deve entender por espécie igual, pois nisso se encontra o fator decisivo.

A atração da igual espécie não é a única maneira que aparentemente atua atraindo. Nos processos de atração aparente jaz uma grande diferença. A atração da igual espécie, esta grande lei da Criação, é, porém, básica em todas as tendências de união da Criação, seja qual for a maneira pela qual se efetive. Essa grande lei condiciona primeiramente todos esses processos, conduzindo-os e regulando-os também. Paira sobre todos os acontecimentos e age impulsionando dentro deles e através deles, no tecer da Criação inteira.

Por isso, quero primeiramente separar as espécies de atração, conforme a designação de sua verdadeira atuação, isto é, segundo a sua atividade: na verdadeira atração, e no desejo de ligação de partes apartadas de uma determinada espécie, produzido forçosamente por essa grande lei, que tudo domina e condiciona!

 

Existem, pois, na atuação da Criação uma atração e um desejo de ligação! O efeito de ambos os processos exteriormente parece idêntico. A força interna, que a isso impulsiona, é, porém, totalmente diferente.

A atração resulta de espécies iguais, fechadas em si, e o desejo de ligação reside nas apartações das espécies, que permanecem almejando formar novamente uma espécie!

A sentença estabelecida pelos seres humanos de que os contrários se tocam, ao passo que os polos iguais se repelem, encontra-se por isso apenas aparentemente em contradição com a lei de atração da igual espécie.

Na realidade não há nenhuma contradição nisso, pois a sentença estabelecida pelos seres humanos é válida e certa, quanto ao processo do desejo de ligação das diferentes apartações de espécies, objetivando uma espécie determinada e de pleno valor. Mas unicamente nesse caso! É somente entre as próprias espécies fechadas que a lei de atração da igual espécie, propriamente dita, entra em função, produzindo, para tanto, o efeito impulsionador da procura de ligação, objetivando uma espécie determinada e de pleno valor. Essa lei vibra acima disso e dentro disso.

 

Até agora o que o ser humano reconheceu, em sua ciência, são somente os pequenos processos entre as apartações das espécies. Ainda não descobriu de maneira nenhuma a atividade e o efeito das espécies propriamente ditas, porque na Terra e em suas proximidades só existem apartações de espécies, isto é, partículas, cujas atuações e efeitos ele conseguiu observar.

Assim também o espírito feminino e o espírito masculino constituem cada um apenas uma apartação de espécie, que procura unir-se à outra, conforme as leis da Criação, portanto, partículas apenas, que mesmo em sua ligação dão somente uma parte para a verdadeira espécie do espiritual!

O aqui mencionado refere-se, por sua vez, somente ao essencial entre o feminino e o espiritual, ao passo que os invólucros da alma e finalmente os invólucros da matéria grosseira são apartações de outras espécies em partes muito menores, que se manifestam segundo a maneira básica do seu desejo de ligação, mostrando nisso determinadas consequências.

 

O próprio ser humano, por exemplo, não é uma espécie determinada, e sim apenas uma apartação, que tem em si o desejo de ligação.

Mas o seu mau pensar ou o seu mau agir apresenta uma determinada característica que atrai a espécie igual e por ela é atraído! Vedes que de uma apartação de espécie pode sair uma espécie pronta e não acaso somente apartações.

Quero dar aqui ainda uma indicação: na atração da igual espécie se encontra uma bem determinada e imutável condição. Nessa contingência reside também uma força maior, que está ancorada na lei básica. No desejo de ligações das apartações de espécies, porém, existe maior liberdade de movimento, ocasionado por força já diminuída. Por tal motivo, podem as apartações de espécies associar-se de diversas maneiras e assim produzirem efeitos e formas variadas.

 

Hoje posso apresentar novamente apenas um quadro restrito, pois todos esses pontos desdobram-se aos milhares e não encontraríamos um fim. Se eu não vos abrir um caminho bem determinado, que se adapte ao vosso conhecimento humano, jamais podereis receber uma visão realmente global dos acontecimentos na Criação!

Por isso tendes de seguir-me lentamente. Não deveis tentar dar um passo avante, antes de haverdes compreendido de maneira certa e indelével tudo quanto por mim foi explicado, pois então poderíeis e teríeis de ficar desamparados durante o percurso, não obstante a minha orientação. Prosseguir inconscientemente não vos traz nenhum proveito.

Considerai que me seguis num caminho, pelo qual não voltarei mais convosco. Escalamos juntos uma escada, na qual não deve faltar um único degrau para vós. Subimos degrau por degrau.

 

Se não vivenciardes corretamente cada degrau, de modo que se tornem realmente familiares para vós, pode suceder que facilmente percais de súbito o apoio, vindo a cair. Se não se tornaram familiares para vós, como algo que vos pertence, ver-vos-eis um dia, talvez já em considerável altura, completamente confusos e não podereis mais prosseguir por falta de apoio seguro sob vossos pés. E voltar também não podereis mais, porque os degraus não se tornaram suficientemente familiares para vós; assim tereis que despencar em queda brusca.

Não tomeis esta advertência e exortação de modo displicente, pois dizem respeito a vossa existência inteira.

 

Abdruschin

 

Dissertação, “Almas torcidas”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume III.

 

Leia a dissertação [29] em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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