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O Ser Humano e seu livre arbitrio!

por Círculo do Graal, em 31.07.10

Dissertação para leitura no próximo domingo (9.00 h - 10.00 h, hora de Lisboa).

A dissertação pode ser lida integralmente via internet, ao fazer download da obra.

 

Epístola aos Gálatas, 6-7,8

 

“Não erreis; Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso, também, ceifará. Porque o que semeia na sua carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no espírito ceifará a vida eterna.”

Paulo

 

Para que se possa dar um quadro completo deste tema, se faz necessário reunir muitos elementos de fora que exercem influência maior ou menor no factor principal! O livre arbítrio! É algo diante de que até mesmo homens eminentes se detêm em meditação, porque havendo responsabilidade, segundo as leis da justiça, também deve haver incondicionalmente uma possibilidade de livre resolução. Para onde quer que se ouça, de todos os lados vem o brado: onde há-de estar uma vontade livre no ser humano, quando há de facto providência, direcção, determinações, influências astrais e karma? Pois, o ser humano é impelido, ajustado e conformado, quer queira quer não!

 

Com afinco os pesquisadores sinceros se lançam sobre tudo aquilo que fala do livre arbítrio, no reconhecimento mui acertado de que, justamente a esse respeito, necessita-se deveras de um esclarecimento. Enquanto falta esse o ser humano não consegue também se enquadrar direito a fim de se impor na grande criação como tal que realmente é. Mas ele não possui a posição certa com referência à criação, terá que permanecer nela como um estranho, vagará a esmo, terá que se deixar empurrar, ajustar e moldar porque lhe falta a consciência da meta. Seu grande defeito é ignorar onde realmente se encontra seu livre arbítrio e como actua. Tal contingência mostra outrossim que perdeu completamente o caminho para seu livre discernimento, não sabendo mais como encontrá-lo. A entrada do caminho não é mais reconhecível à compreensão devido ao acúmulo das areias movediças. Dissiparam-se os vestígios. A criatura humana, indecisa, corre aí em círculos fatigando-se até que por fim um vento refrescante abra novamente os caminhos. É natural e evidente que ante toda essa areia movediça será levantada em rodopios violentos e, desaparecendo, ainda poderá turvar a vista de muitos dos que ansiosos continuam a procurar a abertura do caminho. Por esse motivo cada um deve observar o máximo cuidado para conservar a vista livre até que o ultimo grãozinho dessa areia movediça tenha desaparecido. Do contrário pode suceder ver perfeitamente o caminho, no entanto, com a vista levemente turvada pise em falso, tropece e caia para, já com o caminho diante de si, ainda afundar.

 

A incompreensão que sempre, repetida e obstinadamente, é apresentada pelos seres humanos contra a real existência do livre arbítrio, baseia-se principalmente em não compreender aquilo que o livre arbítrio propriamente é. A explicação já se encontra na própria definição, porém, como por toda a parte aqui também não se vê a coisa realmente simples por causa de sua simplicidade mesma, mas sim, procura-se por lugares errados e, desta forma não conseguindo, pois, formar uma noção do livre arbítrio. Por arbítrio o maior número de seres humanos hoje em dia entende aquela forçada construção do cérebro terrestre quando o intelecto, atado ao espaço e ao tempo, indica e determina, para o pensar e o sentir, alguma determinada direcção. Esse no entanto não é o livre arbítrio, mas o arbítrio atado, pelo intelecto terreno! Tal equivoco feito por tantas pessoas causa grandes erros, soergue as barreiras que impossibilitam a compreensão e a apreensão. Admira-se então o ser humano quando aí encontra lacunas, deparando com contradições e não conseguindo introduzir lógica nenhuma. O livre arbítrio que sozinho actua tão incisivamente na vida propriamente dita, que alcança longe para dentro do mundo do além, que imprime seu cunho à alma e capaz de moldá-la, é de espécie totalmente outra. Muito maior para ser tão terrena. Por isso não se acha em nenhuma ligação com o corpo terreno de matéria grosseira, portanto, nem com o cérebro. Encontra-se exclusivamente no próprio espírito, na alma do ser humano. Se o ser humano não concedesse sempre de novo ao intelecto predomínio ilimitado poderia o livre arbítrio, que dispõe de visão mais ampla de seu “eu” espiritual propriamente dito, prescrever ao cérebro do intelecto a direcção oriunda do subtil sentimento intuitivo. Assim devia a vontade atada, indispensável à realização de todas as finalidades terrenas confinadas ao espaço e ao tempo, enveredar muitas vezes por outro caminho, como acontece agora. Que com isso o destino também toma outro rumo é fácil de se explicar porque o karma, devido aos diferentes caminhos tomados, também puxa outros fios trazendo outro efeito recíproco. Esta explicação, naturalmente, ainda não pode trazer uma compreensão acertada sobre o livre arbítrio. Para que seja traçado um quadro completo disso, necessário é que se saiba de que forma já tem actuado o livre arbítrio. E de que maneira ocorreu a trama tantas vezes intrincada de um karma já vigente que é capaz em seus efeitos de cobrir tanto o livre arbítrio que a sua existência mal pode ser reconhecida ou até nem mais.

 

Tal esclarecimento, porém, somente poderá ser dado de novo voltando-se ao desenvolvimento completo do ser humano espiritual, a fim de partir daquele momento em que a semente espiritual do ser humano baixa pela primeira vez ao invólucro de matéria fina, o limite extremo da materialidade. Vemos então que o ser humano não é absolutamente o que cuida ser. Nunca tem consigo o absoluto direito à bem-aventurança e à continuação eterna de uma vida pessoal. A expressão: “somos todos infantes de Deus”, no sentido como os seres humanos pensantes compreendem, é errada. Cada ser humano não é um infante de Deus, mas só quando para tanto se tenha desenvolvido. O ser humano é lançado na criação como um germe espiritual. Tal germe contém em si tudo para poder se desenvolver a uma criança de Deus pessoalmente consciente. Aí se pressupõe que para tanto ele abra as correspondentes faculdades cultivando-as sem deixar que se atrofiem. Grande e gigantesco é o processo, e todavia inteiramente natural em cada degrau do fenómeno. Nada se encontra aí fora de um processo lógico; porque a lógica está em todo o actuar divino, pois este é perfeito e tudo quanto é perfeito não pode dispensar a lógica. Cada um desses germes espirituais contém em si as mesmas faculdades visto promanar de um espírito, e cada uma dessas faculdades encerra uma promessa cujo cumprimento se realiza incondicionalmente se tais faculdades forem desenvolvidas. Mas somente então! Essa é a perspectiva de cada germe na semeadura. Contudo…!

 

Saiu um semeador para semear; lá onde o mais etéreo da matéria fina da criação atinge a entealidade, é o campo para a semeadura dos germes espirituais humanos. Fagulhas partem do enteal transpondo o limite e caem no solo virgem da parte mais etérea da matéria fina da criação, tal como nas descargas eléctricas de um temporal. É como se a mão criadora do Espírito Santo disseminasse sementes na matéria. Enquanto a semeadura se desenvolve e vagarosamente amadurece para a safra, muitos grãos se perdem. Não vingam, isto é, não desenvolvem suas faculdades mais elevadas, antes apodreceram ou secaram devendo perder-se na matéria. Aqueles, porém, que vingaram e cresceram do solo serão separados rigorosamente por ocasião da colheita, joeiradas as espigas vazias das espigas cheias. Após a colheita será mais uma vez o joio separado do trigo, cuidadosamente. Assim é a imagem do processo no global. E agora, a fim de conhecermos o livre arbítrio, temos que acompanhar mais detalhadamente o processo evolutivo propriamente dito do ser humano: (…)

 

Abdruschin

 

Capítulo, O ser humano e seu livre arbítrio, da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da verdade, volume II.

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