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Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h - 10.00 h)

Local: A nossa consciência

 

Mateus, 7-1;5

“Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque, com o juízo com que julgardes, sereis julgados, e, com a medida com que tiverdes medido, vos hão-de medir a vós. E porque reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás ao teu irmão: deixa-me tirar o argueiro do teu olho; estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.”

Jesus

 

Cada um julga haver entendido plenamente essas palavras simples, e todavia haverá poucos que reconheceram seu verdadeiro sentido. É unilateral e errado interpretar esse dito como se tivesse sido expresso apenas para o ser humano aprender a ter indulgência para com o próximo. Indulgência para com o seu próximo vem com o vivenciar dessa frase, espontaneamente como algo evidente, mas apenas em segundo lugar. Quem perscruta assim as palavras de Cristo, não perscruta suficientemente a fundo, mostrando assim que se acha muito distante de poder tornar vivas as palavras do Filho de Deus, ou que ele subestima de antemão a sabedoria contida em seus ditos. Essas palavras, outrossim, nas interpretações de muitos pregadores, como tudo o mais, estão enquadradas na moleza e na lassidão daquele amor, que a igreja de tão bom grado procura apresentar como amor cristão. O ser humano, porém, pode e deve aplicar esse ditame do Filho de Deus apenas como medida de seus próprios erros. Se olhar à sua volta com olhos abertos e se simultaneamente observar aí a si próprio, reconhecerá logo que exatamente aqueles erros que mais o incomodam no próximo, são os que se acham pronunciados nele próprio, em escala grandemente acentuada e incómodos para outrem. E a fim de aprenderdes a observar acertadamente, será melhor primeiro prestardes cuidadosa atenção aos vossos semelhantes. Dificilmente haverá entre esses um que não tenha a reclamar isso ou aquilo de outrem, pronunciando-se também aberta ou veladamente a respeito. Tão logo isso aconteça, mantende essa pessoa, que se queixa dos defeitos dos outros ou até se irrita, sob rigorosa observação a tal respeito. Não tardará muito até descobrirdes, para vosso espanto, que exatamente aqueles defeitos que a referida pessoa tão acerbamente censura nos outros, encontram-se em grau muito maior nela mesma! Isso é um fato que no começo os deixará perplexos, mas que se apresenta sempre, sem exceção.

 

Ao julgar as pessoas, podeis no futuro considerar, serenamente, isso como certo, sem precisardes temer que estais errando. Permanece o fato de que uma pessoa que se irrita com estes ou aqueles defeitos de outrem, com certeza possui exatamente os mesmos defeitos em escala muito maior. Procedei um dia com calma a tais exames. Conseguireis, e logo reconhecereis a verdade, porque vós próprios não estais aí implicados e, portanto, não procurais atenuar coisa alguma em ambas as partes. Tomai, pois, uma pessoa que cultivou em si o mau costume de ser predominantemente mal humorada e descortês, raras vezes mostrando uma fisionomia afável, a quem, portanto, se prefere evitar. Exatamente essas são as que se outorgam o direito de quererem ser tratadas de modo especialmente afável, e exasperam-se, moças e senhoras, até mesmo a ponto de chorar, quando uma vez enfrentam, justificadamente, apenas um olhar repreensivo. A um observador sereno isso atua de modo tão indizivelmente ridículo e triste, que se esquece de se indignar com isso. E assim é de uma e mil maneiras diferentes. Fácil se tornará para vós o aprender e reconhecer. Mas quando então chegardes a tanto, deveis também ter a coragem de supor que vós próprios não formais exceção alguma, uma vez que encontrastes a prova em todos os demais. E com isso, finalmente, ser-vos-ão abertos os olhos para vós próprios. Isso equivale a um grande passo, talvez até o maior para o vosso desenvolvimento! Cortareis com isso um nó que hoje mantém a humanidade inteira oprimida!

 

Libertai-vos e auxiliai então alegremente também aos outros de igual maneira. É o que quis dizer o Filho de Deus com essas simples palavras. Tais valores educativos ele os deu com suas frases singelas. Os seres humanos, porém, não procuraram nelas de modo sincero. Quiseram, como sempre, sobrepondo-se, aprender apenas a olhar sobre os outros de modo indulgente. Isso lisonjeava o seu orgulho repugnante. A completa miserabilidade de seu falso pensar se põe por toda parte em evidência nas interpretações de até agora, isto é, o farisaísmo desvelado e hipócrita. Transplantou-se inalteradamente para o cristianismo. Pois mesmo os que se dizem perscrutadores, aceitaram e continuam aceitando tudo com demasiada leviandade em sua habitual ilusão de que com a leitura, realmente, também devam ter compreendido o sentido, porque assim o fazem crer a si próprios, bem de acordo com seu respetivo parecer. Isso não é nenhum sincero procurar. Por isso não conseguem encontrar o verdadeiro tesouro. Por isso também não ode haver qualquer progresso. O Verbo permaneceu morto para aqueles que deviam torná-lo vivo dentro de si, a fim de auferir daí valore que conduzam às Alturas. E cada frase que o Filho de Deus outorgou à Humanidade encerra tais valores, que só não foram encontrados porque nunca foram procurados corretamente.

 

Abdruschin

 

Dissertação, Vês o argueiro no olho de teu irmão e não atentas para a trave no teu olho, da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da verdade, volume II.

Esta dissertação pode ser lida em formato PDF, integralmente, ou toda a obra.

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