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O Mistério de Lúcifer

por Círculo do Graal, em 30.10.10

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h - 10.00 h).

 

Mateus, 4-2;4

“E tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome; E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem pães. Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.”

 

Um véu sombrio paira por sobre tudo que se relaciona com Lúcifer. É como se tudo recuasse assustadamente ao soerguer a ponta desse véu. O pavor nesse recuar é na realidade apenas a incapacidade de penetrar no reino das trevas. A incapacidade jaz por sua vez na natureza das coisas, porque também neste caso o espírito não consegue penetrar a tal ponto por lhe ser posta uma limitação devido á sua constituição. Assim como não consegue ele ir até as alturas máximas, da mesma forma também não pode penetrar até as mais baixas profundezas, aliás, jamais o conseguirá. Assim, a fantasia criou substitutivos para o que faltava, isto é, seres de várias formas. Fala-se do diabo sob as formas mais extravagantes, do arcanjo decaído e expulso, da corporificação do princípio do mal e o que de mais há ainda. Da verdadeira natureza de Lúcifer nada se compreende, não obstante o espírito humano ser atingido por ele e, por isso, muitas vezes lançado em meio a um conflito enorme que se pode classificar de luta.

 

Aqueles que falam de um arcanjo decaído e também os que se referem à corporificação do princípio do mal, são os que mais se aproximam do fato. Mas também aqui há uma concepção errónea que empresta a tudo uma imagem errada. Uma corporificação do princípio do mal faz pensar no ponto culminante, a meta final, a corporificação viva de todo o mal, portanto, a coroação, o final absoluto. Ao contrário, no entanto, Lúcifer constitui a origem do princípio errado, o ponto de partida e a força propulsora. Não se deveria denominá-lo principio do mal, que ele efectua, e sim o principio errado. O âmbito de acção desse princípio erróneo é a criação material. Somente na matéria é que se encontram os efeitos do luminoso e os efeitos das trevas, isto é os dois princípios opostos, e ai actuam constantemente sobre a alma humana enquanto esta percorre a matéria para seu desenvolvimento. A que agora a alma humana, segundo seu próprio desejo, mais se entrega é decisivo quanto ao seu rumo de ascensão para a Luz ou de rumar para baixo, às trevas.

(…)

Deixando-se desviar em direcção às trevas incorrerá no perigo de ser arrastado para além do ciclo mais externo de seu curso normal, às profundezas, donde então não poderá mais reencontrar a escalada. Mas também não conseguirá sair das trevas mais densas e mais profundas de matéria fina, ainda mais abaixo, além de seu limite extremo, da matéria, assim como poderia fazer para cima em direcção ao reino espírito-enteal, por ser este o seu ponto de partida e, por esse motivo será arrastado no enorme circular da criação material continuamente até que por fim à decomposição, porque o retém a sua escura vestimenta de matéria fina, portanto densa e pesada, denominada também de corpo do alem.

 

A decomposição desfaz sua personalidade espiritual como tal adquirida durante o trânsito pela criação, de modo que sofre a morte espiritual, sendo pulverizado à semente espiritual original.

 

Lúcifer por sua vez se encontra fora da criação material, portanto, não é arrastado à decomposição como se dá com as vítimas de seu princípio; pois, Lúcifer é eterno. Descende duma parte do Divino-Enteal. A discórdia iniciou-se depois do começo da formação de todo o material. Enviado para amparar o espírito-enteal na matéria e favorecer no desenvolvimento, não cumpriu esta sua incumbência no sentido da Vontade Criadora de Deus-Pai, ao contrário, escolheu outros caminhos do que os que lhe foram indicados por esta Vontade Criadora, devido a um querer que lhe veio durante sua actuação na matéria. Abusando da força que lhe foi outorgada introduziu entre outras coisas o principio das tentações em lugar do principio do auxilio amparador que equivale ao amor prestimoso.

(…)

A tentação no Paraíso, narrada na Bíblia, mostra o efeito da introdução do princípio de Lúcifer expondo simbolicamente como este, mediante tentação, procura verificar a força e a perseverança do casal humano a fim de logo lançá-lo impiedosamente no caminho da destruição ante a menor vacilação. A perseverança teria sido equivalente ao alinhar-se jubilosamente à Vontade Divina, que está nas leis singelas da natureza ou da Criação. E essa vontade, o mandamento Divino, era de pleno conhecimento do casal humano. Não vacilar equivaleria ao mesmo tempo seguir aquelas leis com o que o ser humano somente pode beneficiar-se com elas, de modo certo e irrestrito, tornando-se assim o “senhor da criação” de facto, porque “segue com elas”. Então todas as forças se lhe tornarão serviçais se não se opuser a elas e funcionarão automaticamente a seu favor.

 

Nisto consiste, pois, o cumprimento dos mandamentos de Deus, que nada mais visam do que à conservação pura e desimpedida e ao cultivo de todas as possibilidades de evolução existentes em Sua obra maravilhosa.

(…)

A humanidade deve aprender a compreender que são traçados limites também para ela devido à sua própria espécie, que jamais poderá evidentemente transpor nem mesmo em pensamentos e que além desse limite mensagens somente poderão advir pelo caminho da graça. Todavia, não através de médiuns que também não podem alterar sua espécie mediante situações extra terrenas tão pouco pela ciência. Justamente essa tem, sim, através da química, a oportunidade de verificar que a diferenciação das espécies pode estabelecer barreiras intransponíveis. Estas leis, no entanto, partem da origem e não são encontráveis na obra da criação apenas.

 

Abdruschin

 

Excerto da dissertação, O mistério de Lúcifer, da obra “Mensagem do Graal” na Luz da Verdade, volume II.

A dissertação, bem como o conteúdo completo da obra, pode ser lida em ficheiro PDF.

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