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A Oração

por Círculo do Graal, em 05.10.13

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

 

Se propriamente se deva falar a respeito da oração, é evidente que as palavras valem apenas para aqueles que se ocupam com a oração.

Quem não sente em si o impulso para uma oração, pode calmamente abster-se dela porque suas palavras ou pensamentos, por fim, têm que se desfazer em nada. Pois se uma oração não for intuída profundamente, então não tem valor e, portanto, nenhum resultado.

O momento em que o sentimento de gratidão transborda em grande alegria, bem como o sentimento intuitivo da mais profunda dor no sofrimento, forma a melhor base para uma oração, de que se pode esperar sucesso. Em tais momentos a criatura humana está traspassada por uma determinada intuição que sobrepuja nela tudo o mais. Eis por que é possível que o principal desejo da oração, seja de agradecimento ou pedido, receba força sem turvação.

 

Aliás, muitas vezes, os seres humanos formam uma errada imagem do fenómeno gerador de uma oração e seu ulterior desenvolvimento. Nem todas as orações atingem o Altíssimo Dirigente dos mundos. Pelo contrário, é uma exceção muito rara que uma oração realmente consiga chegar até os degraus do trono. Também aqui a força de atração da igual espécie representa o papel mais importante, como lei básica.

Uma oração, sinceramente intencionada e profundamente intuída, atraindo por si mesma e sendo atraída pela igual espécie, entra em contacto com um centro de forças daquela espécie da qual o conteúdo principal da oração se acha impregnado. Os centros de forças tanto podem ser denominados secções de esferas ou possuir qualquer outra designação, no fundo resultará sempre no mesmo.

A reciprocidade traz então aquilo que foi o desejo essencial da oração. Seja sossego, força, repouso, planos subitamente surgidos no íntimo, solução de difíceis perguntas ou quaisquer outras coisas. Sempre advirá disso algum bem, mesmo que seja apenas o próprio sossego fortalecido e concentração, que por sua vez conduzem a uma saída, a uma salvação.

 

Também é possível que essas orações emitidas, aumentadas em sua força pelo efeito recíproco de centros de força de igual espécie, encontrem um caminho de matéria fina para pessoas que devido a isso são estimuladas a trazer de alguma forma auxílio, e com isso a realização da oração.

Todos esses fenómenos são facilmente compreensíveis, observando-se a vida de matéria fina. Igualmente aqui reside a justiça de que o fator decisivo numa oração sempre se constituirá na disposição interior da pessoa, a qual, de acordo com a profundidade de sua intuição, determina a força, portanto, a vitalidade e eficiência da oração.

Na grande trama de matéria fina do Universo, cada espécie de sentimento intuitivo encontra sua determinada igual espécie, uma vez que não somente não poderia ser atraída por outras, mas até seria repelida. Só quando surge uma igual espécie é que se dá a ligação e, com isso, fortalecimento.

Uma oração que contém vários sentimentos intuitivos, os quais devido ao grande aprofundamento de quem ora, ainda possuem certa força, não obstante sua dispersão, atrairá, por conseguinte, efeitos vários, a trará de volta, na reciprocidade, efeitos vários.

Se nisso possa ocorrer uma realização, dependerá inteiramente da espécie das partes individuais, as quais podem ter efeitos que se favorecem ou se estorvam mutuamente. Em todo o caso, porém, será melhor emitir numa oração apenas um pensamento, como intuição, a fim de que não surja nenhuma confusão.

 

Assim Cristo não quis, absolutamente, que o “Pai Nosso” fosse orado categoricamente de modo integral, mas ele apenas indicou com isso, de modo concentrado, tudo aquilo que o ser humano, com vontade sincera, pode em primeiro lugar pedir com segurança de realização.

Em tais pedidos estão contidas as bases para tudo quanto a pessoa necessita para seu bem-estar corporal e sua ascensão espiritual. concedem ainda mais! Os pedidos indicam ao mesmo tempo as diretrizes para os esforços que a pessoa deve seguir em sua vida terrena. A composição dos pedidos é por si só uma obra-prima.

O “Pai Nosso”, por si só, pode ser tudo para a criatura humana que procura, se nele se aprofundar e compreendê-lo direito. Nem precisaria mais do que o “Pai Nosso”. Este lhe mostra o Evangelho todo, em forma concentradíssima. É a chave das alturas luminosas para aquele que saiba experimentá-lo vivencialmente de modo certo. Pode, para qualquer um, servir simultaneamente de apoio e de farol para o progresso e a ascensão! Tão imensurável o que contém em si. (*)

Já essa riqueza indica a verdadeira finalidade do “Pai Nosso”. Jesus deu à Humanidade no “Pai Nosso” a chave para o Reino de Deus! O núcleo de Sua Mensagem. Mas não quis com isso dizer que devesse ser recitado dessa maneira.

A criatura humana necessita apenas prestar atenção depois de orar, e por si mesma reconhecerá quanto se desviou e quanto enfraqueceu a profundidade de sua intuição, ao seguir a sequência dos pedidos individuais, mesmo que estivesse por demais familiarizado com eles. É-lhe impossível passar sucessivamente de um pedido ao outro com o fervor necessário a uma verdadeira oração!

 

Jesus, segundo sua maneira, facilitou tudo para a humanidade. A expressão certa é “tão fácil como se fosse para crianças”. Indicou expressamente: “Tornai-vos como as crianças!” Portanto, pensando com toda a simplicidade e procurando o mínimo de dificuldades. Jamais teria esperado da humanidade algo tão impossível, como o exige o orar realmente aprofundado do “Pai Nosso”.

Isso deve levar também a humanidade à convicção de que Jesus desejava algo diferente, algo maior. Ele deu a chave para o Reino de Deus, não uma simples oração!

A plurilateralidade de uma oração enfraquecê-la-á sempre. Um filho também não vem ao pai com sete pedidos ao mesmo tempo. Mas sempre apenas com um, aquele que justamente mais lhe pesa no coração, seja sofrimento ou um desejo.

De igual forma uma pessoa deve, em seu pedir, nas aflições, dirigir-se a seu Deus com aquilo que a oprime. E na maioria dos casos de facto tratar-se-á apenas duma determinada questão e não de muita coisa em conjunto. Não deve pedir pelo que não a oprime no momento. Uma vez que tal pedido não pode também ser sentido intuitivamente com suficiente vivacidade em seu íntimo, ele se torna uma forma vazia e naturalmente enfraquece outro pedido talvez realmente necessário.

Por isso sempre se deve pedir apenas aquilo que for realmente necessário! Nada de formas vazias que têm de dispersar-se e, com o tempo, cultivar a hipocrisia!

 

A oração exige a mais profunda seriedade. Deve-se orar com calma e pureza, a fim de que, através da calma, a força da intuição se eleve, recebendo pela pureza aquela leveza luminosa capaz de elevar a oração até às alturas de tudo quanto é luminoso, de tudo quanto é puro. Então advirá também aquela realização que será mais proveitosa ao suplicante e que realmente o levará para a frente em toda a sua existência!

Não é a força da oração que consegue arremessá-la para o alto ou impulsioná-la, mas somente a pureza em sua leveza correspondente. Pureza na oração, porém, cada pessoa pode conseguir, mesmo que não em todas as suas orações, tão logo o impulso para pedir nela se torne vivo. Para tanto não é necessário que se encontre de modo puro com toda a sua vida. Isso não consegue impedir que se eleve em oração com a pureza de sua intuição por segundos, pelo menos de tempos em tempos, uma vez que seja, aqui e acolá.

Para a força da oração, porém, contribui não apenas a calma absoluta e a assim possibilitada profunda concentração, mas também cada forte emoção como a angústia, as preocupações, a alegria.

No entanto, não está dito que a realização de uma oração corresponda sempre, categoricamente, às imaginações e aos desejos terrenalmente pensados, e de conformidade com estes. A realização atinge beneficamente muito além disso, conduzindo o todo para o melhor, não o momento terreno! Muitas vezes, portanto, um aparente não cumprimento deve ser reconhecido, mais tarde, como a única certa e a melhor realização, e a pessoa se sente feliz por não ter ocorrido segundo seus desejos do momento.

 

Agora a interseção! O ouvinte muitas vezes se indaga como a ação recíproca numa interseção, isto é, num pedido de outrem, possa achar o caminho para uma pessoa que propriamente não tenha orado, uma vez que a ação retroativa tem de refluir, pelo caminho preparado, para aquele que pediu.

Mesmo nesse caso não há nenhum desvio das leis vigentes. Um intercessor pensa de modo tão intenso durante sua oração na pessoa pela qual pede, que o seu desejar primeiramente acaba ancorando-se ou amarrando-se naquela pessoa e então, de lá, toma seu caminho para cima, podendo, portanto, também voltar para essa pessoa, para a qual o forte desejo do intercessor, de qualquer modo, já se tornou vivo, circulando em volta dela. É pressuposição indispensável, porém, que o solo daquela pessoa, em favor da qual se roga, esteja em condições recetíveis e pela igual espécie apta a uma ancoragem, e não coloque acaso obstáculos à mesma.

Caso o solo não esteja em condições recetíveis, portanto indigno, há no resvalar das intercessões só e novamente a maravilhosa justiça das leis Divinas, as quais não podem permitir que num solo totalmente estéril, chegue de fora uma ajuda através de outrem. Esse rechaçar ou desviar da intencionada ancoragem de uma intercessão em uma pessoa, referente a esse rogo, a qual é indigna devido a seu estado interior, acarreta a impossibilidade de uma ação de auxílio.

 

Existe, outrossim, também aqui algo tão perfeito, nesse atuar autónomo e lógico, que o ser humano se encontra admirado diante da distribuição integral e justa, a isso ligado, dos frutos de tudo quanto foi por ele próprio desejado!

Interseções praticadas por pessoas sem o próprio impulso íntimo e categórico de verdadeiros sentimentos intuitivos, não têm nenhum valor nem resultado. São apenas debulho vazio.

Existe ainda uma outra espécie de efeitos de legítimas interseções. Trata-se de indicar o rumo! A oração sobe diretamente e aponta para a pessoa necessitada. Se for enviado um mensageiro espiritual, com referência a esse caminho indicado, para ajudar, existe então a possibilidade dum auxílio, sujeito, porém, às mesmas leis de valores ou desvalores, isto é, da capacidade recetiva ou da repulsa.

Se o necessitado estiver inclinado intimamente para as trevas, o mensageiro com vontade de auxiliar, baseado na interseção, não poderá entrar em qualquer contato, não conseguirá influir e terá que voltar sem nada haver feito. A interseção, portanto, não pôde ser realizada, porque as leis, em sua vivacidade, não o permitiram.

Mas se o solo for adequado, então uma legítima interseção terá incalculável valor! Ou levará auxílio, mesmo que o necessitado ignore, ou unir-se-á aos desejos ou aos rogos do necessitado, dando-lhe assim grande fortalecimento.

 

Abdruschin

 (*) Dissertação o Pai Nosso.

Dissertação, “A oração”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 103) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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