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O ser humano e seu livre-arbítrio

por Círculo do Graal, em 26.10.13

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

Para que se possa dar um quadro completo deste tema, se faz necessário reunir muitos elementos de fora que exercem influência maior ou menor no fator principal!

O livre arbítrio! É algo diante do que até mesmo seres humanos eminentes se detêm pensativamente, porque havendo responsabilidade, segundo as leis da justiça, também deve haver incondicionalmente uma possibilidade de livre resolução.

Por onde quer que se ande, de todos os lados se ouve o brado: onde existe uma vontade livre no ser humano, quando há de facto providência, direção, determinações, influências astrais e carma? Pois o ser humano é impelido, ajustado e conformado, quer queira quer não!

Com afinco os pesquisadores sinceros se lançam sobre tudo aquilo que fala do livre-arbítrio, no reconhecimento mui acertado de que justamente a esse respeito, necessita-se deveras de um esclarecimento. Enquanto este falta, o ser humano não consegue também se enquadrar direito, a fim de se impor na grande Criação como aquilo que realmente é. Se ele, porém, não está sintonizado de maneira certa com referência à Criação, terá que permanecer nela como um estranho, vagará a esmo, terá que se deixar empurrar, ajustar e moldar, porque lhe falta a consciência da meta.

 

Seu grande defeito é ignorar onde realmente se encontra seu livre-arbítrio e como atua. Tal contingência mostra outrossim que perdeu completamente o caminho para seu livre discernimento, não sabendo mais como encontrá-lo.

A entrada do caminho para a compreensão não é mais reconhecível, devido ao amontoado das areias movediças. Dissiparam-se os rastros. A criatura humana, indecisa, corre aí em círculos, fatigando-se, até que por fim um vento refrescante abra novamente os caminhos. É natural e evidente que antes toda essa areia movediça será levantada em rodopios violentos e, desaparecendo, ainda poderá turvar a vista de muitos dos que ansiosos continuam a procurar a abertura do caminho.

Por esse motivo cada um deve observar o máximo cuidado para conservar a vista livre, até que o ultimo grãozinho dessa areia movediça tenha desaparecido. Do contrário pode suceder que veja perfeitamente o caminho, no entanto, com a vista levemente turvada, pise em falso, tropece e caia, para, já com o caminho diante de si, ainda afundar.

A incompreensão que sempre, repetida e obstinadamente, é apresentada pelos seres humanos contra a verdadeira existência do livre-arbítrio, baseia-se principalmente na falta de compreensão daquilo que o livre-arbítrio propriamente é.

A explicação já se encontra na própria definição, porém, como por toda a parte, aqui também não se vê a coisa realmente simples, por causa de sua própria simplicidade, mas sim procura-se em lugares errados, não se chegando dessa maneira a formar uma noção do livre-arbítrio.

 

Por arbítrio o maior número de seres humanos hoje em dia entende aquela forçada construção do cérebro terreno, quando o raciocínio, atado ao espaço e ao tempo, indica e determina, para o pensar e o sentir, alguma determinada direção.

Esse, no entanto, não é o livre-arbítrio, mas o arbítrio atado pelo raciocínio terreno!

Tal equivoco feito por tantas pessoas causa grandes erros, soergue as barreiras que impossibilitam um reconhecimento e uma compreensão. Admira-se então o ser humano quando aí encontra lacunas, deparando com contradições e não conseguindo introduzir lógica nenhuma.

O livre-arbítrio que sozinho atua tão incisivamente na vida propriamente dita, que alcança longe até ao mundo do Além, que imprime seu cunho à alma, sendo capaz de moldá-la, é de espécie totalmente diferente. Muito maior para ser tão terrenal. Por isso não está em nenhuma ligação com o corpo terreno de matéria grosseira, portanto, nem com o cérebro. Encontra-se exclusivamente no próprio espírito, na alma do ser humano.

 

Se o ser humano não concedesse sempre de novo ao raciocínio predomínio ilimitado, poderia o livre-arbítrio, com a visão mais ampla de seu verdadeiro “eu” espiritual, indicar ao cérebro do raciocínio a direção oriunda da fina intuição. Assim devia a vontade atada, absolutamente indispensável à realização de todas as finalidades terrenas ligadas ao espaço e ao tempo, enveredar muitas vezes por outro caminho, diferente do que acontece agora.

Que com isso o destino também toma outro rumo é fácil de se explicar, porque o carma, devido aos diferentes caminhos tomados, também puxa outros fios trazendo outro efeito recíproco.

Essa explicação, naturalmente, ainda não pode trazer uma compreensão acertada sobre o livre-arbítrio. Para que seja traçado um quadro completo disso, necessário é que se saiba de que forma o livre-arbítrio já tem atuado. E de que maneira ocorreu a trama tantas vezes intrincada de um carma já vigente, que é capaz em seus efeitos de encobrir tanto o livre-arbítrio, que a sua existência pouco ou de forma alguma pode ser reconhecida.

 

Tal explicação, porém, somente poderá se dar, por sua vez, voltando-se ao desenvolvimento completo do ser humano espiritual, a fim de partir daquele momento em que a semente espiritual do ser humano baixa pela primeira vez ao invólucro de matéria fina, o limite extremo da materialidade.

Vemos então que o ser humano não é absolutamente o que cuida ser. Nunca tem consigo o direito absoluto à bem-aventurança e à continuação eterna de uma vida pessoal. A expressão: “Somos todos filhos de Deus”, no sentido como os seres humanos pensam e compreendem, é errada. Cada ser humano não é um filho de Deus, mas só quando para tanto se tenha desenvolvido.

O ser humano é lançado na Criação como um germe espiritual. Esse germe contém em si tudo para poder se desenvolver, um filho de Deus pessoalmente consciente. Aí se pressupõe que para tanto ele desenvolva as correspondentes faculdades, cultivando-as, sem deixar que se atrofiem.

Grande e gigantesco é o processo, e todavia inteiramente natural em cada degrau do fenómeno. Nada se encontra aí fora de um processo lógico, porque a lógica está em todo o atuar Divino, pois este é perfeito e tudo quanto é perfeito não pode dispensar a lógica.

Cada um desses germes espirituais contém em si as mesmas faculdades, visto promanarem de um espírito, e cada uma dessas faculdades encerra uma promessa cujo cumprimento se realiza incondicionalmente, tão logo a faculdade seja desenvolvida. Mas somente então! Essa é a perspetiva de cada germe na semeadura. No entanto…!

 

Saiu um semeador para semear: lá, onde o mais etéreo da matéria fina da Criação atinge a entealidade, é o campo para a semeadura dos germes espirituais humanos. Fagulhas partem do enteal transpondo o limite e caem no solo virgem da parte mais etérea da matéria fina da Criação, tal como nas descargas elétricas de um temporal. É como se a mão criadora do Espírito Santo disseminasse sementes na matéria.

Enquanto a semeadura se desenvolve e vagarosamente amadurece para a safra, muitos grãos se perdem. Não vingam, isto é, não desenvolveram suas faculdades mais elevadas, antes apodreceram ou secaram, devendo perder-se na matéria. Aqueles, porém, que vingaram e cresceram do solo, serão examinados rigorosamente por ocasião da colheita, as espigas vazias separadas das espigas cheias. Após a colheita será mais uma vez o joio separado do trigo, cuidadosamente.

Assim é a imagem do processo em geral. E agora, a fim de conhecermos o livre-arbítrio, temos que acompanhar mais detalhadamente o processo evolutivo propriamente dito do ser humano:

[…]

Obedecer outra coisa não significa, afinal de contas, senão compreender! Servir é auxiliar. E auxiliar, por sua vez, significa dominar. Em pouco tempo cada um conseguirá libertar sua vontade conforme deve ser. E dessa forma tudo se altera para ele, pois ele próprio primeiramente mudou o seu íntimo.

Mas para milhares, centenas de milhares, sim, para milhões de seres humanos tornar-se-á demasiado tarde, por não terem desejado diferentemente. É natural que a força erradamente dirigida destrua a máquina, à qual, de outra forma, teria servido para realizar um trabalho abençoado.

Quando sobrevierem os acontecimentos, lembrar-se-ão todos os hesitantes repentinamente de rezar, porém não poderão encontrar mais a maneira adequada, a qual, unicamente, poderia proporcionar auxílio. Reconhecendo então o falhar, passarão logo, em seu desespero, a blasfemar e a afirmar acusadoramente que não poderia existir um Deus, se Ele permite tais coisas.

Não querem acreditar na justiça férrea, tampouco que lhes tenha sido dado o poder de modificar tudo ainda em tempo. E que isso lhes fora dito com suficiente frequência.

Numa obstinação pueril exigem para si, segundo o seu modo, um Deus amoroso que tudo perdoa. Só assim querem reconhecer a Sua grandeza! Como deveria esse Deus, segundo as suas ideias, proceder então com aqueles que sempre O procuraram sinceramente, mas que justamente por causa desse procurar foram pisados, escarnecidos e perseguidos por aqueles que esperam o perdão?

 

Tolos esses que, em sua cegueira e surdez, sempre de novo desejadas, correm ao encontro da ruína, esses que por si próprios criam sua destruição com fervor. Que fiquem entregues às trevas, às quais vão de encontro teimosamente, devido ao saber tudo melhor. Só mesmo mediante o próprio vivenciar é que ainda poderão chegar à reflexão. Por isso as próprias trevas serão a sua melhor escola. Mas virá o dia, a hora, em que será tarde demais até para esse caminho, porque o tempo não dará mais para ainda se libertarem das trevas e ascenderem, após um tardio reconhecimento através do vivenciar. Por esse motivo já é tempo, finalmente, de se ocuparem seriamente com a Verdade.

 

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação, “O ser humano e seu livre-arbítrio”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 123) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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