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O direito dos filhos em relação aos pais

por Círculo do Graal, em 28.09.13

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h – 10.00 h, TMG – Lisboa)

Muitos filhos vivem em relação os pais numa suposição funesta, que lhes acarreta gravíssimos danos. Acreditam poder jogar sobre os pais a causa de suas próprias existências terrenas. Muitas vezes se ouve esta observação: “ É lógico que meus pais têm que cuidar de mim, já que me puseram no mundo. Não tenho culpa de estar aqui. ”

Nada mais insensato pode ser dito. Cada pessoa está aqui nesta Terra por seu próprio pedido ou por própria culpa! Os pais só dão a possibilidade da encarnação, nada mais. E cada alma encarnada deve ser grata por tal possibilidade lhe ter sido dada!

A alma de uma criança nada mais é do que hóspede de seus pais. Só nesta evidência já existe esclarecimento suficiente para ficar explícito que um filho na realidade não pode querer impor quaisquer direitos em relação aos pais! Direitos espirituais em relação aos pais, não têm! Direitos terrenos, porém, originaram-se tão-somente da ordem social, puramente terrena, que o Estado previu, para não precisar tomar a si quaisquer obrigações.

A criança é, espiritualmente, uma personalidade individual por si! Afora o corpo terreno, de que precisa como instrumento para atuar nesta Terra de matéria grosseira, nada recebeu dos pais. Por conseguinte, apenas um alojamento do qual a alma, já de antemão independente, pode utilizar.

 

Contudo, pela geração, assumem os pais a obrigação de cuidar desse alojamento assim formado e de conservá-lo, até que a alma, que dele tomou posse, seja capaz de assumir por si a manutenção. A época para tanto virá a ser mostrada pelo desenvolvimento natural do corpo. O que se fizer depois disso é um presente dos pais. Os filhos deveriam, portanto, cessar de uma vez de contar com os pais, sendo preferível que pensassem o quanto antes possível em se firmar nos próprios pés.

Evidentemente, aí pouco importa se exerçam atividades na casa paterna ou fora. Mas tem de ser uma atividade que não consista em divertimentos e cumprimento dos chamados compromissos sociais, porém num determinado cumprimento de dever real e útil, no sentido de que quando o filho não mais executar esse trabalho, o mesmo tenha de ser executado por uma outra pessoa especialmente contratada para isso. Só assim se pode falar numa existência útil na Terra, o que acarreta amadurecimento do espírito!

Se um filho preenche na casa paterna uma tal tarefa, seja qual for o sexo, masculino ou feminino, deveria receber dos pais aquela recompensa que caberia a uma pessoa estranha empregada para tal finalidade. Por outras palavras: o filho, cumpridor de suas obrigações, deve ser considerado e tratado como uma pessoa realmente autónoma.

 

Se laços especiais de amor, confiança e amizade unem pais e filhos, tanto mais belo será para ambas as partes, pois assim existirá uma aliança voluntária, oriunda de convicções íntimas, e por conseguinte tanto mais valiosa! Será então legítima, que se mantém unida inclusive no Além em favor de mútuo progresso e alegria.

Imposições e costumes de família, porém, são insanos e condenáveis, tão logo um determinado limite de idade seja ultrapassado pelas crianças.

Não existem, igualmente, os chamados direitos de parentesco, nos quais principalmente tias, tios, primos e todos os demais que ainda procurem apresentar-se como parentes, se apoiam tantas vezes. Justamente esses direitos de parentesco constituem abusos condenáveis, que sempre produzirão nojo nas pessoas em si já individualizadas.

 

Infelizmente, a tradição transformou isso num costume, a ponto de, via de regra, ninguém tentar pensar de outra forma, adaptando-se em silêncio a isso, conquanto com aversão. Quem, contudo, ousar dar o pequeno passo e pensar sobre isso livremente, sentirá no fundo de sua alma tudo tão ridículo e repugnante que, indignado, acabará se distanciando de tais petulâncias estabelecidas.

Urge liquidar de vez com coisas tão anormais! Tão logo despertar um novo e sadio tipo de humanidade, tais aberrações não mais serão suportadas, por serem contrárias a todo e qualquer sentido sadio.

De tais distorções artificiais da vida natural, não poderia surgir nunca algo de realmente grandioso, porque aí os seres humanos permanecem demasiadamente tolhidos. Nessas coisas aparentemente secundárias há um gigantesco manietar.

 

Aqui tem de ser estabelecida a liberdade, desprendendo-se cada indivíduo de costumes indignos! Verdadeira liberdade só existe no reconhecimento certo das obrigações, o qual permanece ligado com o voluntário cumprimento dos deveres! Unicamente o cumprimento do dever outorga direitos! Isso se refere também aos filhos, aos quais, igualmente, apenas com o cumprimento mais fiel dos deveres, podem advir direitos.

Existe, no entanto, toda uma série de deveres severíssimos de todos os pais, que não estão relacionados com os direitos dos filhos.

Cada adulto tem de estar consciente daquilo que se relaciona propriamente com o ato da geração. A leviandade e a irreflexão atuais a esse respeito, bem como os conceitos errados, têm-se vingado de maneira bem nefasta.

Refleti apenas que no Além mais próximo existe grande número de almas que já se acham à espera duma possibilidade de reencarnação na Terra. Trata-se, na maioria, daquelas almas humanas presas a fios cármicos e que procuram um resgate qualquer numa nova vida terrena.

Logo que se lhes oferece uma possibilidade para tanto, apegam-se a lugares onde sucedeu um ato de geração, a fim de acompanhar, aguardando, o desenvolvimento do novo corpo humano para alojamento. Durante essa espera tecem-se fios de matéria fina do corpo em formação, para a alma que se mantém obstinadamente bem próxima da mãe, e em sentido contrário, a certa altura da maturação, tais fios servem então como ponte que facilita a passagem da alma estranha lá do Além para o novo corpo, do qual se apossa também imediatamente.

Entra por conseguinte um hóspede estranho que pode, devido ao seu carma, causar muitas aflições aos educadores! Um hóspede estranho! Que pensamento desconfortável! Isto o ser humano devia ter sempre diante dos olhos e nunca esquecer que pode coparticipar na escolha da alma que espera, se não deixar passar levianamente o tempo para tanto.

A encarnação se acha, sem dúvida, sujeita à lei de atração de igual espécie. Todavia, não é absolutamente necessário para tanto que a espécie igual de um dos geradores sirva de pólo, mas, às vezes, de alguma pessoa que se encontre frequentemente nas proximidades da futura mãe.

 

Quantos infortúnios poderão ser evitados, quando o ser humano conhecer direito todo o processo e com este se ocupar conscientemente. No entanto, passam o tempo frequentando levianamente diversões e danças, dão receções e não se preocupam muito com o que se está preparando de importante nessa época e que mais tarde virá influir poderosamente em sua vida inteira.

Na oração, a qual sempre encerra o ardente desejo, deviam conscientemente dirigir muita coisa nisso, enfraquecendo o mal, fortalecendo o que é bom. O hóspede estranho que então entra como filho, em seu lar, apresentar-se-ia de tal modo, que continuaria bem-vindo em todos os sentidos! Fala-se muito em educação pré-natal na habitual semicompreensão ou na compreensão errónea de muitos efeitos que se tornam observáveis exteriormente.

Como, porém, frequentemente, assim também aqui as conclusões humanas de tais observações são erróneas. Não existe nenhuma possibilidade de educação pré-natal, mas sim uma possibilidade absoluta de influir na atração, se acontecer no tempo oportuno e com a devida seriedade! É uma diferença, que nas consequências alcança mais longe do que a suposta educação pré-natal jamais poderia alcançar.

Quem, portanto, estiver esclarecido a tal respeito e ainda realiza levianamente ligações irrefletidas, só merece que se introduza em sua esfera um espírito humano que apenas lhe cause desassossego e até mesmo desgraças.

 

O ato da geração deve ser para um ser humano, espiritualmente livre, nada mais do que a prova de sua boa vontade de receber um espírito humano estranho como hóspede permanente em sua família, dando-lhe ensejo de remir na Terra e de amadurecer. Somente quando em ambas as partes existe o desejo íntimo para essa finalidade, é que deve efetuar-se a oportunidade para uma geração.

Contemplai apenas uma vez os pais e os filhos, partindo dessas realidades, então muita coisa mudará por si. O trato mútuo, a educação, tudo conterá outras bases mais sérias do que até aqui tem sucedido em inúmeras famílias. Haverá mais consideração e mais respeito mútuo. Consciência da independência própria e esforços de responsabilidade far-se-ão sentir, tudo o que trará como consequência natural a elevação social do povo.

Os filhos em breve esquecer-se-ão de querer se arrogar direitos que nunca existiram.

 

Abdruschin

                        

Dissertação, “O direito dos filhos em relação aos pais”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II.

Leia a dissertação (Pág. 98) em formato PDF, sem custos, ao descarregar o livro.

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