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A Ferramenta Torcida

por Círculo do Graal, em 27.08.11

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h - 10.00 h)

Local: A nossa consciência

 

O maior fardo da alma humana que ela carregou e que lhe impedirá qualquer possibilidade de ascensão, é a vaidade! Trouxe desgraça à Criação inteira. A vaidade tornou-se o mais forte veneno da alma, porque o ser humano acabou por apreciá-la como escudo e manto para todas as suas falhas. Qual entorpecente, ela ajuda, sempre de novo, a passar facilmente pelos abalos da alma. Que seja apenas ilusão, isso não representa papel algum para os seres humanos terrenos, contanto que aí sintam satisfação e atinjam, com isso, um alvo terreno, mesmo que frequentemente sejam apenas alguns minutos de ridícula presunção. Não precisa ser legítimo, a aparência basta aos seres humanos.

Fala-se dessa vaidade, da presunção, da arrogância espiritual, da alegria maligna e de tantas torções de todos os seres humanos terrenos, benévola e paliativamente, como sendo armadilhas do princípio de Lúcifer. Tudo isso, porém, é apenas débil auto desculpa. Lúcifer nem precisou incomodar-se tanto. Bastou-lhe ter levado os seres humanos ao cultivo unilateral do intelecto terreno com a tentação de se deleitar no fruto da “árvore do reconhecimento”, portanto, entregar-se ao prazer do saber. O que de mais se seguiu, o próprio ser humano o fêz.

A vaidade, que traz em seu séquito tantos males como a inveja, o ódio, a difamação, a cobiça por prazeres terrenos e por bens de toda a espécie, há de ser considerada como a maior excrescência do intelecto preso À Terra ganhando a supremacia. Tudo quanto é feio neste mundo está ancorado, propriamente, na vaidade que se representa em tão múltiplas maneiras. A ânsia pela aparência externa criou a “caricatura do ser humano” hoje predominante! O fantoche, que nem merece ser chamado de “ser humano”, porque, por sua vaidade e por causa da aparência, destruiu a possibilidade para a indispensável ascensão espiritual, atravancou obstinadamente todos os caminhos naturais de ligação que lhe foram dados para atuação e amadurecimento de seu espírito e soterrou-os completamente e de modo injurioso contra a vontade de seu Criador. Já bastou elevar o intelecto preso à Terra a ídolo, para transformar o caminho todo da criatura humana que o Criador lhe designara em sua Criação.

 

Lúcifer registou para si como triunfo, ter a alma do ser humano terreno ousado uma intervenção no corpo terreno de matéria grosseira, a qual tornou de todo impossível a sua atuação desejada na Criação. A fim de aguçar o intelecto, entrou em actividade febricitante o cultivo unilateral daquela parte do cérebro que só deve atuar para a matéria grosseira: o cérebro anterior. A parte espiritual receptora do cérebro humano ficou assim, automaticamente, repelida e interceptada em sua actividade. Com isso ficou também dificultada qualquer compreensão do espiritual e, no decorrer de milénios, uma concepção espiritual até completamente perdida para o ser humano terrestre.

Este, pois, encontra-se assim solitário e imprestável na Criação. Desligado da possibilidade de um reconhecer espiritual e de uma ascensão e, com isso, desligado também de Deus! Essa é a obra de Lúcifer. Ele mais não precisou fazer. Pode então deixar o ser humano terrestre entregue a si mesmo, e vê-lo cair de degrau em degrau, distanciando-se assim cada vez mais de Deus em consequência daquele passo.

(…)

Conforme eu já disse uma vez, cabe a uma parte da massa cerebral a tarefa de captar o que é espiritual, como uma antena, ao passo que a outra parte, que gera o intelecto, transformar o captado para a sua utilização na matéria grosseira. Da mesma forma em sentido inverso, deve o cérebro anterior, que produz o intelecto, captar da matéria grosseira todas as impressões, transformá-las para uma possibilidade de recepção pelo cérebro, a fim de que as impressões deste possam servir para o desenvolvimento progressivo e para o amadurecimento do espírito. Ambas as partes, porém, devem efectuar trabalho em comum. Assim está nas determinações do Criador. Mas uma vez que, pela intervenção do cultivo unilateral do cérebro, este acabou se tornando desmesuradamente dominante em sua actividade, perturbou a harmonia indispensável da colaboração de ambos os cérebros e, com isso, o atuar sadio na Criação. A parte receptora do espiritual ficou retardada no desenvolvimento, enquanto que o cérebro em sua actividade, cresceu pelo treinamento, já desde muito não recebe mais as vibrações puras dos Páramos Luminosos através do cerebelo para o seu trabalho e para a retransmissão à matéria grosseira, mas absorvendo a substância para a sua actividade, na maior parte tão só do ambiente material e das formas de pensamentos, para retransmiti-las transformadas como produto próprio. (…)

Em todas estas coisas a vaidade da criatura humana desempenha papel absolutamente devastador e sinistro, arrastando-a ao descalabro, irremediável e tenazmente, porque a ela se afeiçoou! Pavor apoderar-se-ia dela se uma vez pudesse vencer-se a si mesma para reflectir sobre isso, objectivamente, sem presunção. Mas, já aí há novamente aquele obstáculo: sem presunção, nada consegue! Assim, pois, terá que permanecer, certamente, para muitas pessoas até que disso sucumbam! Essa realidade em toda a sua tristeza é o resultado que teve que trazer o impedimento do desenvolvimento harmonioso do cérebro do confiado corpo terreno pelo pecado original em sua consequência! A retorção da ferramenta, necessária nesta matéria grosseira, pelo excessivo cultivo unilateral, se vingou. Agora o ser humano se acha, com sua ferramenta de matéria grosseira, seu corpo terreno, de modo desarmonioso na Criação, incapaz para a missão que nela haveria de cumprir, imprestável por si próprio para isso. Mas, para extirpar essa raiz de todo o mal, necessário se faz uma intervenção de Deus! Qualquer outra força e poder, por maiores que sejam, são insuficientes para isso. É a maior e, igualmente, a mais maléfica contaminação no falso querer da humanidade que já achou entrada nessa Criação. Tudo, nessa Terra, teria que sucumbir antes que nisso pudesse surgir uma melhora, pois, nada existe que já não esteja irremediavelmente impregnado disso.

 

Abdruschin

 

Excerto da Dissertação, A Ferramenta Torcida, da obra “Mensagem do Graal”, Na Luz da Verdade, III volume.

Esta dissertação (Pág. 35) pode ser lida em formato PDF, integralmente, ou toda a obra.

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